quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Energia da Biomassa

(Ao lado: Instalações de Energia da Biomassa)

Mais de um quarto da energia usada no Brasil tem origem vegetal. O Balanço Energético Nacional de 2004 registra que de um uso total de 213 Mtep (milhões de toneladas equivalentes de petróleo), 58 Mtep eram de biomassa vegetal, distribuídos em partes mais ou menos iguais entre a lenha e a cana de açúcar.

Na maioria dos países, esta forte dependência é um sinal de subdesenvolvimento, pois é a fonte de energia mais simples e antiga usada pelo homem, ainda hoje, de forma primitiva.
No Brasil, porém, grande parte da biomassa energética é produzida comercialmente: a lenha, que transformada em carvão vegetal (CV) é usada na siderurgia e a cana de açúcar usada na produção de açúcar, álcool combustível e energia elétrica.

As transformações da energia da biomassa em energia útil, no entanto, são feitas, técnica e economicamente, com eficiência muito abaixo do possível. O INEE estima que pelo menos 25 Mtep hoje desperdiçados poderiam ser transformados em energia útil a partir de um trabalho sistemático que envolve mais mudanças culturais do que avanços tecnológicos.

Na verdade, as energias com esta origem nunca foram tratadas pelas autoridades como as fontes mais "nobres", tais como a hidráulica, petróleo, gás natural, carvão mineral e nuclear, para as quais existem políticas energéticas específicas. Antes de comentar a atuação do INEE para ajudar a reverter este quadro vale a pena uma breve descrição sobre cada uma das fontes.

Cana de Açucar

No passado, todas as necessidades de energia das usinas de cana eram supridas por terceiros. Para produzir o calor, inicialmente, era usada a madeira das florestas (lenha), prática que ao longo de séculos foi a principal causa de destruição da mata atlântica nordestina e do norte do Rio de Janeiro. Mais tarde esta indústria passou a consumir também óleo combustível. Enquanto isso, eram queimados, nos campos ou em grandes piras, os resíduos combustíveis da agroindústria, que contêm 2/3 da energia da cana (a energia restante está no caldo da cana que é transformado em álcool ou açúcar).

Aos poucos, a tecnologia da queima do bagaço foi dominada e a crise do petróleo trouxe uma modernização tal que as usinas conseguiram chegar ao final dos anos 90 auto-suficientes em energia. No início deste século, começaram a exportar energia para o setor elétrico, processo ainda em estágio inicial, mas que deve crescer com a queda de barreiras institucionais do setor elétrico a partir do Marco Regulatório (2004) que reconhece a Geração Distribuída. O crescimento da demanda pelo álcool deve aumentar a produtividade e em uma dezena de anos os desperdícios observados devem ser reduzidos substancialmente e suprir, de 10 a 15%, a energia elétrica do país.

Lenha

O uso do CV na redução do minério de ferro foi substituído pelo carvão mineral quando as florestas da Inglaterra acabaram no século XVIII. No Brasil, a prática se manteve pela ausência do carvão mineral de boa qualidade e pela sensação de que as reservas de madeira nativa são infinitas. Isto explica a destruição de partes importantes da floresta atlântica na região sudeste do país.

Embora algumas florestas tenham sido plantadas para suprir a biomassa das carvoarias, a madeira nativa ainda continuou importante com a conseqüente degradação ambiental. Sua queima, é hoje das grandes causadoras da "morte" de diversos rios e do acelerado assoreamento do São Francisco. Na região de Carajás a produção de gusa, quintuplicada em dez anos, causa uma contínua pressão sobre a floresta amazônica.

A produção artesanal do CV é feita com baixíssima eficiência porque no carvoejamento tradicional, a energia original é perdida para a atmosfera sob a forma de gases e voláteis. A produção do CV com tecnologias mais eficientes e usando biomassa produzida para esta finalidade pode significar um importante salto para aumento da eficiência energética e para criar as condições econômicas para substituir a produção de origem extrativa.

Fonte: Instituto Nacional de Eficiència Energética - INEE

Desmatamento: Amazônia, entre ladainha e Pacto

Por José Eli da Veiga, em 13/12/2007.

Fonte: Valor Econômico

É estranha a insistência com que se repete que o desmatamento da Amazônia é a causa de três quartos das emissões de carbono do Brasil. Talvez até possa ter sido verdade no início dos anos 1990, conforme o único inventário nacional, muito embora não existisse à época capacidade técnica para avaliar certos tipos de emissão. Passados 15 anos, é uma afirmação inteiramente falsa.

O aumento das emissões extradesmatamento foi de 45% entre 1994 e 2005, principalmente porque as do setor de transportes saltaram de 25,4 para 36,9 em milhões de toneladas (+45%), as do setor industrial de 19,7 para 27,8 (+41%) e as do setor energético de 7,6 para 15,3 (+101%). Para que contribuição proporcional do desmatamento amazônico pudesse ter se mantido nos 75%, ela deveria ter aumentado no mesmo ritmo. Sabe-se, contudo, que em 1994 e em 2005 a área desmatada foi a mesma: em torno dos 14 mil km2. É verdade que, entre essas duas datas, houve momentos em que a derrubada chegou a ser duas vezes maior. Mas também é verdade que desde 2005 ela não parou de minguar, aproximando-se agora de 11 mil km2. Bem menos, portanto, que os 14 mil km2 de 1992/94, e quase um terço dos mais de 29 mil km2 de 1994/95.

Virou pura miragem essa ladainha dos 75% desde que os cálculos das emissões extradesmatamento feitos para o MCT pela organização Economia & Energia puderam ser comparados às imagens de satélite processadas pelo programa Prodes, do Inpe. Todavia, muita gente só vê vantagens políticas em alimentá-la, provavelmente para tentar fazer crer que o Brasil poderá cortar drasticamente suas emissões se os países ricos bancarem o combate ao desmatamento.

Há dois sérios problemas nessa ingenuidade que se pretende esperteza. O primeiro é subestimar as dificuldades que o Brasil enfrentará para conter suas emissões depois que tiver conseguido minimizar os desmatamentos. Certamente, muita gente ainda não se deu conta de que as demais emissões do Brasil logo empatarão com as da Austrália. Também não tardará para que se aproximem das do Canadá. Tanto quanto nesses países, somente sérias inovações tecnológicas poderão reduzir as emissões causadas por indústrias, meios de transporte e geração de eletricidade.

O segundo problema se refere à própria Amazônia. Se a infantilidade da sociedade brasileira não a fizesse tão indiferente ao que por lá ocorre, essa região já teria um bom esquema de governança baseado no tão falado quanto pouco praticado zoneamento ecológico-econômico. Seu anárquico desmatamento já seria página virada há muito tempo, e por diversas razões que antecedem a necessidade de reduzir emissões de carbono.

Não adianta culpar governos, pois a valorização da biodiversidade, dos recursos hídricos e de inúmeras outras regulações sistêmicas exercidas pelos ecossistemas amazônicos pouco dependem dos políticos de plantão. O drama é que mesmo o segmento mais educado da opinião pública assiste passivamente à devastação dessas florestas, assim como fez com o Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. As florestas da Amazônia estão sendo derrubadas desde a ditadura militar com a complacência da sociedade brasileira, exatamente como as florestas do Pontal do Paranapanema foram criminosamente derrubadas durante governos do tipo Ademar de Barros ou Jânio Quadros, com inteira complacência da sociedade paulista.

Mas a esperança de que em algum momento surgiria um basta a tanta passividade foi confirmada, no início de outubro de 2007, pela proposta de "Pacto Nacional pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia". Tudo precisa ser feito para que essa caravana passe, mesmo que certos cães já comecem a ladrar.

Com o objetivo de zerar o desmatamento até 2015, um amplo compromisso - entre governos, empresas e terceiro setor - está sendo articulado por nove entidades: Amigos da Terra, CI, Greenpeace, ICV, Imazon, Ipam, ISA, TNC, e WWF-Brasil. E se apóia em estudo da Macrotempo Consultoria Econômica, coordenado por Carlos Eduardo F. Young, professor da FEA/UFRJ.

A ambição é pagar pela redução do desmatamento e pelos serviços ambientais prestados pela floresta, com três alvos essenciais: a) fortalecimento da governança florestal (monitoramento, controle e fiscalização; promoção do licenciamento rural e ambiental para propriedades rurais; criação das unidades de conservação e terras indígenas); b) uso de áreas já desmatadas; e c) compensação financeira dos atores sociais responsáveis pela manutenção das florestas (povos indígenas, comunidades locais, populações tradicionais, agricultores familiares e produtores rurais).

Custará R$ 1 bilhão por ano até 2015, dos quais 76% virão do Orçamento Geral da União e o restante será obtido de duas maneiras pelos governos estaduais: a) criação de uma Cide-Ambiental (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico-Ambiental), imposto federal cobrado sobre o valor adicionado de atividades que geram a deterioração ambiental, principalmente firmas do agronegócio, madeireiras e guzeiras; b) comprometimento de 1% adicional da receita do ICMS dos Estados da Amazônia Legal.

Na operacionalização do Pacto, a CEF deve ajudar o Basa, com sua capilaridade e seu histórico de relacionamento com as prefeituras. Mas caberá ao BNDES o papel de captar recursos privados, internos e externos. Além de manter o relacionamento com os organismos internacionais, o BNDES poderá estruturar três esquemas complementares: a) um "fundo de doações", com objetivo de incentivar a preservação da floresta, via remuneração aos "fiscais da natureza" nos moldes do Bolsa Floresta; b) Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que antecipem receitas de créditos de carbono a projetos de exploração sustentável, diretamente ou via repasses a fundos estaduais, o que lhe dará um formato de "fundo de fundos"; c) uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) para promover atividades responsáveis do ponto de vista socioambiental em áreas já desmatadas.

É fulminante o choque de lucidez do Pacto contra a indigência da ladainha.

José Eli da Veiga professor titular do departamento de economia da FEA/USP e autor de "A Emergência Socioambiental" (Ed. Senac, 2007), escreve mensalmente às terças e excepcionalmente nesta quinta. Página web: http://www.zeeli.pro.br/

3 R's: Peças de computador recicladas decoram árvores de Natal

( Ao lado: Reprodução - Enfeite de Natal feito com placa usada).

SÃO PAULO - O site britânico Nigel's Eco Store, especializado em produtos reciclados e ecologicamente corretos, aproveitou a época das festas de fim de ano para lançar novos itens no seu catálogo: enfeites natalinos criados a partir de peças de computador recicladas.

Entre os itens disponíveis para enfeitar a árvore de Natal de nerds, geeks e pessoas preocupadas com o meio ambiente estão corações, estrelas, sinos e árvores feitas a partir de placas de circuito recicladas e CDs.

"As partes brilhantes e metálicas vão reluzir e ficarão ótimas na sua árvore", diz o texto no site sobre os novos itens de decoração natalina, que têm preços que variam de US$ 6 a US$ 21 (kit com três peças), de acordo com o site Gizmodo.

As informações são da agência Magnet.

Meio ambiente: Supremo concede liminar liberando a obra no Rio São Francisco

( na imagem ao lado: o nascer do Sol no velho Chico)

BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Alberto Direito concedeu liminar para liberar as obras de transposição do Rio São Francisco. Ele atendeu a uma reclamação da Advocacia-Geral da União que contestava a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, na semana passada, que alegava que o governo não teria cumprido todos os requisitos legais para dar continuidade à obra.

A Medida atendeu a uma reclamação da Advocacia-Geral da União que contestava a decisão do TRF de Brasília.
Felipe Recondo, da Agência Estado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mudanças climáticas: Recuo dos EUA leva a 'acordo histórico' em Bali

Com um dia de atraso, terminou pouco antes das 18h30 (8h30, em Brasília) deste sábado, 15, a reunião sobre mudança climática das Nações Unidas, depois de os Estados Unidos cederem à pressão internacional e aceitarem o acordo em Bali.

A decisão foi descrita pelo anfitrião do encontro, o ministro do Meio Ambiente da Indonésia, Rachmat Witoelar, como "um verdadeiro avanço, uma oportunidade para a comunidade internacional combater o aquecimento global" e como "grande vitória dos países em desenvolvimento", pelo chefe da delegação brasileira, embaixador Everton Vargas.

"Este é um momento decisivo para mim e para o meu mandato como secretário-geral", disse Ban Ki-moon, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, após retornar a Bali para implorar aos delegados para que superassem as diferenças, no primeiro dia de prolongamento do prazo das negociações.

Duas das mais influentes organizações ambientalistas internacionais, as redes Greenpeace e WWF, entretanto, criticaram as concessões feitas para se chegar ao consenso. "Falta ambição ao trato", resumiu o WWF, enquanto o Greenpeace disse que o texto "foi subtraído das metas de redução de emissões que a ciência e a humanidade exigem."

Para conseguir a adesão da delegação americana, os negociadores decidiram retirar uma menção direta às metas de cortes de redução de emissões nos países ricos 25% a 40% até 2020.

As recomendações do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) aparecem em uma nota de rodapé do documento.

Em nota à imprensa, a ONG americana Centro Pew para Mudança Climática Global elogiou a inclusão dos Estados Unidos no acordo, ainda que ele "tenha deixado questões importantes em aberto".

"O importante é que ninguém ficou de fora. O documento desafia todos os governos a confrontar as duras questões adiante e abre caminho pela primeira vez para uma negociação sobre compromissos pós-2012."

Antes da conclusão do histórico acordo que deve nortear as discussões sobre o combate ao aquecimento global, a plenária testemunhou raras cenas de emoção, como o choro do secretário-executivo da reunião, Yvo de Boer, vaias e aplausos de pé.

Depois de varar a madrugada em tensas negociações, representantes da União Européia (UE) anunciaram por volta de 2 horas (16 horas, em Brasília) ter redigido um texto que poderia seria apreciado pela plenária.

Às 8 horas (22 horas, de Brasília), os representantes de quase 190 países voltaram a se reunir para discutir os últimos retoques ao texto.

Uma objeção de chineses e indianos - baseada na percepção de que havia uma discrepância entre os fortes compromissos exigidos dos países em desenvolvimento e uma linguagem menos específica sobre as obrigações dos países industrializados - levou a um longo intervalo na plenária.

O clima pesado ficou evidente depois do intervalo, quando o secretário-executivo do encontro de Bali, Yvo de Boer, teve dificuldades para responder uma nova intervenção da China, que reclamou de supostas "irregularidades" na condução da plenária.

"O secretário...", começou De Boer, interrompendo a frase em seguida e cobrindo os olhos com a mão. O secretário interrompeu a frase três vezes até que conseguisse concluí-la. "Ao retomar a plenária na manhã deste sábado, o secretário não sabia da existência de negociações paralelas", disse De Boer, antes de se levantar e abandonar a sala chorando.

A chefe da delegação americana, Paula Dobriansky, chegou a dizer que "não podia concordar" com as objeções da Índia e da China e foi vaiada por boa parte da audiência.

Em seguida, a declaração foi duramente criticada por representantes de diversos outros países. Quando os americanos voltaram a pedir a palavra, ninguém esperava a mudança de rumo. "Vamos seguir em frente e nos juntar ao consenso", disse Dobriansky, arrancando aplausos da plenária e levando a comemorações.

"Não há dúvidas de que abrimos uma nova página e estamos avançando", disse James Connaughton, chairman do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca, em Bali.

"Era exatamente o que queríamos", disse Humberto Rosa, chefe da delegação da União Européia. "Nós teremos agora dois anos tremendamente exigentes, começando em janeiro."

Um pacto em 2009 dará tempos aos governos para ratificar o acordo e dar certeza aos mercados e investidores interessados em adotar tecnologias de energia limpa, como turbinas de vento e painéis solares.

O tratado de Kyoto obriga a todos os países industrializados, exceto os Estados Unidos, a cortar emissões de gases de efeito estufa entre 2008 e 2012. Nações em desenvolvimento são dispensadas. As novas negociações vão procurar integrar todos os países no controle das emissões a partir de 2013.

Pontos principais

Os pontos mais importantes do acordo na conferência encerrada neste sábado são os seguintes:

Ajudas a países emergentes Os signatários reconhecem que os países pobres e em vias de desenvolvimento precisam de financiamento das nações ricas para enfrentar os desastres naturais e efeitos negativos do aquecimento do planeta.

Neste sentido, ficou garantido que o Fundo de Adaptação estabelecido pelo Protocolo de Kioto, e que atualmente conta com US$ 53,7 milhões, comece a funcionar no próximo ano. O fundo deve chegar a contar com pelo menos US$ 300 milhões.

Tecnologia

Os signatários se comprometem a impulsionar os programas de transferência de tecnologia para que os países emergentes possam se adaptar à mudança climática e minimizar seus efeitos.

Desmatamento

Pela primera vez, serão concedidas ajudas às nações em vias de desenvolvimento para conservação e proteção de suas florestas.

Além disso, reconhece a "necessidade urgente" de agir para reduzir as emissões de carbono provenientes do desmatamento, e que são responsáveis por 20% dos gases do efeito estufa, segundo dados da ONU durante a conferência.

Reflorestamento

Fica aprovado que os países dupliquem até 16 quilotons de dióxido de carbono seus projetos de reflorestamento.

Emissões

Os signatários reconhecem que o quarto e último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU é o estudo científico mais completo e o documento de referência sobre o aquecimento global.

A aceitação deste princípio significa que os Estados Unidos reconhecem a importância de que as emissões de gases poluentes dos países industrializados diminuam entre 25% e 40%, a respeito dos níveis de 1990, até 2020.

A inclusão do parágrafo anterior no acordo final foi um dos obstáculos mais difíceis de ultrapassar, devido à recusa de Washington em falar de números e compromissos pontuais, frente à posição da União Européia de incluir esse ponto.

(Fonte: Estadao.com.br)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Desenvolvimento sustentável - EXCLUSIVO: “Caixa ecológico” em supermercado de Curitiba (PR) estimula boas práticas ambientais e auxilia entidades fila

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Uma proposta de conscientização ambiental, que alia execução simples a bons resultados, está em prática em Curitiba (PR). A rede de supermercados Festval, que tem quatro lojas na cidade, oferece aos consumidores em uma delas – a Barigui, próxima ao parque homônimo – a opção de pagar suas aquisições no chamado “Caixa Ecológico”.

Nele, a clientela é estimulada a levar de casa as sacolas para acondicionar suas compras – valem as plásticas comuns, inclusive da concorrência. O principal foco da iniciativa, porém, é que, pagos os produtos, os compradores descartem de imediato, em containers apropriados, embalagens de plástico e papelão.

Em termos práticos, ao invés de levar para casa a pasta de dentes dentro da respectiva caixinha, o cliente carrega só o tubo. As doações são voluntárias e o “Caixa Ecológico” também funciona como qualquer outro.

Esses resíduos deixados nos containers, somados aos que a empresa recolhe nas lixeiras próprias para coleta seletiva – essas instaladas em todas as lojas –, são vendidos e o valor auferido é repassado a instituições filantrópicas, previamente cadastradas.

O “Caixa Ecológico” nasceu em outubro de 2006, quando foi inaugurada a loja Festval Barigui. A idéia, da professora Dulce Albach, do Centro Universitário Positivo (Unicenp), surgiu como tema de sua dissertação, à época na qualidade de mestranda em Gestão Ambiental na mesma instituição.

“Foi uma semente, mas temos que continuar insistindo, que ter em mente outras ações para estimular a conscientização ambiental”, convida.

Dulce Albach levou a proposta à rede de supermercados em agosto de 2006. “Achamos interessante e resolvemos adotá-la”, disse a AmbienteBrasil Jane Sodré, analista de Marketing do Festval.
Assim, o Unicenp é oficialmente parceiro na iniciativa e assina com o supermercado um panfleto em papel reciclado que explica os ojetivos do “Caixa Ecológico”.

A peça informa, por exemplo, que “o tempo de persistência dos plásticos nos aterros sanitários varia de 50 a 200 anos”.

Outras informações da peça: “cada brasileiro produz em média de 600g a 1Kg de lixo por dia” e “31% da composição dos resíduos sólidos municipais no Brasil são embalagens”.

De outubro de 2006 até agosto passado, data do último levantamento, foram deixadas pelos clientes 3.345 embalagens plásticas e 3.364 de papel – só no Caixa Ecológico. Com esse resultado, até agora o supermercado beneficiou duas instituições, cada uma recebendo mil reais.

Amazônia ameaçada: Pressão da atividade pecuária na Amazônia estimula desmatamento

De Brasília - "Manter em 2007/08 a taxa de desmatamento de 2006/07 vai ser muito difícil", afirmou Lima em entrevista à BBC Brasil.

Neste ano, o governo brasileiro comemorou a redução do desmatamento para 11,2 mil quilômetros quadrados, menos da metade do espaço desmatado em 2003/04, de 27,3 mil quilômetros quadrados.

"Temos absoluta convicção de que o que foi feito até agora não vai ser suficiente para manter a queda", disse ele. Nos últimos anos, o governo criou várias áreas de conservação e intensificou a fiscalização a partir das imagens por satélite que mostram o desmatamento com mais rapidez.

As pressões para o desmatamento, segundo o diretor, vem principalmente do aumento da atividade pecuária, que está sendo empurrada para a Amazônia por causa do preço da terra e da qualidade do solo, enquanto a produção de grãos se espalha pelo cerrado.

"Os grandes desafios para conter o desmatamento hoje na Amazônia são a atividade pecuária e o desenvolvimento da economia florestal regional, para uma atividade econômica com a manutenção da floresta em pé".

Ele diz que o aumento do preço e do consumo da carne no mercado internacional estimulam a ampliação da produção e das exportações brasileiras.

Além disso, a pecuária desenvolvida na Amazônia é uma pecuária extensiva, com uso de pastagens naturais que se exaurem em poucos anos e necessitam de novos investimentos para voltar a produzir.

"É mais barato desmatar uma nova área do que recuperar a pastagem degradada", diz o diretor do Ministério do Meio Ambiente.

Normalmente a nova área desmatada fica dentro da própria fazenda que já tinha gado. Com a nova derrubada, além de não ter que gastar com a recuperação do solo o fazendeiro ainda ganha na venda da madeira.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, de 70% a 80% do desmatamento que ocorre no Brasil é ilegal.

Para incrementar as ações de apoio à economia florestal - atividades para ganhar dinheiro com a manutenção da floresta, como coleta de castanhas e frutos e plantio entre as árvores -, o Ministério destinou para estes programas R$ 500 milhões no orçamento do próximo ano.

O valor é dez vezes maior do que o montante deste ano e praticamente o mesmo orçamento de custeio de todo o Ministério.

O biólogo Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, uma ONG baseada em Belém que estuda a Amazônia, diz que há contradições entre a política de promoção de uma economia florestal sustentável e o desenvolvimento convencional baseado na agropecuária.

Um exemplo, segundo ele, são os investimentos voltados para a pequena agricultura nas áreas de reforma agrária, que implicam em desmatamento, em vez do incentivo ao manejo florestal comunitário.

Ele também observa um aumento do desmatamento no segundo semestre deste ano, segundo dados do Inpe, coincidindo com a elevação nos preços de commodities agrícolas, como soja e carne, os produtos mais envolvidos no uso das terras desmatadas.

Denize Bacoccina - BBC/ Brasil

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Mudanças climáticas: Brasil lança em Bali certificados de redução de CO2

Marina Silva (Foto) anuncia projeto que pode captar US$ 150 milhões contra o desmatamento até março

BALI, INDONÉSIA - Em um evento paralelo à conferência das Nações Unidas (ONU) sobre mudança climática em Bali, na Indonésia, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou a criação de um novo fundo para financiar o combate ao desmatamento da Amazônia nesta quarta-feira.

O fundo deve entrar em funcionamento no fim de março e já tem promessas de atrair até lá cerca de US$ 150 milhões de doadores voluntários, de acordo com o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo, um dos idealizadores do programa.

Segundo ele, ao longo de um ano de estudos, bancos, supermercados, empresas aéreas e de alimentação mostraram interesse em aplicar dinheiro no projeto.

Em troca da verba, o governo brasileiro vai distribuir diplomas que certificarão a redução de emissões de carbono equivalente cada doação.

Esses papéis, no entanto, não podem ser negociados em qualquer mercado e vão servir apenas como certificados da iniciativa.

Sem expectativas de lucro, para convencer investidores o governo conta também com o sucesso do programa de combate ao desmatamento na Amazônia.

"Nos últimos três anos, o Brasil cortou 500 milhões de toneladas de gás carbônico com a redução nas taxas de desmatamento da Amazônia", disse Marina Silva.

"Isso significa que estamos dando nossa contribuição para combater as mudanças climáticas.

" O Brasil espera atrair empresas que queiram vincular a sua imagem à diminuição de emissões de gases poluentes.

O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, participou da apresentação em Bali, e se mostrou entusiasmado com o projeto.

Solheim afirmou que o seu país quer ser "um dos primeiros a participar" da iniciativa brasileira e não poupou elogios ao governo.

"Duvido que exista no mundo qualquer outro país com florestas tropicais que tenha um Estado que funcione também e um sistema tão desenvolvido no que diz respeito ao combate ao desmatamento", disse o norueguês.

O fundo - que vai funcionar fora dos cofres da União - deve ser gerido por um conselho consultivo formado pelos governos federal e estaduais, organizações não-governamentais, cientistas e empresários e operado pelo BNDES.

O grupo dos cientistas deve ser formado, nas palavras de Tasso Azevedo, por um "IPCzinho", em alusão ao Painel Intergovernamental para Mudança Climática, o IPCC, na sigla em inglês.

Quatro cientistas brasileiros, integrantes do IPCC, vão fazer parte do grupo, além de outros quatro estrangeiros.

A captação de recursos seria atrelada ao desempenho do governo no combate ao desmatamento.

Todo ano, o governo vai calcular quanto carbono deixou de ir para a atmosfera e multiplicar cada tonelada de carbono "poupada" por US$ 5.

Por sua vez, o cálculo de redução do desmatamento leva em conta que cada hectare contenha cem toneladas de carbono. Na realidade, porém, a quantidade deve ser bem maior.

"As pesquisas indicam que a floresta tem de 120 a 350 toneladas por hectare", afirma o diretor do Serviço Florestal Brasileiro.

"Para evitar qualquer crítica optamos por uma medida conservadora: 100 toneladas por hectare".

A iniciativa é a primeira incursão do governo brasileiro nos chamados RED - como são chamados os mecanismos de redução das emissões do desmatamento em países em desenvolvimento.

Durante a reunião da ONU em Bali, a questão foi motivo de discórdia entre os países em desenvolvimento.

Enquanto a maior parte dos outros países com florestas tropicais queria a inclusão da degradação (destruição em pequena escala), o Brasil preferia manter o tema fora das discussões.

BBC Brasil

Transgênicos: Audiência na Câmara discute contaminação de sementes tradicionais de soja por variedades transgênicas

Fernanda Machado / AmbienteBrasil (*)

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realizou ontem, a partir das 14h, audiência pública para discutir a contaminação das sementes de soja convencional por soja transgênica. O debate foi requerido pelos deputados Adão Pretto (PT-RS) e Iran Barbosa (PT-SE), que presidiu a audiência. Segundo eles, a denúncia de contaminação foi feita pela Central de Associações da Agropecuária Familiar do Oeste do Paraná (Caopa).

Após quatro anos das medidas provisórias que liberaram a comercialização de soja transgênica, crescem no país denúncias de casos de produtores orgânicos ou mesmo convencionais que tiveram sua produção contaminada.

O diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Álvaro Antônio Nunes Viana, justificou por que o ministério não fiscaliza a presença ou não de transgênicos nas sementes de soja. A principal alegação é de que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) não diferencia semente convencional de transgênica, e por isso, pela legislação, o Ministério da Agricultura não poderia avançar nesse sentido.

"Uma instrução da CTNBio considerou as sojas transgênica e convencional como seguras para a saúde e o meio ambiente", explicou Álvaro Viana. A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, responsável pelo estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos referentes à proteção humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam desde a experimentação e cultivo até a liberação e descarte de transgênicos e derivados.

Já o chefe da Divisão de Fiscalização de Insumos da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Adriano Riezemberg, alertou na audiência para a necessidade de que o Ministério da Agricultura crie um padrão internacional em relação à transgenia de soja. "Caso contrário, o país corre risco de passar por desabastecimento em relação ao mercado de sementes convencionais", afirmou.

Além da contaminação na produção, dados do Governo do Estado do Paraná demonstram que até mesmo as sementes colocadas no mercado como “convencionais” apresentaram, em 2006, um alto percentual de contaminação por variedades transgênicas.

O deputado Adão Pretto (PT-RS), autor do requerimento para a realização da audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, defendeu a adoção de um padrão nacional para as sementes, a fim de evitar riscos de contaminação que gerem prejuízos aos produtores orgânicos.

A presença maior de soja transgênica em soja convencional está relacionada ao problema do uso de sementes piratas (ilegais), ou seja, material produzido fora do Padrão Nacional estabelecido, sem preservação de identidade, visto que as chances dessa mistura ocorrer em sistemas de produção de sementes altamente tecnificados são muito remotas, afirmou o deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS).

Dos problemas levantados, o mercado de produtos orgânicos é o que merece maior atenção para conviver com os demais, concluíram os expositores.

* Correspondente em Brasília.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Comunidades tradicionais: Mapa do Racismo Ambiental revela conflitos em todos os estados do país

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Quilombolas, índios e outras populações tradicionais vêm sendo alvo de injustiças em todos os Estados do país, tendo usualmente seus interesses e direitos “engolidos” por empreendimentos grandiosos, a exemplo de usinas hidrelétricas.

Essa é uma das principais conclusões do “Mapa de Conflitos causados pelo Racismo Ambiental no Brasil”, disponibilizado recentemente no portal da Rede Brasileira de Justiça Ambiental - RBJA.

A RBJA é uma articulação formada por representantes de movimentos sociais, ONGs, sindicatos e pesquisadores de todo o país. Foi criada em 2001, com o objetivo oficial de “combater a injustiça ambiental no Brasil”.

Seu portal explica que o conceito de injustiça ambiental define as situações onde a carga dos danos ambientais do desenvolvimento se concentra, de modo predominante, em áreas onde vivem populações pobres.

“Denuncia, entre outras coisas, a lógica que define os locais onde serão instalados os grandes empreendimentos de mineração, as barragens das hidrelétricas, a passagem de linhas de transmissão de eletricidade, de oleodutos e outras obras, como depósito de lixos tóxico ou de resíduos químicos. Uma lógica que faz com que todos os efeitos nocivos do desenvolvimento recaiam sempre sobre as populações mais vulneráveis”.

Em meados de 2005, a RBJA formou um Grupo de Trabalho para investigar esse problema no país. Os primeiros passos culminaram na realização do I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, promovido em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), no mês de novembro seguinte. Reuniram-se à época mais de 90 pessoas de diferentes regiões, entre representantes de povos indígenas, Movimentos Negros, quilombolas e de outras populações tradicionais; ONGs e membros da Academia (inclusive três do exterior).

O Seminário gerou dois sub-produtos: o livro “Racismo Ambiental”, organizado pela professora Selene Herculano, da UFF, doutora em Sociologia; e pela jornalista Tânia Pacheco, mestre em Educação e doutora em História, compilando artigos e exposições feitas no evento. Também foram registrados em 27 filmetes os depoimentos dos participantes das mesas, todos disponíveis no Youtube.

“Assumimos como uma de nossas principais estratégias a elaboração de um Mapa de conflitos causados pelo Racismo Ambiental no país”, disse a AmbienteBrasil Tânia Pacheco, coordenadora do GT e autora do documento, elaborado com a colaboração da pesquisadora Tereza Ribeiro.

“Esse início de mapeamento está sendo agora atualizado em alguns estados, que contam com mais organizações integradas ao trabalho”, diz Tânia.

Ela acaba de participar do Seminário Internacional e Encontro Nacional contra o Racismo, organizado pela Coordinadoria de Derechos Humanos, em Lima, no Peru.

“O termo Racismo Ambiental foi algo novo para eles, que o consideraram fundamental, na medida em que se aplicaria de forma perfeita às lutas que têm – principalmente a população indígena, majoritária no país – contra as mineradoras, outras empresas e megaprojetos, nacionais e internacionais”.

Com isso, o Grupo de Trabalho espera, para os próximos dias, a adesão de dois representantes peruanos, que se somarão ao único estrangeiro por enquanto membro, um canadense. Do Brasil, atualmente o GT agrega 56 pessoas, de diversos estados.

Essa atenção articulada ao tema já produziu resultados práticos. Um dos participantes do Grupo, Florival de Souza Filho, de Sergipe, aproveitou que a Câmara de Vereadores de Aracaju iria dar início à revisão do Plano Diretor da cidade, em maio, e conseguiu, através da presidente da Comissão de Educação e Direitos Humanos, vereadora Rosângela Santana Santos, que os trabalhos fossem abertos com duas palestras.

Uma delas, a cargo da professora Nilza da Silva, da Universidade de Londrina, focou o racismo na divisão territorial da cidade de São Paulo. A outra, sob responsabilidade de Tânia Pacheco, explicou como se expressa o Racismo Ambiental.

A conclusão dos debates que se seguiram foi de que o conceito deveria orientar de forma central os trabalhos da Câmara, servindo de base inclusive para políticas de redefinição territorial.

“Aracaju, uma das cidades de maior presença de negros do país, foi totalmente planejada. E um dos resultados desse planejamento seria exatamente a expulsão de negros, pescadores e marisqueiras para as periferias, em bairros onde muitas vezes são obrigados a conviver com depósitos de lixo urbano, alijados de seus locais de origem e totalmente afastados de seus antigos ambientes de trabalho”, coloca Tânia.

Essa questão foi uma das que vereadores, deputados e membros do Ministério Público presentes, juntamente com representantes de associações de moradores e movimentos sociais, consideraram essencial que fosse revista no novo Plano Diretor, à luz da noção de Racismo Ambiental.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mudanças climáticas: Até 2030, floresta pode perder 50% da área

Relatório apresentado nesta quinta-feira (06) na Conferência sobre Mudanças Climáticas em Bali, na Indonésia, prevê que até 2030 metade da floresta amazônica será derrubada ou afetada pela seca. O texto ratifica ainda outros estudos que apontam que a região se transformará numa savana – vegetação típica do cerrado brasileiro. Até agora, modelos de clima mostravam que o “colapso” da floresta se daria só a partir de 2080.

O texto Os Ciclos Viciosos da Amazônia foi encomendado pela ONG WWF (World Wide Foundation) e é assinado por um dos maiores especialistas em ecologia amazônica, o americano Daniel Nepstad. O documento pretende chamar a atenção sobre o desmatamento e incluir o tema no acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto após 2012 – determinando políticas globais de redução de poluição.

Governo – O Brasil, porém, tem se mostrado dividido acerca da inclusão do tema. Na última terça-feira (04), Thelma Krug, secretária brasileira de Mudanças Climáticas, havia dito que era "prematuro" incluir florestas no acordo. Um dia depois, ela foi corrigida pelo chefe da delegação, Luiz Alberto Figueiredo Machado, que disse que a secretária fora "infeliz" na colocação. Em seguida, Sergio Serra, embaixador extraordinário para mudança do clima, disse que o Brasil não quer ver as florestas na negociação. "Para a delegação brasileira, Bali não é o fórum de discutir se floresta entra ou não", disse, segundo reportagem do site do jornal Folha de S. Paulo.

Finalmente, na quarta-feira (05), o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que países ricos mostram "duas faces" nas discussões sobre o clima. "Há uma face de bom moço, de quem está defendendo as causas benéficas para o mundo, e uma face, que em geral fica escondida, que é a face protecionista", afirmou, aludindo às tarifas impostas por Europa e EUA sobre os biocombustíveis brasileiros e à pressão européia para exportar seus pneus reutilizados. "É preciso saber com que voz eles falam na Conferência de Bali e com que voz eles falam na OMC (Organização Mundial do Comércio)".

"Urgência – O relatório de Daniel Nepstad, porém, pede urgência ao debate. Diz que, uma vez transformada em savana, a Amazônia não irá recuperar sua riqueza e exuberância biológicas atuais. Cruzando modelos de desmatamento com dados sobre chuvas e também com informações acerca das tendências recentes de expansão da cana, da soja e da pecuária, Nepstad produziu o que ele chama de "um dos piores cenários que eu já vi em 23 anos de Amazônia". A savanização ocorreria nos próximos 15 a 25 anos, com a emissão de 15 a 25 bilhões de toneladas de carbono até o final do período – algo como quatro vezes o que o Kyoto se propôs a cortar.

A seca prevista pode já ter se instalado. No nordeste de Mato Grosso, onde Nepstad mantém um projeto de pesquisa, 2007 foi um muito seco e quente. “Normalmente faz 32° C na sombra da mata no verão (época de seca). Neste ano fez 38º C", diz. A fumaça das queimadas pode estar colaborando para secar a floresta, ao inibir a formação de nuvens. O cientista assume, porém, que os cenários propostos por ele são parciais, baseados em apenas cinco anos de dados de desmatamento e dez de precipitação. (Veja Online)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Mudanças climáticas: Impacto da mudança climática traz risco imediato, afirma ONU

(Seca de 2005: mortandade da fauna aquática no Amanonas).

Enquanto os delegados de 190 países estão fechados no Centro de Convenções de Bali tentando costurar um acordo diplomático, o efeito das mudanças climáticas foi classificado como um "perigo bastante imediato e não apenas para um futuro distante" pelo Pnuma, o braço ambiental da ONU (Organização das Nações Unidas).

Na terça-feira (04), em Bali, a instituição divulgou um relatório sobre os impactos e as vulnerabilidades das mudanças climáticas feito durante os últimos cinco anos nas regiões mais pobres do mundo. A conclusão do trabalho é clara: as mudanças climáticas já chegaram para muitas populações.

Nas dezenas de casos estudados ficou claro que a alteração no clima vai levar a catástrofes se não for levada em conta por políticas públicas. A situação piora em locais onde os demais sistemas (econômico, social e político) não estão azeitados.

No noroeste da China, por exemplo, uma das áreas enfocadas pelo Pnuma, o levantamento mostra que a temperatura subiu entre 0,2ºC a 0,4ºC a cada dez anos, durante as últimas cinco décadas. Como conseqüência, a população chinesa pode enfrentar falta d'água, e o mesmo problema já existe em locais da África e até no México. No Caribe, o aumento da temperatura fez triplicar os casos de dengue.

Na América Latina, a bacia do Prata, onde estão as cidades de Montevidéu e Buenos Aires, é uma área frágil. O risco é o aumento na freqüência das "sudestadas" - nome dado a um tipo específico de tempestade que costuma ocorrer naquela parte do mundo.

Neste caso, mostra o novo guia para os formuladores de políticas públicas, o risco maior é o das inundações. (Folha Online)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Gestão ambiental: Setor de tratamento de resíduos cresce, mas ação do Governo ainda é pequena

(Ao lado: armazenamento temporário de resíduo industrial)

Neide Campos / AmbienteBrasil

Resíduos sólidos são materiais heterogêneos (inertes, minerais e orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde pública e economia de recursos naturais. Os resíduos sólidos – se não devidamente tratados – criam transtornos de ordem sanitária, ambiental, econômica e estética.

Em função desses problemas, o tratamento de resíduos é uma parte importante da gestão ambiental de empresas e governos.

O setor de tratamento de resíduos possui empresas de capital nacional e estrangeiro, processa 3,6 milhões de toneladas de resíduos industriais por ano, e movimenta R$ 1,5 bilhão com serviços prestados a 15 mil clientes industriais.

Por esses valores, à parte das razões de responsabilidade social e ambiental, muitos empresários consideram o tratamento de resíduos como uma simples visão estratégica de negócios.

“O mercado financeiro tem comprovado que as empresas que incorporam a sua gestão melhores práticas ambientais agregam valor e segurança a seus ativos e proporcionam maior retorno aos investidores”, disse a AmbienteBrasil Diógenes Del Bel, presidente da Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos, que representa cerca de 75% do mercado de tratamento de resíduos industriais.

Pensando estrategicamente como um bom negócio, as empresas que não têm uma política de gestão ambiental baseada em conformidade, qualidade e segurança, invariavelmente enfrentam desperdício de materiais, água e energia, passivos ambientais e limitações ao crescimento dos negócios.

A médio e longo prazos, as oportunidades estratégicas se estreitam, o licenciamento das operações se dificulta, os financiamentos se encarecem, o patrimônio se desvaloriza e os investidores se afastam. “Os riscos e os passivos ambientais podem até inviabilizar fusões e aquisições”, alerta Diógenes.

Segundo ele, grande parte dos impactos ambientais é causado por empresas que têm foco apenas no resultado imediato e que não são alcançadas pela fiscalização.

A legislação brasileira quanto ao tratamento de resíduos é rigorosa, porém pouco eficaz. Os órgãos ambientais, responsáveis pela fiscalização, não possuem infra-estrutura de agentes e sistemas de informações gerenciais. Os instrumentos de fiscalização são baseados apenas em trabalho de campo - isto significa que o infrator só pode ser responsabilizado com o flagrante do ato. “Seria como se a Receita Federal tivesse que fiscalizar as empresas sem ter as declarações e o sistema de informações que possui”, exemplifica Diógenes.

Se a fiscalização não sai da era primitiva, as tecnologias para o setor só avançam.

Segundo Diógenes, no Brasil, mesmo sem qualquer política de incentivo, a iniciativa privada consolidou ao longo das duas últimas décadas um parque especializado em tratamento de resíduos e serviços ambientais, como gerenciamento de resíduos, tratamento de efluentes industriais, análises laboratoriais, diagnóstico e remediação de solos e águas subterrâneas.

Atualmente, as principais soluções para resíduos industriais são:

- Aterro Industrial: disposição final no solo, utilizando técnicas específicas de engenharia para assegurar impermeabilização, confinamento e monitoramento. Podem ser de dois tipos: para resíduos perigosos (classe I) e para resíduos não-perigosos (classe II A ou classe II B).

- Co-processamento: processo de destruição térmica dos resíduos em fornos de produção de cimento (clínquer), com seu aproveitamento como substitutos de combustível ou matéria-prima.

- Incineração: processo de oxidação térmica a alta temperatura, que destrói as substâncias orgânicas e reduz o volume dos resíduos.

Além dessas, que são as mais comuns, há outras técnicas como tratamentos biológicos, dessorção, plasma térmico, entre outros.

Legislação

Na quinta-feira (29), a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável promoveu, na Câmara dos Deputados, um seminário sobre o tema. Está em análise na Câmara o Projeto de Lei 1991/07, do Executivo, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O objetivo é reduzir a geração de lixo e combater a poluição e o desperdício de materiais descartados pelo comércio, pelas residências, indústrias, empresas e hospitais.

A proposta proíbe o lançamento de lixo no solo, nos rios e sem a embalagem adequada, além da queima a céu aberto. O texto também proíbe a importação de materiais que produzam rejeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde pública, como pneus usados.

O projeto foi anexado ao PL 203/91, do Senado Federal, que cria a Política Nacional de Resíduos e está pronto para votação do Plenário.

Segundo Diógenes, o Governo ainda faz muito pouco, já que a grande maioria dos Municípios dispõe seus resíduos em lixões.

“O setor tem profissionais qualificados, tecnologia e recursos para investir e está preparado para ser um grande aliado do poder público para universalizar o tratamento adequado dos resíduos e eliminar os passivos ambientais de décadas. Colocar isso em prática só depende do governo”.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Mudanças climáticas: Ano de 2007 teve recorde de desastres naturais, aponta relatório

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) informou que em 2007 foi batido o recorde de desastres naturais extremos, em um relatório divulgado nesta segunda-feira (03), coincidindo com a abertura da conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Bali, Indonésia.

No informe "Breaking Records in 2007 - Climate Change" (Batendo recordes em 2007 - Mudança Climática), o WWF menciona como o dia 16 de setembro marcou um recorde no Ártico com o desaparecimento de 2,61 milhões de quilômetros quadrados de superfície gelada, aproximadamente dez vezes a extensão do Reino Unido.

O documento também menciona as persistentes secas na Austrália, Ásia, África, Sul da Europa e Estados Unidos, que, além de levarem a graves carências de água e ondas de incêndio gigantes como, por exemplo, os sofridos pela Grécia e os estado americano da Califórnia.

Da mesma forma, monstruosas inundações atingiram alguns países da Europa como Grã-Bretanha, assim como o oeste da África e da Ásia, concretamente a Indonésia, país anfitrião da conferência da ONU.

A capital indonésia, Jacarta, ficou paralisada em fevereiro por causa das chuvas torrenciais que desencadearam as piores inundações de sua história, com danos no valor calculado de 450 milhões de dólares e mais de 420.000 desabrigados.

O WWF enfatiza que o degelo acelerado dos mares árticos e antárticos "terá um impacto considerável, entre eles a inundação de algumas localidades costeiras ou o desaparecimento de certas espécies como os ursos polares".

Ao mesmo tempo, "os incêndios nas florestas produziram milhões de toneladas de carbono na atmosfera, criando perigosos efeitos de amplificação suscetíveis de acelerar o aquecimento do planeta".

Para frear isso, "os países ricos devem provar sua seriedade comprometendo-se, em Bali, em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 30% antes de 2020", afirmou um especialista em clima do WWF-Europa, Stephan Singer.
A comunidade internacional iniciou nesta segunda-feira, em Bali, a conferência sobre mudança climática que deve desenhar as grandes linhas de um futuro acordo mundial para limitar a catástrofe anunciada pelos cientistas.

Mais de 180 governos participam nesta conferência, a 13ª dos países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas para a Mudança Climática (CMNUCC, UNFCCC sigla em inglês), até 14 de dezembro.

Os especialistas do Painel Intergovernamental Sobre as Mudanças Climáticas (IPCC, por suas siglas em inglês), que dividiram o último Nobel da Paz com o ex-vice-presidente Al Gore, deram detalhes sobre o alcance e a rapidez das alterações climáticas este ano.

Os impactos da ação humana no meio ambiente trazem uma preocupação de tal ordem, que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban ki Moon, os considera como "um dos principais desafios do nosso tempo".

(Yahoo Brasil)

Mudanças climáticas: EUA ficam isolados na oposição a Kyoto, e não ligam

Um dos fatos políticos mais aguardados para sacudir a 13ª. Conferência do Clima (COP-13), que acontece em Bali, não provocou mais do que um leve movimento de cabeça - de desdém - do principal ator desta negociação.

A ratificação do Protocolo de Kyoto pela Austrália deixou os Estados Unidos isolados como únicos opositores ao acordo. Mas, para os americanos, nem os aplausos entusiasmados dos delegados presentes na abertura da reunião tiraram sua fleuma e mudaram uma resposta que já estava na ponta da língua.

À provocação de um jornalista, o chefe da delegação americana, Harlan Watson, respondeu: “Respeitamos a posição da Austrália. O presidente Bush já deixou claro que cada país faz sua análise sobre Kyoto”, disse. O que ele quis dizer é: “Cada um faz o que quiser, especialmente nós, que mandamos nesse jogo. Ou você acha mesmo que aquela bateção de palmas nos constrangeu?”.

Watson também disse que não está lá para travar negociações, que os Estados Unidos têm uma posição flexível para que um acordo seja alcançado até 2009 e que Bush reconhece a urgência de um regime que lide com as mudanças climáticas.

Pois 2009 é o ano em que Bush não estará mais no poder - as próximas eleições americanas acontecem no fim do próximo ano e o texano não pode ser novamente reeleito. Os democratas indicaram que o tema é sua prioridade. Os republicanos não querem ficar para trás e não podem, já que internamente a pressão aumenta.

A despeito de pouco falarem sobre cortes mais profundos em suas emissões de gases-estufa, os países desenvolvidos parecem estar bastante certos sobre o que as nações emergentes precisam fazer a partir de 2013, quando termina o Protocolo de Kyoto.

Ninguém fala mais de meta de corte para os emergentes - nem mesmo os americanos, que justificavam sua ausência no protocolo com “se eles não entram, a gente também não”. Se há um consenso entre Estados Unidos e União Européia é o de que emergentes - diga-se China e Índia - precisam reduzir a taxa de crescimento de suas emissões. Ou seja, em vez de crescer, digamos, 5% ao ano, que cresça 4,5%, com quedas progressivas - até, quem sabe um dia, obtenham uma reversão da curva.

Os chineses serão em breve, muito breve, os campeões globais de emissão de gases-estufa: devem ultrapassar os americanos em 2007 ou 2008. Eles inauguram termelétricas alimentadas por carvão a rodo, calcula-se uma por semana, para segurar sua explosão econômica. A ninguém interessa que a China tenha seu crescimento ameaçado.

O terno foi banido oficialmente como vestimenta oficial da COP-13, pelo menos até o Al Gore, ops, os ministros chegarem na semana que vem. Segundo o secretariado da Convenção do Clima, é quente demais em Bali e, além disso, reduzir o consumo de eletricidade para alimentar ar-condicionado é ambientalmente correto.

O principal defensor do novo dress code é o secretário da convenção, Yvo de Boer. No sábado (01) , ele passeava pelos corredores do centro de eventos com uma camisa colorida, enquanto resolvia os últimos detalhes antes do início da COP. No domingo (02), foi só a sessão de abertura e a coletiva de imprensa acabarem para ele tirar o paletó e a gravata e adotar outro modelo na mesma linha.

(Cristina Amorim/Estadão Online)
PS: Depois ainda reclamam do estilo arrogante do Hugo Chaves. Seus professores sempre foram os norte americanos (Nota do blog0.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Vamos tomar esse leite ? - Associação da Indústria do Leite Longa Vida esclarece suspeitas levantadas pela Operação Ouro Branco

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

A pedido de AmbienteBrasil, o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Leite Longa Vida (ABLV), Nilson Muniz, esclarece uma série de dúvidas dos consumidores, nascida no final de outubro passado, quando a Polícia Federal, no bojo da chamada Operação Ouro Branco, denunciou a adição de água oxigenada e soda cáustica ao produto pelas cooperativas mineiras Casmil e Copervale.

Segundo ele, o primeiro erro é que se passou a atribuir a fraude com essas duas substâncias aos produtores de leite longa vida. "É importante que se esclareça: a presença desses contaminantes foi detectada somente no leite in natura, isto é, no leite cru, não no longa vida", diz.

O primeiro laudo técnico do Laboratório Nacional Agropecuário, a respeito da análise de amostras extraídas de dois caminhões-tanque da Casmil, atesta a "fraude por adição de peróxido de hidrogênio em leite cru" e explica que a essa substância "se aplica a definição de conservante", uma vez que tem "efeito antibacteriano, permitindo que más condições higiênico-sanitárias de obtenção, conservação e transporte sejam dissimuladas".

O texto é explícito ao afirmar que "a adoção dessa prática, em desacordo com a legislação vigente, objetiva o prolongamento da vida útil da matéria-prima até seu beneficiamento".

"Isso significa, portanto, que a fraude foi cometida antes da entrada do leite na indústria e, até agora, de acordo com a própria Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nenhuma análise constatou a presença desses contaminantes no produto final", coloca Nilson.

O site da Associação Brasileira da Indústria do Leite Longa Vida informa que, para o leite ser classificado como Longa Vida, precisa, em primeiro lugar, ter matéria prima de boa procedência, pois o equipamento que o processa não opera, economicamente, com matéria-prima de má qualidade.

"Segundo, passar pelo processo de ultrapasteurização. Em seguida, ser acondicionado em embalagens assépticas. Dentro destas, o Leite Longa Vida fica protegido de qualquer contaminação e não necessita de nenhum conservante".

Ainda no site, a entidade esclarece que o estabilizante é o único aditivo alimentar permitido no Leite Longa Vida natural e algumas marcas utilizam Citrato de sódio com esse objetivo. "O estabilizante não é conservante e não faz mal à saúde. É um aditivo alimentar inócuo, que funciona como coadjuvante tecnológico na produção do Leite Longa Vida".

A função do citrato de sódio é evitar a sedimentação do leite, sendo adicionado antes da ultrapasteurização. A adição é facultativa, ou seja, uma opção do fabricante. A Associação explica que o citrato é um ácido orgânico presente naturalmente no leite, numa quantidade média de 2g por litro.

Assim como o Citrato de Sódio, outras substâncias com a função estabilizante estão autorizadas pelo Ministério da Saúde: Monofosfato de Sódio, Difosfato de sódio e Trifosfato de sódio. Em qualquer dos casos, a adição do estabilizante não pode ser feita em quantidade superior a 0,1 g/100 ml.

Voltando à soda cáustica e à água oxigenada, Nilson Muniz informa que as últimas análises feitas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), e confirmadas pelo Lanagro, laboratório do Ministério da Agricultura, nos 19 lotes de leite que foram tirados de circulação preventivamente, não constataram a presença dessas substâncias no leite longa vida.

"A Associação Brasileira da Indústria do Leite Longa Vida (ABLV) condena qualquer ação que ponha em risco a qualidade do produto e a saúde do consumidor, apóia as iniciativas que visem a assegurar a integridade do leite consumido pela população, assim como sempre que necessário se posicionará para esclarecer quaisquer informações equivocadas emitidas sobre o leite longa vida, produto que conquistou a confiança dos consumidores por aliar qualidade e praticidade com segurança alimentar".

Polêmica

No dia 11 passado, AmbienteBrasil publicou artigo de Opinião intitulado "Verdades sobre o leite de caixinha", em que o autor, o químico industrial e engenheiro químico Antônio Germano Gomes Pinto, afirmava:

"O leite é introduzido na caixinha num ambiente totalmente estéril. Mas, apesar de todos esses cuidados, alguns microorganismos resistem ao processo e irão se multiplicar, provocando a decomposição do leite em tempo bem inferior ao que preconiza a embalagem se não receber aditivos esterilizantes. Irá se estragar, o que comumente chamamos de azedar!".

E completou: "Esse fenômeno só irá ser evitado com a adição de água oxigenada e soda cáustica. Não se iludam, não existe leite de caixinha ou longa vida sem a adição destas drogas em maior ou menor quantidade, dependendo da `segurança` da tecnologia de tratamento durante o beneficiamento do leite".

De imediato, instalou-se a polêmica no Espaço do Leitor, fórum de debates ligado a cada notícia ou artigo publicado pelo portal.

AmbienteBrasil não se responsabiliza pelos conceitos emitidos em artigos assinados - e essa mensagem acompanha o texto de cada um deles. Porém, no interesse do consumidor e - mais - da saúde pública, procurou a versão da indústria, agora exposta.