quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Marina diz que proposta brasileira para o clima tem que incluir metas para energia e indústria

A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV-AC) disse na terça-feira (10) que a proposta brasileira de reduções de emissões de gases de efeito estufa tem que garantir compromissos para os setores de energia, agricultura e indústria. A posição brasileira deve ser definida ainda esta semana, até agora o que está acertado é a redução do desmatamento em 80%, o que deve baixar as emissões brasileiras em 20%.

Provável candidata à Presidência da República em 2010, Marina, que já tinha classificado a proposta brasileira como “tímida”, evitou criticar os números apontados pelo governo até agora e afirmou que o compromisso que o Brasil pretende assumir na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague, se deve em grande parte a ações de sua gestão no Ministério do Meio Ambiente.

“Tínhamos as bases para que pudéssemos chegar às metas. Já existia a possibilidade da redução de 20% das emissões por desmatamento, que é a queda de 80%. Isso já era tácito”, afirmou.

A ex-ministra também o citou o Plano Nacional de Mudança do Clima, que deixou “praticamente pronto”, e o Fundo Amazônia. “Eu pessoalmente negociei com o governo da Noruega (único doador do fundo até agora, com aporte de US$1 bilhão)”, disse.

Marina também evitou comentários sobre o fato de a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chefiar a delegação brasileira em Copenhague. “Acho que a gente não deve fulanizar essa questão. O importante é que o Brasil possa ir comprometido com metas, é isso o que tenho defendido”, disse a senadora após participar de evento sobre mudanças climáticas promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Durante apresentação, Marina afirmou que o alerta sobre os riscos do aquecimento do planeta não é “ecoterrorismo” e que as questões ambientais têm que ser consideradas no planejamento de todas as ações de governo, sem separar crescimento de preservação.

“Nos últimos meses tenho visto ações mais progressistas de setores que eram os mais resistentes ao debate. Tomara que fiquem todos mais ambientalistas que eu, quem vai ganhar é o Brasil. O importante é fazer o dever de casa, ter uma meta para levar a Copenhague."

Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil

APAGÃO BRASIL A FORA: A rotina da má gestão histórica

Em todo o Brasil há, pelo menos, um apagão por dia. Cada estado é contemplado, alternadamente, com um rotundo atestado de incompetência de nossas geradoras e distribuidoras, sejam elas estatais ou privadas. O que nos resta é a indignação ao verificar que após cada evento desses os aparelhos eletroeletrônicos sofrem avarias, muitas das vezes, definitivas. E o comércio, que dificilmente conta com serviço próprio emergencial, é o que mais padece ao lado do cidadão comum.

Ontem, 10 estados foram os agraciados com mais essa demonstração de falta de planejamento dessas empresas: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Aqui em Manaus deve ter havido um "apagaozinho" em algum lugar da cidade, pois é o que vem ocorrendo ao longo dos últimos 10 anos.

O superapagão de ontem, que começou aproximadamente às 22h de Brasilia, entrando pela madrugada, teve como principal personagem a usina geradora de Itaipu cuja capacidade instalada é de aproximadamente 15.000 mw/h. Mas os técnicos da empresa insistiram em atribuir a culpa a Furnas e demais distribuidoras.

O "jogo de empurra" continua hoje. Mas, sendo esse ou aquele, a culpa fica mesmo por conta da má gestão dessas empresas. Isto é histórico e generalizado. E é patente que seus Planos de Contingência carecem de muito mais aperfeiçoamento.

Concluo afirmando que o problema é estritamente técnico porque capacidade geradora instalada há de sobra, pelo menos no centro sul do país. E ainda querem enterrar mais de 30 bilhões de reais para que Belo Monte, no Xingu-PA, provoque um dos maiores passivos socioambientais já anunciados na história deste país fornecendo energia para essa mesma região. É mole?

Miguel Cruz/ Manaus-AM

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Emissões do desmatamento são superestimadas, diz estudo

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) em seus relatórios e pronunciamentos sempre considerou que os gases do efeito estufa provenientes do desmatamento eram responsáveis por cerca de 17% a 20% de todas as emissões globais provocadas pelo homem. Essa porcentagem era baseada em monitoramentos e dados das décadas de 1980 e 1990. Agora, uma pesquisa publicada nesta semana na revista Nature Geoscience afirma que este percentual é na verdade 12%.

O resultado do estudo pode ser usado para mostrar que a redução do consumo de combustíveis fósseis segue sendo o elemento chave para controlar o aquecimento global, porém os autores afirmam que é também essencial proteger os ecossistemas ricos em carbono.

“Mesmo nossos dados estando abaixo do que era presumido, eles ainda representam uma quantidade significativa de emissões. Para cerca de 30 países, como Brasil, Indonésia e Bolívia, o desmatamento e a degradação florestal são as principais fontes de gases do efeito estufa e devem ser combatidas”, escreveram os pesquisadores, que foram liderados por Guido van der Werf da Universidade de Amsterdã e tiveram o apoio das universidades norte-americanas de Columbia e Duke.

Para chegar a sua conclusão, o grupo utilizou os mesmo métodos adotados pelo IPCC para realizar suas estimativas, mas fez uma atualização em todos os dados disponíveis antes de calcular o total de emissões do desmatamento.

“Ao invés de 20%, parece mais apropriado responsabilizar a destruição das florestas por 12% das emissões atualmente. Mas fica a ressalva de que existem grandes incertezas nas estimativas de desmatamento e degradação florestal, esse número pode ainda variar de 6% a 17%”, afirmou Van der Werf.

Copenhague
Num primeiro momento, a redução das estimativas pode parecer um empecilho para a inclusão de um mecanismo de pagamento aos países em desenvolvimento para reduzirem o desmatamento e a degradação, conhecido como REDD, no futuro acordo climático, que deve ser definido em dezembro na Dinamarca.

Porém os autores deixam claro que não é este o caso, e que as emissões do desmatamento devem ser combatidas assim como as provenientes da queima de combustíveis fósseis. Eles inclusive aconselham que seja revista a definição de “floresta” dada pela ONU e que as turfas sejam incluídas no REDD.

Segundo os cientistas a ONU falha ao não diferenciar as matas nativas das árvores comerciais. “Repor turfas por plantações de palmeiras pode não afetar a cobertura de árvores, mas acarreta na redução de biomassa e da absorção do carbono”, explicou Van der Werf ao website REDD-monitor.

Os autores recomendam ainda que o acordo pós-Quioto tenha grande foco em monitorar as emissões e o carbono das florestas, para garantir a efetividade dos programas de REDD. Uma rede de satélites pode ser necessária para mapear as emissões do desmatamento e da degradação nas turfas e florestas.

“Para prevenir os piores efeitos das mudanças climáticas nós precisamos parar de queimar combustíveis fósseis e também de destruir os ecossistemas. Não podemos escolher ou um ou outro. Os dois são necessários”, concluíram os pesquisadores.

Tratado climático mundial deve sair apenas em 2010

A última rodada de negociações do clima que está reunindo 175 países em Barcelona chegou ao final na sexta-feira passada (6) e aparentemente a mensagem que fica é de que será necessário um ano a mais para que se consiga firmar um tratado climático para após 2012, quando termina a primeira fase de compromissos do Protocolo de Quioto.

Em 2007, foi decidido em Bali que a COP 15, programada para dezembro deste ano em Copenhague, seria o prazo limite para o estabelecimento deste novo acordo que obrigue os países a limitarem suas emissões de gases do efeito estufa.

Porém, negociadores de diversas nações deixaram transparecer que isso não será possível e que o máximo que se deve esperar da COP 15 é um compromisso político. O novo tratado seria firmado apenas no decorrer de 2010.

O secretário-executivo da Convenção da ONU sobre o Clima, Yvo de Boer, que chefia as negociações, disse em entrevista coletiva na quinta-feira (5) que pouquíssimo progresso vem sendo feito e que o tratado climático pode levar mesmo mais um ano.

“Eu não acredito que possamos ter um acordo legal em Copenhague. Mas podemos conseguir isso dentro do próximo ano”, confessou de Boer.

O plano agora seria fazer os líderes mundiais irem a COP 15 para assinar esse tratado político. O documento já teria todos os pontos chaves, como o tamanho da redução das emissões e as datas para isso, mas não possuiria poder legal para ser comprido.

REDD
Algumas organizações internacionais manifestaram sua preocupação de que sem um acordo concreto em Copenhague, o mecanismo de pagamento aos países em desenvolvimento para reduzirem o desmatamento e a degradação, conhecido como REDD, seja usado como uma saída para dizer que ‘algo foi feito’ na COP 15.

Para a Accra Caucus, um grupo que reúne organizações da sociedade civil e povos indígenas, o REDD pode vir a ser usado para mascarar a falta de comprometimento dos países ricos em cortarem suas emissões.

“Não podemos permitir que um REDD feito às pressas substitua uma solução real para as mudanças climáticas. As nações industrializadas possuem uma responsabilidade histórica com o aquecimento global e devem arcar com suas ações. O REDD não irá funcionar sem um comprometimento desses países de cortar suas emissões domésticas em ao menos 40%”, afirmou Alejandro Alemán do Centro Humboldt, da Nicarágua.

Conflito
A grande batalha nas negociações climáticas segue mesmo sendo essa de países pobres pressionando os mais ricos por cortes mais severos e fundos de adaptação mais robustos.

As nações africanas chegaram a realizar um dia de boicote às conversas em Barcelona porque acusam os desenvolvidos de falharem em estabelecer a meta de 40% de corte nas emissões em 2020, com relação aos níveis de 1990.

“As pessoas na África estão sofrendo nesse momento, estão morrendo. Enquanto isso os países ricos não estão se comprometendo com reduções mais ambiciosas”, declarou o chefe do grupo africano, Kemal Djemouai.

Porém, nesta mesma semana, os norte-americanos, por exemplo, comemoraram que o comitê de Meio Ambiente do Senado aprovou o projeto de lei que obriga as indústrias a cortarem suas emissões de gases do efeito estufa em 20% em 2020 em relação ao nível de 2005.

“Eu acho que é um grande sinal para Copenhague de que os EUA farão o que for necessário para avançar nessa questão”, afirmou a presidente do Comitê, Barbara Boxer.

Também em Barcelona, o Banco Mundial anunciou a criação de um fundo de US$ 1,1 bilhão para a África incrementar o uso de energias limpas e se adaptar às mudanças climáticas.

As diferenças entre as demandas dos países pobres e o que os ricos oferecem de ajuda ainda são bastante grandes, e a perspectiva de que sejam todas resolvidas durante a COP 15 parecem remotas.

A possibilidade de que Copenhague não passe de um acordo político não agrada em nada ambientalistas, ONGs e diversos países, em especial os mais pobres.

“Tratados puramente políticos valem muito pouco. Mostre-me algum político que realmente concretizou suas promessas” afirmou Lumumba Di-Aping, presidente do G77, grupo que reúne 130 países em desenvolvimento.

Apesar de ainda manter um olhar otimista sobre a possibilidade de um acordo em Copenhague, a ONG WWF reforça a opinião geral de que algo de concreto deve ser alcançado.

“Nós precisamos de um tratado que sobreviva a recessões, eleições e desastres naturais. Não apenas um pedaço de papel que será esquecido depois da próxima mudança de poder em Londres, Tóquio ou Washington”, concluiu a líder da iniciativa climática global da WWF, Kim Carstensen.

Fonte: carbonobrasil.com.br

Técnico do ISA afirma em entrevista: "A proposta dos ruralistas é acabar com o Código Florestal"

A bancada ruralista está empenhada em aprovar as mudanças do Código Florestal Brasileiro. Criaram uma Comissão Especial para reunir os debates sobre o tema e conseguiram colocar na Comissão de Meio Ambiente da Câmara a votação do Projeto de Lei 6424/05, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

O "Floresta Zero", como foi batizado o texto que isenta os proprietários de reflorestarem ou pagarem multas pelas áreas desmatadas ilegalmente até 2006, ainda não foi votado, já que na primeira reunião ambientalistas do Greenpeace impediram a votação e a segunda tentativa foi suspensa.

Na tentativa de conter os ânimos, o Ministro do Meio Ambiente Calos Minc lançou um pacto com medidas para o Código. Entre as medidas que devem ser assinadas pelo presidente Lula estão o comércio de cotas para preservação da reserva legal e a busca de outras áreas em Estados diferentes, desde que na mesma bacia hidrográfica e bioma.

Para Raul do Valle, coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), o debate não será esquecido pelos ruralistas. Segundo ele, esses políticos não estão interessados em propostas que visem o melhoramento das leis ambientais já existentes e sim na modificação da lei para que o que é ilegal vire legal.

Confira a entrevista:

Amazonia.org.br - Como o senhor avalia o documento que o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, entregou na semana passada com uma proposta para o "novo código florestal".

Raul do Valle - Não foi bem uma nova proposta de novo Código Florestal. Na verdade, o que ele apresentou ontem foi uma série de medidas que o Ministério do Meio Ambiente vem trabalhando para implementar o atual Código Florestal. Mais do que modificar o atual código, são medidas que vão na lógica de fazer com que o que já está na praça funcione. Não tem grandes novidades do ponto de vista da regra.

Acho que 95% do que ele apresentou não implica em mudança da lei. Tem só dois pontos ali que trariam mudanças, que é o computo da APP [Áreas de Preservação Permanente] na Reserva Legal de áreas de até 150 hectares e a qualificação de agricultor familiar. Esse segundo item não tem nem que fazer parte do Código Florestal, já que é uma questão da própria lei da agricultura familiar.

Amazonia.org.br - Então o que ele apresentou é algo positivo, já que é uma forma de implementar o que já existe?

Raul do Valle - Sim, é positivo. Obviamente temos que ver se vai funcionar, mas a intenção, que é fazer valer o que já está na lei, é positiva.

Amazonia.org.br - O senhor acha que esse documento pode conter os debates no Congresso sobre o Código Florestal Brasileiro, principalmente realizado pelos ruralistas?

Raul do Valle - Acho que não vai conter o ânimo de boa parte dos ruralistas, porque o que eles querem não é fazer o código funcionar. O problema é exatamente que funcione o código! A proposta deles é acabar com o Código Florestal porque não querem ter Reserva Legal, não querem ter que recuperar as APPs, não querem cumprir com as obrigações que estão na lei. A proposta deles é acabar com a lei e anistiar todo mundo que fez errado até hoje.

Fazer um pacote de medidas que implementa a lei não vai acalmar o ânimo desses ruralistas, mas eu acredito que boa parte dos parlamentares que não são ruralistas vão parar pra pensar e falar: "Bom, temos uma série de medidas que facilitam a vida do agricultor, então pra que mudar o Código Florestal?".

Amazonia.org.br - Neste ano as multas para os agricultores que desmataram suas reservas legais deve passar a valer em dezembro. O senhor acha que esse é o principal motivo para que essas mudanças sejam vistas como "urgentes"?

Raul do Valle - Esse é um tema que sempre volta. Ao longo dos últimos 10 anos já veio e voltou algumas vezes, cada vez, digamos, por uma razão "típica" que faz com que ele volte. Mas no fundo é uma insatisfação de parte da agricultura brasileira em ter que cumprir a lei. Então querem mudar a lei de qualquer jeito, não querem cumprir a lei ambiental.

Acho que nesse momento são dois fatores principais: um é a história do decreto que fixou essa história de multa para quem não quiser recuperar (as reservas legais), e o outro é, digamos, mais estrutural. Que é o cerco que está se fechando para quem está desmatando ilegalmente e pra quem tem áreas desmatadas e não quer recuperar. Porque o mercado está começando a exigir, e os próprios órgãos de fiscalização estão se aparelhando e estão mais atuantes em comparação há 10, 20 anos atrás. Aquilo que antes era uma coisa que estava na lei, mas ninguém cobrava, está passando a ser cobrado. Existe uma demanda da sociedade por isso e, portanto, está cada vez mais difícil fingir que a lei não existe como aconteceu nos últimos 30 anos.

Acho que são essas duas coisas. Uma coisa emergencial, que é o decreto, e outra que é essa conjuntura de que a lei tem que ser aplicada e, portanto, "vamos mudar a lei, não adianta só mexer no decreto, tem que mudar a lei". Isso foi algo que o próprio ministro da Agricultura disse claramente, os agricultores disseram com todas as letras: "a gente tem que modificar a lei, tem que acabar com essa história de Reserva Legal e APP".

Amazonia.org.br - Como você avalia as votações dentro da Comissão de Meio Ambiente na Câmara e a outra com a Comissão Especial?

Raul do Valle - Isso é um jogo político dos ruralistas, que não é um jogo às claras. Percebesse que não há boa-fé na discussão pública deles, têm várias janelas abertas e eles vão trabalhando nessas janelas concomitantemente, e aquela que avançar mais eles dão um peso maior em detrimento das negociações, acordos eventualmente feitos nos outros.

A própria negociação que está sendo feito no âmbito do Executivo da Presidência da República é um espelho disso. Há dois meses foi criado um grupo de trabalho interministerial e o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Casa Civil estão discutindo para que o governo tome uma posição, quais são as divergências existentes e quais são os acordos possíveis. Esse grupo avançou até certo ponto, onde as divergências foram expostas, alguns acordos foram feitos, aquele que foram possíveis entre todos.

Já quase finalizando o grupo, o Ministério da Agricultura, que vêm atuando como correia de ventilação das idéias dos ruralistas, roeu a corda, e já que não conseguiam o queriam por lá, botaram peso junto com os ruralistas pra que essa Comissão de Meio Ambiente voltasse a votar o projeto 6.424, que estava adormecido e todos esperavam que não voltasse. Eles querem levar o deles, não importa ter acordo, que a sociedade esteja de acordo, nada! Eles querem fazer e vão fazer dessa tática. Então não nos surpreende, embora não seja formalmente lógico, não nos surpreende porque essa é a tática política deles.

Amazonia.org.br - Você acha que esse debate não prejudica a imagem do Brasil, ainda mais quando estamos tão próximos de participar do evento mundial sobre mudanças climáticas em Copenhague?

Raul do Valle - Prejudica imensamente o Brasil! A possibilidade de votação já prejudica, se for aprovado então, nos prejudica de uma forma quase que inconcebível. A única meta que o governo Lula está admitindo é a diminuição do desmatamento da Amazônia, em 80%, e se for aprovada uma lei que anistia todos os desmatamentos ilegais feitos até hoje, esse é um recado claríssimo para a sociedade: "olha, continuem desmatando, continuem atuando na ilegalidade, porque virá uma nova anistia mais pra frente". Assim que funciona em todas as áreas do país onde têm anistia. Então seria um desastre.

Os ruralistas que defendem esse projeto dizem, com a maior cara de pau, que o artigo primeiro do projeto diz que não pode haver mais nenhum desmatamento em florestas no país, e que, portanto seria o projeto do Desmatamento Zero. Mas o projeto na verdade é um incentivo ao contrário. Hoje, na verdade, já não pode desmatar, tem que manter os 80% de reserva legal na Amazônia e mesmo assim o desmatamento ilegal é gigantesco, mais de 90% do desmatamento é ilegal. Um projeto de anistia só vai botar fogo nessa situação, mesmo porque o projeto não tem nenhum outro instrumento que coíba realmente o desmatamento ilegal, que incentive o sujeito a só desmatar o que pode ou não desmatar nada. Então, é pura hipocrisia dos ruralistas e, portanto, aprovar esse projeto significa acabar com a meta brasileira.

Amazonia.org.br - Se nossos representantes políticos estão tão empenhados em prejudicar a legislação ambiental do país, quais são as ferramentas da sociedade para que esse código não seja alterado?

Raul do Valle - Olha, até porque eles estão usando essa estratégia de atuar em várias frentes e não em uma frente concentrada, onde você possa ter um debate público sobre aquilo, uma ação fundamental é que a Presidência da República se posicione e oriente sua bancada claramente a não permitir que sejam votadas essas alterações absurdas para o Código Florestal.

Só com a liderança do governo muito bem orientada, dizendo que onde quer que venha a ter uma discussão sobre o Código Florestal, seja na Câmara, seja no Senado, ela tem que ser paralisada. Se não acontecer isso, com certeza os ruralistas vão conseguir aprovar alguma coisa. Então um posicionamento do governo é fundamental, nós estamos trabalhando para tentar obter do governo Lula essa manifestação.

Outro ponto é que a sociedade esteja ciente, porque os ruralistas não são maiorias no Congresso, isso que é incrível. Eles não são a maioria, são a minoria! Eles não são nem 20% da Câmara dos Deputados, mas são bem organizados, e uma grande massa de outros deputados que não tem nada a ver com eles, mas acabam votando, porque estão mal informados ou por acordos políticos bobos.

Então a sociedade brasileira, que já se manifestou várias vezes, inclusive com uma pesquisa recente que a própria Amigos da Terra - Amazônia Brasileira financiou, que mostra que a sociedade é contra o desmatamento, a sociedade tem que manifestar isso aos seus representantes, para que aquele representante lá de São Paulo, do Paraná, de Pernambuco, que não tem nada a ver com os ruralistas mas que está entrando na onda deles, saiba que se eles acompanharem os ruralistas terão o seu troco na hora do eleição do ano que vem. Que a sociedade não pode esquecer e nós vamos fazer questão de falar pra todo mundo, para toda a sociedade, divulgar muito bem divulgado quem são os deputados que vão votar com os ruralistas nesses projetos malucos que eles estão tentando aprovar.

Fonte: Amazonia.org.br

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Justiça restitui ao deputado estadual Angelus Figueira, do PV, vitória roubada nas eleições de Manacapuru – AM em 2008

A Corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) cassou ontem, por quatro votos a dois, o mandato do prefeito de Manacapuru, Edson Bastos Bessa e do vice-prefeito, Sidnilson Martins Holanda, ambos do PMDB, por compra de voto, abuso do poder político e econômico e prática de caixa dois na campanha eleitoral de 2008. Além da perda do mandato, o Tribunal Eleitoral decretou a inelegibilidade de ambos e os condenou ao pagamento de multa individual no valor de R$ 53 mil.

Com a cassação de Bessa e Sidnilson, o deputado estadual Angelus Figueira (PV), 2º colocado nas eleições do município, assumirá o comando da prefeitura do município que é terceiro maior colégio eleitoral do Amazonas. O vice de Figueira é Messias Furtado (PSol).

Da decisão da Corte, ainda cabe recurso. A advogada de Bessa, Marizete Caldas, que antes do julgamento abriu mão de fazer a sustentação oral em defesa de seu cliente, assegurou que irá recorrer da sentença.

O julgamento durou aproximadamente duas horas e foi presidido pela desembargadora Socorro Guedes porque a presidente em exercício do TRE-AM, desembargadora Graça Figueiredo, foi a relatora do caso. A magistrada acompanhou o parecer do Ministério Público que pediu a cassação dos envolvidos.

Festival de irregularidades

Bessa e Sidnilson foram acusados de omitir mais deR$ 30 mil na prestação de contas, além de terem promovido pagamentos e saques em espécie o que é proibido por lei. Eleitores teriam recebido entre R$ 50 e R$ 100 dos então candidatos. O dinheiro era repassado durante a distribuição de santinhos nas caminhadas.

Material de construção e cestas básicas também teriam sido entregues aos eleitores de Manacapuru em dias que curiosamente houve a suspensão no fornecimento de energia elétrica.A distribuição dos bens ocorria sempre à noite. Os fatos chegaram a ser confirmados pelo juiz Cláudio Chaves, que conduziu a eleição na cidade.

Por Tereza Teófilo (Publicado hoje no jornal A Crítica)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Desmatamento cai na Amazônia no mês de setembro

No mês de setembro, a Amazônia sofreu 400 km² de corte raso ou degradação progressiva de sua floresta. Este foi o número constatado pelo sistema DETER - Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A devastação, se comparada à ocorrida no mesmo mês do ano passado, que foi de 587 km², representa uma queda de 31%.

O Inpe não diagnosticou o desmatamento em 18% da área monitorada por causa da presença de nuvens que cobriram 28% do Pará e 19% do Amazonas.

Sendo assim, o Estado do Mato Grosso foi o campeão de devastação em setembro, com 134,23 km², seguido por Pará, com 132,73 km². Depois vieram Rondônia, com 70,65 km²; Amazonas, com 31,09 km²; Maranhão, com 14,31 km²; Acre, com 8,61 km²; Roraima, com 7,41 km²; e Tocantins, com 0,95 km².

Altamira - PA foi o município que mais promoveu desmatamento em setembro, com 47,25 km². Porto Velho - RO, com 46,12 km² de desmatamento, foi o segundo e Tucumã, também no Pará, o terceiro, com 28,23 km² de devastação.

Morre Claude Lévi-Strauss

Ele é considerado o fundador da Antropologia Estruturalista. Entre 1935 e 1939, lecionou sociologia na USP.

Foi anunciada nesta terça-feira (3) a morte do antropólogo Claude Lévi-Strauss. A informação é da editora do intelectual, pela qual o falecimento teria ocorrido entre sábado e domingo. Criado em Paris, ele nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908. Fundador da Antropologia Estruturalista, é considerado um dos intelectuais mais relevantes do século 20.

Membro de uma família judia francesa intelectual, Lévi-Strauss estudou Direito e Filosofia na Sorbonne, em Paris. Lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo (USP), de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central.

Ali passou breves períodos entre os índios bororós, nambikwaras e tupis-kawahib, experiências que o orientaram definitivamente como profissional de antropologia.

Em 1955, publicou "Tristes Trópicos" - um registro dessas expedições. No livro, ele conta como a vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como única

Após retornar à França, em 1942, mudou-se para os Estados Unidos como professor visitante na New School for Social Research, de Nova York, antes de uma breve passagem pela embaixada francesa em Washington como adido cultural.

Fez parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982. Lévi-Strauss passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos.

Jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como única. Enfatizava que a mente selvagem é igual à civilizada.

As contribuições mais decisivas do trabalho de Lévi-Strauss podem ser resumidas em três grandes temas: a teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17º Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha.

Declarou na ocasião: "Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Bibliografia publicada no Brasil
  • Tristes Trópicos (Companhia das Letras, 1996)

  • As Estruturas Elementares do Parentesco (Vozes, 2003)

  • Antropologia Estrutural (Vol. 1) (Cosac Naify, 2008)

  • Antropologia Estrutural (Vol. 2) (Tempo Brasileiro, 1993)

  • O Pensamento Selvagem (Papirus, 2005)

  • Sociologia e Antropologia, de Marcel Mauss (introdução de Claude Lévi-Strauss, Cosac Naify, 2003)

  • O Cru e o Cozido - Mitológicas (Cosac Naify, 2004)

  • Do Mel às Cinzas - Mitológicas (Cosac Naify, 2005)

  • A Origem dos Modos à Mesa - Mitológicas (Cosac Naify, 2006)

  • O Homem Nu - Mitológicas (Cosac Naify, 2009)

Fonte: Portal G1