quarta-feira, 30 de abril de 2008

AMAZÔNIA: Zoneamento econômico na Amazônia precisa de mais agilidade, afirma secretário

O Estado brasileiro precisa criar estímulos para que o zoneamento ecológico econômico dos estados da Amazônia aconteça de forma mais rápida. Essa é a avaliação do secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Hamilton Pereira.
O zoneamento ecológico econômico é o planejamento de quais atividades (agricultura, preservação, habitação) serão desenvolvidas em cada área do território, de modo que a ocupação do espaço aconteça de forma ordenada.

“O Acre já fez (zoneamento territorial), o Amazonas está fazendo, o Pará está começando, há um processo em curso, precisamos agir com rapidez maior, é preciso induzir esse processo por meio de estímulos”, enfatizou o secretário em entrevista à Agência Brasil, após a primeira reunião do seminário que discute a Gestão Ambiental Integrada na Amazônia.

De acordo com Hamilton Pereira, o zoneamento ambiental é fundamental para um crescimento econômico não-predatório. “Ele que poderá conferir equilíbrio e disciplinará intervenção dos fatores econômicos”, explicou Pereira.

O secretário destacou ainda a importância do planejamento nas políticas públicas para a preservação da Amazônia. “Não se resolve o problema do desmatamento exclusivamente com medidas repressivas. É preciso, para fazer cumprir a lei, que o Estado gere alternativas, como uma política de recuperação de pastagens em áreas degradadas.”

A sociedade civil organizada também tem um papel importante em relação às políticas públicas para a Amazônia, na opinião de Hamilton Pereira, que acredita que as organizações civis devem agir de modo a auxiliar e fiscalizar o Estado na aplicação das medidas.

“A sociedade brasileira pode, a partir dos seus movimentos sociais, dos seus sindicatos, das suas cooperativas, das suas associações, interferir, para corrigir, ou evitar os problemas”, disse o secretário falando a respeito de possíveis problemas ambientais que podem ser gerados com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apontados durante o seminário.

(Fonte: Agência Brasil)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

ESTOQUE COMPROMETIDO: Conheça os alimentos que podem acabar desaparecendo do planeta

Publicitários sem muita consciência ambiental poderiam muito bem criar placas com os dizeres "Coma antes que acabe" e distribuí-las pela seção de frutos do mar dos supermercados mundo afora. O humor negro seria justificado: peixes e assemelhados estão entre as principais fontes de alimento com risco de desaparecer da Terra, graças principalmente à coleta irresponsável.
Mas eles certamente não estão sozinhos. O perigo de sumir do mapa também ronda boa parte das variedades tradicionais de plantas e animais domésticos do mundo, bem como seus parentes mais próximos que ainda existem em estado selvagem. Há uma tendência preocupante de substituição dessa variabilidade por umas poucas raças e cultivares comerciais. Não é só o paladar, necessariamente menos diversificado, que perde com isso: as variantes tradicionais e silvestres guardam genes importantes para rusticidade, resistência a doenças e até produtividade. Seria burrice jogá-las fora, mas é o que está acontecendo.

Redes gulosas
A julgar por um estudo recente, coordenado por Stephen R. Palumbi, da Universidade Stanford (EUA), a situação nunca esteve tão negra para quem gosta de um bom peixe. Se tudo continuar como está, calculam Palumbi e seus companheiros, nenhuma das espécies marinhas exploradas comercialmente hoje estará disponível para consumo humano em 2050.

Os cálculos dos pesquisadores sugerem que quase metade dessas espécies já perdeu 90% ou mais de sua população. Desde 1994, quando o mundo atingiu o pico de capturas pesqueiras, a quantidade de peixes efetivamente pescados só tem diminuído. E as principais vítimas são justamente os mais nobres, como o atum-azul e o bacalhau - no caso do primeiro, a população total da espécie decaiu 92% desde os anos 1950.

O grande problema relacionado à pesca intensiva desses animais é o nicho ecológico que eles ocupam - eles são todos grandes predadores de crescimento lento, o que aumenta em muito a dificuldade de manter suas populações. Em termos terrestres, comer bacalhau ou atum seria como criar leões para fazer hambúrguer - os bichos teriam de comer carne de vacas, as quais, por sua vez, precisariam de pasto. É um processo extremamente ineficiente.

Anos atrás, o cientista belga Émile Frison lançou o alerta de que a banana-nanica poderia desaparecer do planeta se os parasitas que afetam a fruta, como o fungo sigatoka-negra, não fossem combatidos urgentemente com novas técnicas. A situação, embora exagerada pelo pesquisador, é realmente grave. A banana é basicamente um clone, o que significa baixa variedade genética e maior vulnerabilidade a doenças. Embora outras plantas e animais domésticos não sejam clones, riscos parecidos os aguardam, especialmente porque sua variabilidade genética tem encolhido graças ao domínio de poucas raças e variedades comerciais.

Esse processo pode acabar se revelando um péssimo negócio para o Brasil, afirma Arthur Mariante, líder do projeto de conservação e uso de recursos genéticos animais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "No caso das raças tradicionais de gado trazidas para o Brasil pelos portugueses e espanhóis, vamos perder 500 anos de seleção natural e adaptação às condições do nosso território", declarou Mariante ao G1.

Explica-se: embora os colonizadores não praticassem o melhoramento intensivo de raças, bichos como bovinos, ovinos e suínos, entre outros, assumiram características específicas para sobreviver nos ambientes das várias regiões do Brasil. Além de serem rústicas - capazes de ganhar peso mesmo com alimentação não-reforçada e de resistir melhor a doenças -, as raças tradicionais também podem ser muito produtivas, diz o pesquisador da Embrapa.

Nicho de mercado
"A vaca curraleira [raça típica do Nordeste], por exemplo, produz um bezerro por ano, e isso durante décadas, enquanto raças européias ou os zebus precisam alternar", conta Mariante. "O caracu [bovino tradicional de São Paulo] muitas vezes bate outras raças em competições de ganho de peso."

"Essas raças certamente conseguiram achar um nicho ecológico aqui no Brasil. O que a gente precisa fazer agora é achar um nicho de mercado para elas", diz o pesquisador. Os produtores do Nordeste, por exemplo, costumam afirmar que poucas carnes se comparam, em sabor e maciez, à do gado curraleiro. O Brasil, embora seja um grande exportador de carne bovina, ainda fica atrás em termos de carne de alta qualidade, nicho que poderia ser suprido pelo curraleiro.

Outra possível saída para as raças tradicionais de suínos do Brasil, muito usadas no passado para a produção de banha, seria direcioná-los para a fabricação de presuntos finos, como os feitos hoje na Espanha e em Portugal. "Os consumidores europeus estão cada vez mais preocupados com o bem-estar animal, dando valor às carnes produzidas com os animais soltos. Os nossos suínos agüentam muito bem esse tipo de criação, enquanto as raças estrangeiras não. É um caminho interessante para valorizar essas raças", diz Mariante.

Mandioca a perigo
Não há sinais de que a mandioca, um dos alimentos mais populares do Brasil, vá sumir das mesas. No entanto, levantamentos feitos pelo biólogo Nagib Nassar, da Universidade de Brasília (UnB), mostram que recursos genéticos importantes para a planta estão sendo perdidos.

Nassar estuda os centros de diversidade dos parentes selvagens da mandioca, localizados no cerrado do Centro-Oeste brasileiro. Ele visita a região desde os anos 1970 e diz que pelo menos três espécies podem ter se extinguido. A perda é importante porque as formas selvagens da planta são mais rústicas e possuem teor mais alto de proteínas, vantagens que poderiam ser trazidas para a mandioca doméstica por meio de cruzamentos ou engenharia genética.

Em maior ou menor grau, o problema acontece com os parentes selvagens de boa parte das plantas utilizadas comercialmente, como o milho e o trigo.

(Fonte: Reinaldo José Lopes / G1)

POLUIÇÃO MARINHA: O colapso dos oceanos

Recentemente a imprensa noticiou que, conforme artigo publicado na conceituada revista "Science", pesquisadores concluíram que 40% dos oceanos estão deteriorados e quase já não há locais onde não exista poluição marinha. Tal revelação confirma o que se suspeitava: o ser humano está destruindo tanto a parte terrestre quanto a área marinha, ou seja, em poucas décadas não sobrarão locais em condições de sobrevivência.
A poluição marinha é muito preocupante, pois além de colocar em perigo milhares de espécies, muitas ainda desconhecidas da ciência, prejudica diretamente o ser humano, em vista de sua dependência milenar dos recursos marinhos. Sem os produtos dos ecossistemas marinhos perdemos uma de nossas maiores, se não a maior, fonte de alimentos. Como se sabe, os oceanos cobrem 71% da superfície da Terra, e desde tempos imemoriais o ser humano os vem explorando. Inúmeras civilizações sobreviveram e prosperaram à beira do mar, explorando as suas riquezas. Hoje em dia bilhões de pessoas vivem em áreas costeiras distribuídas em cidades e vilarejos, sobrevivendo quase que unicamente da pesca e/ou turismo relacionado aos atributos marinhos.

Entretanto, a explosão demográfica humana vem ocupando quase todas as regiões do mundo, liberando em suas atividades o derramamento de substâncias tóxicas no meio ambiente, poluindo principalmente os recursos hídricos mundiais. Os dejetos humanos, incluindo nestes os produtos químicos industriais, vêm afetando os oceanos, os lagos e os rios de todo o mundo.

Ante essas graves constatações científicas, urge conscientizar-se do problema para que sejam tomadas medidas e atitudes concretas a respeito, visando proteção, conservação e exploração consciente deste ecossistema, sob pena de sucumbirmos juntamente com os nossos oceanos.

Enviado por João Antonio Garcia (Fonte: Tribuna Catarinense - Balneário Camboriú,SC)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

CARBONO: Acúmulo de gases do efeito estufa ocorre cada vez mais rápido

Os principais gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), se acumularam mais rápido no mundo nos últimos anos, apesar dos esforços para controlá-los, segundo estimativas preliminares para 2007 de uma agência do governo norte-americano.

A concentração mundial de CO2 na atmosfera aumentou 0,6% ou 19 bilhões de toneladas em relação a 2006, informou o Laboratório de Pesquisas da Terra da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).

Em outras palavras, o aumento de CO2 foi de 2,4 unidades por milhão (ppm) ou de 2,4 miligramas por litro de ar em 2007, indicou a NOAA.

Desde 2000, o aumento anual de CO2 de dois ppm/ano ou mais é comum, contra 1,5 ppm/ano nos anos 80 e menos de um ppm/ano na década de 60, ressaltou a agência federal norte-americana.

A concentração mundial de CO2 está situada atualmente em cerca de 385 ppm. Na era pré-industrial, o nível situava-se em torno de 280 ppm, e isto se manteve até 1850.

A combustão do carvão, do petróleo e do gás natural é a principal fonte de emissões de CO2.

Os oceanos, a vegetação e os solos absorvem aproximadamente a metade da totalidade do CO2 emitido e os 50% restantes ficam na atmosfera durante séculos ou mais, lembrou a NOAA em um comunicado divulgado em seu site na internet.

Além do CO2, de longe o gás que mais contribui para o aquecimento do planeta, o metano, outro gás causador do efeito estufa, registrou um aumento de 27 milhões de toneladas no ano passado, após uma década de estagnação, indicou a NOAA.

O metano é 25 vezes mais potente como gás do efeito estufa que o CO2, mas há muito menos na atmosfera, o que faz com que seu impacto global sobre o aquecimento do planeta seja quase duas vezes menor que o do CO2.

Fonte: JB Online

quinta-feira, 24 de abril de 2008

ENERGIA: Uso da radiação terahertz fica mais próxima com metamaterial sintonizável

Para gerar imagens médicas do corpo humano, os pacientes hoje podem ser submetidos a diversas técnicas, entre as quais a incidência de raios-X ou de fortes campos magnéticos.
Imagine, porém, gerar uma imagem a partir de uma radiação naturalmente emitida pelo corpo humano. É justamente isso que acontecerá quando os cientistas tiverem um controle total sobre a radiação terahertz.

Radiação terahertz
No espectro eletromagnético, a radiação terahertz localiza-se entre as microondas e a radiação infravermelha, nas frequências entre 300 bilhões até 3 trilhões de ciclos por segundo.

Tanto células vivas quanto compostos químicos inertes emitem "assinaturas" características na faixa dos terahertz, mas detectar e medir essas emissões tem sido um grande desafio, porque elas são muito fracas e rapidamente absorvidas pela atmosfera.

Sintonizando em terahertz
Agora, um grupo de cientistas de três universidades norte-americanas conseguiu fabricar um metamaterial - um material sintético, composto de vários outros - que pode ser ajustado para capturar uma larga faixa de freqüências na região dos terahertz.

Ao invés de ter que fabricar uma "antena" para cada faixa específica, como acontecia até agora, os cientistas agora podem varrer uma faixa ampla de freqüências, detectando a assinatura de vários compostos químicos.

É mais ou menos como se, até agora, os cientistas tivessem que construir um rádio para cada "estação" na freqüência terahertz e agora eles tivessem inventado o dial, permitindo que um mesmo rádio capture inúmeras "estações".

Metamaterial híbrido
A flexibilidade do novo metamaterial foi possível com a incorporação de materiais semicondutores em regiões críticas de minúsculos ressonadores - micro-anéis metálicos que interagem com a luz e alteram a forma como o metamaterial responde à radiação, tirando-o de seu ponto fixo de atuação no espectro eletromagnético.

A utilização de materiais semicondutores também é uma novidade, já que os metamateriais vinham sendo construídos unicamente com metais. O novo metamaterial híbrido mostrou um desempenho superior em relação aos seus antecessores.

Além do imageamento médico, cientistas do mundo todo estão pesquisando formas de utilizar a radiação terahertz em aplicações como transmissão de dados em altíssima velocidade, comunicações seguras, moduladores, lentes e detectores dos mais diversos tipos.
Fonte: Inovação Tecnológica

quarta-feira, 23 de abril de 2008

ECOLOGIA: Mario Christian Meyer, um “Gigante da Ecologia”

Esteve recentemente em visita ao Brasil o professor doutor Mario Christian Meyer (na foto), que veio de Paris para receber, em Blumenau (SC), no final do mês passado, o Prêmio Gigantes da Ecologia - Edição 2008.

Meyer é fundador e presidente do PISAD Europe (Programa Internacional de Salvaguarda da Amazônia, Mata Atlântica e Ameríndios para o Desenvolvimento Sustentável) em Paris - França, em parceria institucional e financeira com a Unesco - Programa 00 BRA 603: Amerindian Communication and Sustainable Economic Development Programme for a Culture of Peace in Brazilian Amazonia.

É professor convidado junto à Universités de Paris – Sorbonne e, nos últimos 15 anos, como um perito em cooperação científica e tecnológica em biotecnologia, etno-farmacologia e em ciências ambientais, ele vem se dedicando a estudos de salvaguarda das diversidades biológicas e culturais da Amazônia, propondo formas inéditas de desenvolvimento sustentável.

Seu projeto tem por base a utilização de uma técnica desenvolvida com o Instituto Nacional Politécnico de Loraine (França), através da qual as populações nativas possam extrair das plantas os princípios ativos, em forma de extratos vegetais semi-purificados, para a fabricação de bioprodutos de alto valor agregado, de maneira eficaz e sem agredir a natureza.

“A implantação desse projeto preservará a cultura ancestral dos índios, fundamental para o progresso científico ocidental, no que se refere ao conhecimento das diversas etnias sobre as plantas da floresta”, disse a AmbienteBrasil Eliana Spengler, coordenadora da Comissão de Homenageados do "Gigantes da Ecologia 2008"

“Além disso, o projeto tornará possível aumentar a renda das comunidades locais, como forma de diminuir os riscos de biopirataria, à qual estão cada vez mais expostas as comunidades indígenas”, completa.

Eliana debruçou-se sobre o trabalho do doutor Meyer coletando subsídios para elaborar um artigo enfocando sua “fantástica história”. O trabalho - Um Gigante na Floresta -, integra o livro que leva o título da premiação e que faz parte de um projeto educacional em Santa Catarina.

Recepcionando-o agora, ela fez com o Prof. Dr. Mario Christian Meyer a seguinte entrevista, que AmbienteBrasil publica com exclusividade.

Eliana Spengler - O senhor veio ao Brasil como o grande homenageado do Gigantes 2008, por seu trabalho de salvaguarda da Amazônia, Mata Atlântica e Ameríndios para o Desenvolvimento Sustentável. Do que se trata o seu trabalho?

Meyer - Sim, o conhecimento ancestral que os índios têm da biodiversidade, há séculos, serve de base para o desenvolvimento de pesquisas relativas aos princípios ativos de novos remédios. Assim, essa transferência de biotecnologia constitui uma forma pragmática de conservar o conhecimento empírico adquirido, por ensaio e erro, durante milênios, não só sobre as plantas medicinais, mas também sobre a mitologia indígena que registra esses saberes perpetuados pelos seus ritos iniciáticos.

Caso esses conhecimentos tradicionais não forem associados ao conhecimento tecnológico atual que lhes assegure a presença no mundo moderno, eles desaparecerão do processo evolutivo do homem e só permanecerão em museus arqueológicos de etnografia. Com seu desaparecimento, a ciência moderna seria amputada de uma forma original de know how, pois deixará de descobrir novas moléculas indispensáveis para a saúde do homem, como foram os curares, a pilocarpina, a emetina, o captopril e as batracotoxinas, aportadas pelo índio à medicina de hoje.

Esse conhecimento da natureza também é fundamental para a saúde do meio ambiente, pois pode impedir o desmatamento da floresta através da valorização da "árvore de pé" citada acima. Também perderemos conhecimentos preciosos para o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos e atlânticos e sua contribuição para o equilíbrio bioclimático do planeta. Concluindo, o desaparecimento desses saberes milenares seria um crime histórico.

Eliana - Há quanto tempo o senhor iniciou essa pesquisa no coração da Floresta Amazônica, em parceria com a UNESCO?

Meyer - O meu primeiro trabalho na Amazônia começou em 1983, quando a UNESCO convidou-me, enquanto especialista em Neuropsiquiatria do Desenvolvimento, a desenvolver uma pesquisa sobre Abordagem Neuro-psicomotora do Acesso ao Mundo do Signo/símbolo Escrito (base para a alfabetização das populações 'desfavorecidas'), que constituiu a base psico-cultural do trabalho atual.

Devido ao impacto desse estudo, ele foi transformado num livro publicado pela própria UNESCO, "Apprentissage de la langue maternelle écrite", com um Prefácio do célebre Collège de France. O estudo das diferentes formas de expressão escrita dessas populações originais levou-me a analisar os princípios ativos das plantas utilizadas nas pinturas corporais e iniciou-me no mundo das plantas medicinais.

Quase 15 anos mais tarde, recebi uma proposta da UNESCO para realizar um "Inventário dos Saberes Milenares dos Índios (conhecimento tradicional) sobre a valorização da biodiversidade da Amazônia e da Mata Atlântica", com o objetivo de desenvolver um modelo pragmático de desenvolvimento sustentável, que se transformou num relatório oficial junto à UNESCO, 2000-2003: Programa 00 BRA 603: Amerindian Communication and Sustainable Economic Development Programme for a Culture of Peace in Brazilian Amazônia.

Assim, utilizando como base a Neuropsiquiatria do Desenvolvimento para revitalizar os conhecimentos ancestrais, passamos à área das Ciências da Vida, como a biotecnologia verde, para explorar equitativamente os recursos naturais da Floresta, assegurando assim o futuro dos povos nativos no seu meio ambiente natural e desenvolvendo a economia regional.

Eliana - Qual o sentimento de um cientista que trabalha com os melhores centros de Pesquisa e Desenvolvimento Científico do mundo, ao pisar na mata virgem e conviver com as populações indígenas que vivem totalmente isoladas da civilização?

Meyer - Ali, no coração da Floresta, sentimos a emoção descrita por Einstein como a mais profunda – a emoção mística. É o que sentimos, por exemplo, quando um Pajé explica que os "espíritos da Floresta" lhe deixam saber qual parte da planta e qual o melhor momento de coletá-la, a fim de curar uma determinada doença: "deus está em cada planta, atrás de cada espécie viva", dizem eles.

O primeiro contato com a exuberância da mata virgem e com sua população indígena provoca, assim, um sentimento quase que iniciático – a descoberta de um mundo onde o Homem e a Natureza convivem em perfeito equilíbrio, numa espécie de harmonia consangüínea entre os seres vivos. Para o índio, existem verdadeiros elos de consangüinidade entre os diferentes seres da floresta – as árvores e os animais são como primos, pertencentes à mesma família. Daí o respeito inerente pela natureza em todos os seus componentes. Sua mitologia preserva a vida da floresta.

Eliana - Em suas missões na Amazônia, o senhor deve ter presenciado também um grande rastro de destruição causado pela ação do homem. Na Amazônia, quais são hoje as ações mais perniciosas e que danos causam para o ecossistema?

Meyer - A ação ilegal de certos madeireiros tem sido historicamente devastadora, assim como as ocupações desordenadas por posseiros e grileiros, que derrubam a floresta e provocam imensas queimadas. Muitas vezes esses posseiros são assentados pelo próprio governo e não conseguem sobreviver nesse ambiente hostil tornando-se, inconscientemente, agentes de destruição da rica biodiversidade da região. Por outro lado, até as monoculturas extensivas, características do sul do Brasil, também estão ameaçando hoje o sul da Amazônia.

Além disso, o garimpo do ouro utilizando mercúrio para amalgamar as palhetas de ouro provoca uma poluição altamente hostil para o meio ambiente, posto que não é degradável – o mercúrio, substância tóxica nociva ao ser humano e ao meio ambiente, contamina os rios, se fixa nas algas que são ingeridas pelos peixes, que por sua vez são ingeridas pelo homem, fazendo com que toda a cadeia alimentar seja contaminada.

Hoje, conhecemos técnicas que podem solucionar em grande parte esses problemas, mas falta incentivo financeiro para que sejam aplicadas em campo.

Eliana - Em nível mundial, quais as perturbações do meio ambiente que podem ser inter-relacionadas, direta ou indiretamente, com a utilização irresponsável dos recursos naturais?

Meyer - São inúmeras. Entretanto, vamos nos ater àquelas cujos efeitos são palpáveis, como a elevação do nível dos oceanos, a redução das geleiras, as alterações da vegetação e do equilíbrio bioclimático. A Terra, quando agredida, reage colocando em risco a sobrevivência do homem – o efeito estufa que provoca furacões devastadores, a destruição da camada de ozônio, a radiação solar letal, as inundações, os incêndios nas florestas e a poluição fluvial, marítima e do ar.

A Amazônia contribui substancialmente para o equilíbrio dos diferentes ecossistemas do planeta. Por isso, devemos protegê-la antes que seja tarde, irreparável.

Eliana - Qual a importância dos projetos de sustentabilidade desenvolvidos por empresas?

Meyer - O ser humano precisa despertar urgentemente para o fato de que é impensável construir o futuro sem bases sustentáveis. Não podemos continuar exaurindo as riquezas naturais como se elas fossem infinitas, nem gerar degradação ao meio ambiente no exercício de nossas atividades econômicas. As empresas precisam conscientizar-se não só de sua responsabilidade individual com relação ao ecossistema e desenvolver projetos de sustentabilidade para neutralizar os danos causados por sua atividade, mas também da necessidade de investir em tecnologias que permitam preservar o que resta da natureza, valorizando a sua biodiversidade através da fabricação de bioprodutos de alto valor agregado.

Eliana - Em se tratando de ecossistema, todas as ações têm impacto global? Por quê?

Meyer - Certamente. Porque o ecossistema é formado por diversos fatores que atuam simultaneamente. As plantas, os animais, as bactérias, o solo, a água, enfim, todos os elementos se inter-relacionam e dependem intimamente do funcionamento equilibrado dessa cadeia. A alteração de um único elemento costuma causar modificações em todo o sistema, podendo ocorrer a perda do equilíbrio existente.

Eliana - Ainda há tempo para reverter o quadro atual? O que deve ser feito?

Meyer - Certas destruições do nosso meio ambiente já são irreversíveis, como a extinção de muitas espécies; mas ainda podemos escolher o nosso futuro, desenvolvendo projetos pragmáticos que correspondam às reais necessidades do ecossistema, bem como das populações que nele vivem.

Assim, a utilização de biotecnologias de ponta para valorizar a biodiversidade, como propomos no nosso modelo de desenvolvimento sustentável, constitui um exemplo prático aplicável em diferentes regiões do mundo. Devemos continuar a desenvolver modelos deste tipo. Por isso é fundamental que os jovens, futuros gestores do planeta, se dediquem a essas questões com seriedade e comprometimento, para construir um futuro melhor para as gerações vindouras.

AmbienteBrasil

terça-feira, 22 de abril de 2008

DIA MUNDIAL DA TERRA

O Dia da Terra foi criado em 1970, quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. É festejado em 22 de abril e a partir de 1990 outros países passaram a celebrar a data.

Sabe-se que a Terra tem em torno de 4,5 bilhões de anos e existem várias teorias para o “nascimento” do planeta. A Terra é o terceiro planeta do Sistema Solar, tendo a Lua como seu único satélite natural. A Terra tem 510,3 milhões de km2 de área total, sendo que aproximadamente 97% é composto por água (1,59 bilhões de km3). A quantidade de água salgada é 30 vezes a de água doce, e 50% da água doce do planeta está situada no subsolo.

A atmosfera terrestre vai até cerca de 1.000 km de altura, sendo composta basicamente de nitrogênio, oxigênio, argônio e outros gases.

Há 400 milhões de anos a Pangéia reunia todas as terras num único continente. Com o movimento lento das placas tectônicas (blocos em que a crosta terrestre está dividida), 225 milhões de anos atrás a Pangéia partiu-se no sentido leste-oeste, formando a Laurásia ao norte e Godwana ao sul e somente há 60 milhões de anos a Terra assumiu a conformação e posição atual dos continentes.

O relevo da Terra é influenciado pela ação de vários agentes (vulcanismo), abalos sísmicos, ventos, chuvas, marés, ação do homem) que são responsáveis pela sua formação, desgaste e modelagem. O ponto mais alto da Terra é o Everest no Nepal/ China com aproximadamente 8.848 metros acima do nível do mar. A Terra já passou por pelo menos 3 grandes períodos glaciais e outros pequenos.

A reconstituição da vida na Terra foi conseguida através de fósseis, os mais antigos que conhecemos datam de 3,5 bilhões de anos e constituem em diversos tipos de pequenas células, relativamente simples. As primeiras etapas da evolução da vida ocorreram em uma atmosfera anaeróbia (sem oxigênio).

As teorias da origem da vida na Terra, são muitas, mas algumas evidências não podem ser esquecidas. As moléculas primitivas, encontradas na atmosfera, compõe aproximadamente 98% da matéria encontrada nos organismos de hoje. O gás oxigênio só foi formado depois que os organismos fotossintetizantes começaram suas atividades. As moléculas primitivas se agregam para formar moléculas mais complexas.

A evidência disso é que as mitocôndrias celulares possuam DNA próprio. Cada estrutura era capaz de se satisfazer suas necessidades energéticas, utilizando compostos disponíveis. Com este aumento de complexidade, elas adquiriram capacidade de crescer, de se reproduzir e de passar suas características para as gerações subseqüentes.

A população humana atual da Terra é de pouco mais de 6 bilhões de pessoas e a expectativa de vida é em média de 65 anos.

Para mantermos o equlíbrio do planeta é preciso consciência dessa importância, a começar pelas crianças. Não se pode acabar com os recursos naturais, essenciais para a vida humana, pois não haverá como repô-los. O pensamento deve ser global, mas a ação local, como é tratado na Agenda 21.

Dia da Terra, uma questão de atitude

Marina Silva – Ministra do Meio Ambiente do Brasil

Neste ano, o terceiro do milênio no qual depositamos tantas esperanças, comemorar o Dia da Terra exige reflexão e compromisso. O planeta não vive seus melhores dias e nós, a assim chamada "espécie superior", andamos inseguros a respeito de nossa própria capacidade de fazer deste um mundo melhor. O signo é de guerra, unilateralidade na resolução de conflitos, arreganhos do crime organizado, sensação de anomia e de abandono dos valores que costumavam ser nossas balizas, construtores de sentido existencial e códigos para ajudar a decifrar a essência da condição humana. Nesse clima, falar de paz virou coisa séria. Não basta a estética, nem mesmo a ética, ou a inocência, ou o devaneio. É preciso militância. E não só a das ruas, circunstanciais e emotivas. Agora é também questão de escolha racional, com as conseqüências que isso envolve. É preciso que a paz seja uma opção política.

Ainda temos nos olhos as cenas terríveis do Iraque, pessoas sendo despedaçadas pela morte ou mutilação física e psicológica, pela destruição de suas referências. Mas, na contabilidade da guerra, são apenas danos colaterais, assim como o cerceamento da liberdade de imprensa e a perda de bens do patrimônio histórico da humanidade. Mesmo aqui, a salvo deste horror, sentados no sofá diante da TV, somos atingidos pela perda de valores, sentimos que nossa vida também ficou pior. E sabemos que temos que fazer alguma coisa. Não lá no Iraque, aqui, dentro da nossa casa, na nossa vizinhança, na nossa cidade, no nosso país. No Dia da Terra, ou pensamos nisso tudo ou será uma data lamentavelmente vazia. Ela pode ser um símbolo forte do que parece estar-se perdendo: os valores humanos, espirituais e os naturais, entendidos, esses últimos, como aqueles que remetem à ligação essencial de cada um com o habitat planetário, obscurecida pela aparente auto-suficiência da tecnologia e dos "poderes" humanos.

Há certo consenso a respeito da proteção ambiental. Todos são a favor, mas, boa parte, só se for no "meio ambiente" alheio. Quer-se o bem da floresta amazônica, já as obrigações ambientais da empresa... Salvem-se as tartarugas e baleias, já reduzir o próprio lixo...Combata-se a poluição, mas não o uso intensivo do carro particular. As unanimidades em prol da paz, do meio ambiente, do combate à pobreza, às vezes esquecem que é preciso construir na prática a solução para aquilo que incomoda a consciência. E que a construção começa no indivíduo e no que ele está disposto a fazer - ou a deixar de fazer - para a vida melhorar. Esta sim é uma questão de atitude. Continuamos a produzir desastres ambientais e humanos. Eles lembram que ainda estamos na barbárie. A civilização de fato avançada ainda está a caminho e é tarefa para muitas gerações. Agride-se a Terra porque ela é vista apenas como fonte e suporte de bens para o mercado; destroem-se pessoas porque são vistas apenas como consumidoras e contingentes geopolíticos. Não sem razão o petróleo é um personagem tão destacado nas guerras presentes e passadas no Oriente Médio.

Também não sem razão as causas ambientais cada vez mais se confundem com seu espelho social e ético. Hoje procuramos soluções socioambientais, não só ambientais. Falamos em justiça ambiental como parte intrínseca da justiça social. A qualidade de vida é direito humano, assim como a saúde, a educação, a habitação. E acumulam-se evidências de que a atividade econômica não precisa ser predadora. É desejável, viável e factível o caminho do desenvolvimento sustentável. Nada foi e nada será fácil na trajetória dessas idéias, mas elas se impuseram como alternativa e conquistaram adesões - ou, no mínimo, provocaram constrangimentos - em todos os segmentos da sociedade. Mexeram naquele recanto da mente e das emoções no qual está intacta a necessidade de ideais comuns e a crença de que um mundo melhor e sustentável é possível. Nós procriamos e criamos; é inevitável ter amor pelo futuro e compaixão pelo presente. O Dia da Terra exige uma atitude.

Nota do Blog:
  • "Hoje também se comemora o Dia do Descobrimento do Brasil".

AQUECIMENTO GLOBAL: Pista produz eletricidade em danceteria ecológica

Uma boate em que nada se perde, tudo se transforma. Este é o princípio de uma discoteca que abrirá as portas em Roterdam, Holanda, em setembro, e que no último final de semana começou a fazer apresentações em cidades européias para difundir a idéia da pista de dança sustentável. Enquanto os convidados dançam e se divertem, a energia produzida pelo movimento no chão é capturada, transformada e assim se torna capaz de alimentar as luminárias do estabelecimento.

A primeira exibição foi em Paris, no último sábado, durante o Salão do Planeta Sustentável. Centenas de pessoas foram testar o princípio e acompanhar a transformação da energia em eletricidade.

O custo de instalação de uma pista ecologicamente correta como essa é alto: 3,5 mil euros (R$ 9,2 mil) o metro quadrado. Mas o idealizador da engenhoca garante que, a longo prazo, a economia compensa, especialmente sob o ponto-de-vista da consciência ambiental.

"O gasto com energia é um dos mais expressivos em um estabelecimento noturno. Se der para economizar e ainda poupar o meio ambiente, melhor para todo mundo", explica o idealizador do projeto, Daan Roosegaarde.

A pista de dança pode produzir de entre quatro a oito watts por segundo em cada 65cm² de espaço. Para uma discoteca pequena, com 6m² de pista de dança, por exemplo, a produção de energia seria de entre 400 e 700 watts, dependendo, evidentemente, da animação do público.

"A expectativa é de que, para a inauguração da boate, a energia produzida seja capaz de alimentar também a aparelhagem do DJ, além das luminárias. Esperamos que acima de tudo os jovens adquiram mais consciência sobre o quanto eles podem colaborar com a preservação da natureza, mesmo quando pensam estar só se divertindo e fazendo festa", disse o holandês, que conta com o auxílio da Universidade Tecnológica de Delft para desenvolver o projeto, além do apoio de diversas empresas holandesas públicas e privadas.

A reciclagem da energia não é a única iniciativa do clube ¿ que será apropriadamente chamado de Watt − para conscientizar os jovens. Para os toaletes, será utilizado um sistema de renovação da água da chuva, capturada no telhado. Antes, porém, a água ainda faz uma participação na decoração do ambiente, passando por uma parede de cascata. Até mesmo os copos de plástico serão lavados e reutilizados várias vezes durante a noite. Para isso, os freqüentadores do local receberão um suporte de copos ¿ reciclável − para que não os danifiquem durante o uso.

A danceteria terá capacidade para duas mil pessoas e tem inauguração prevista para o dia 4 de setembro. Até lá, os organizadores pretendem difundir a idéia nas principais capitais européias em salões e exposições de meio ambiente. O próximo evento será no dia 30 de abril, durante a "Festa da Rainha", tradicional na Holanda e que normalmente deixa um rastro de sujeira plástica para trás.

Lúcia Jardim/ Direto de Paris
Redação Terra

ENGENHARIA AMBIENTAL: Concreto verde

Resíduos agrícolas podem diminuir o uso de cimento e reduzir a emissão de dióxido de carbono

Pesquisa FAPESP
Corpo de prova de concreto utiliza casca de arroz na forma de sílica
As cinzas do bagaço de cana, da casca de arroz e os resíduos da indústria cerâmica são candidatos para entrar na preparação do concreto e diminuir a presença do cimento na elaboração desse produto. A redução do uso e a conseqüente limitação de sua industrialização são um fator importante para o ambiente porque, além de aproveitar esses materiais que muitas vezes são de difícil descarte e reutilização, contribuem para diminuir a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A indústria cimenteira é responsável por 7% das emissões de CO2 no mundo. Segundo dados utilizados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), para cada tonelada (t) de cimento produzido sobra para a atmosfera 1 t de CO2.

“No Brasil esse dado corresponde a 0,67 t porque parte da matéria-prima usada no país para produção de cimento é obtida com o aproveitamento da escória (argila separada do material ferroso) de alto-for­no das siderúrgicas, e a matriz energética, ou a energia elétrica gasta no processo, é renovável, de hidrelétricas”, explica o professor Romildo Toledo Filho, da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharias (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador da equipe que desenvolveu estudos para a incorporação dos resíduos ao cimento. Em 2007 foram produzidos 44 milhões de t de cimento no Brasil que resultaram em 29,4 milhões de t de CO2. Toledo calcula que com a incorporação dos resíduos será possível reduzir a emissão brasileira em quase 6 milhões de t ao substituir 20% da produção de cimento.

“No Brasil esse dado corresponde a 0,67 t porque parte da matéria-prima usada no país para produção de cimento é obtida com o aproveitamento da escória (argila separada do material ferroso) de alto-for­no das siderúrgicas, e a matriz energética, ou a energia elétrica gasta no processo, é renovável, de hidrelétricas”, explica o professor Romildo Toledo Filho, da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharias (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador da equipe que desenvolveu estudos para a incorporação dos resíduos ao cimento. Em 2007 foram produzidos 44 milhões de t de cimento no Brasil que resultaram em 29,4 milhões de t de CO2. Toledo calcula que com a incorporação dos resíduos será possível reduzir a emissão brasileira em quase 6 milhões de t ao substituir 20% da produção de cimento.

A indústria brasileira de cerâmica produz cerca de 5 a 6 milhões de t de resíduos na produção de telhas, tijolos e pisos. Esse material, depois de calcinado e moído, pode substituir até 20% do total de cimento. Um estudo específico sobre o aproveitamento dos resíduos dessa índústria foi realizado pelo grupo da Coppe e apresentado na edição de setembro de 2007 da revista científica Cement and Concrete Re­search. Outro produto não aproveitável que se apresenta como alternativa, mas atinge um índice menor de substituição do cimento, de 5% a 10%, são as cinzas resultantes do lodo sanitário queimado obtidas das estações de tratamento de lixo sólido urbano.

O concreto de desenvolvimento sustentável é fruto das preocupações mostradas tanto no IPCC como nos mecanismos de desenvolvimento limpo apresentados no Protocolo de Kyoto e aparece num momento em que cresce o consumo de cimento no mundo, principalmente na China, que utiliza 43% do cimento mundial. “Cálculos de pesquisadores da área, baseados no crescimento dos grandes países emergentes, indicam que, se o consumo de cimento é de 2,5 bilhões de t por ano, ele saltará para 6,5 bilhões de t em 50 anos, porque é, e continuará sendo, o material mais usado do mundo em infra-estrutura”, diz Toledo.

Elemento ligante - O principal problema da indústria cimenteira é a liberação de CO2 durante a queima do carbonato de cálcio (CaCO3) para trans­formá-lo em óxido de cálcio, que representa 65% da composição do cimento. Também entram como ingredientes óxido de ferro, alumínio e gesso. O cimento funciona como elemento ligante entre os componentes do concreto, como água, areia e brita.

A incorporação dos resíduos ainda não tem perspectivas de ser absorvida pela indústria cimenteira. “Nosso trabalho é acadêmico e está buscando soluções. Cabe à indústria implementar es­­sas soluções.” A Região Sudeste é o mai­or centro consumidor de cimento e também o maior produtor de resíduos. “Nesse momento estamos realizando um estudo para identificar as áreas produtoras de cinza de bagaço e casca de arroz, da indústria de cerâmica e onde estão localizadas as cimenteiras. Ao final teremos um mapa que poderá facilitar a parte logística de aproveitamento de resíduos.

A importância dos estudos realizados na Coppe pode ser medida por uma notícia divulgada recentemente no jornal francês Le Monde (13 de março). Várias cimenteiras do mundo estão desenvolvendo soluções para diminuir a produção de cimento e a conseqüente liberação de CO2 na atmosfera. O grupo francês Lafarge, que produziu 135 milhões de t de cimento em 2007, já conseguiu diminuir em 16% as emissões de dióxido de carbono de um total de 20% previsto entre 1990 e 2010. Além de fábricas ultramodernas e de melhor desempenho, inclusive na China, a Lafarge, como outras cimenteiras, está diminuindo o uso de combustíveis fósseis para aquecer os enormes fornos onde o cimento é produzido. Para isso, as indústrias utilizam óleos usados variados, solventes, pneus, plásticos, casca de noz de palmeiras da Malásia e casca de arroz das Filipinas, na Ásia, casca de café de Uganda, na África, além de farinha animal.

A empresa francesa também introduziu na fabricação do cimento, na substituição de parte do carbonato de cálcio, as cinzas das centrais termelétricas e as escórias provenientes de usinas siderúrgicas.

Marcos de Oliveira

OS DIREITOS DA NATUREZA

A NATUREZA NÃO É MUDA

Por Eduardo Galeano

O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, os pólos derretem, o ar se faz irrespirável e a água imbebível, as flores e a comida se plastificam, o céu e a terra ficam loucos de pedra.

E enquanto tudo isso acontece, um país latino-americano, o Equador, está discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição se abre a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a nos dizer, e já é hora que nós, seus filhos, deixemos de fazer de conta que somos surdos. E talvez até Deus escute o chamado que vem desse país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento – que esqueceu de incluir – nas instrução que nos mandou lá do monte Sinais: “amarás a natureza, da qual fazer parte”.

Um objeto que quer ser sujeito

Durante milhares de anos, quase todo mundo teve o direito de não ter direitos. Na verdade dos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se reconhece, agora, o direito de tê-los; e isso é bastante mais que um gesto de caridade dos amos do mundo para consolo de seus servos.

E a natureza? De certa forma, poderíamos dizer que os direitos humanos incluem a natureza, porque ela não é um cartão postal para ser visto pelo lado de fora; mas bem sabe a natureza que até as melhores leis humanas a tratam como objeto de propriedade, e nunca como sujeito de direito. Reduzida a mera fonte de recursos naturais e de bons negócios, ela pode ser legalmente ferida de morte, e até exterminada, sem que se ouçam suas queixas e sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade de seus criminosos. No máximo, na melhor das hipóteses, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou menos simbólica, e isso sempre depois que o dano tiver sido feito, mas as leis não evitem nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Essa história de que a natureza tenha seus direitos... Uma loucura. Como se a natureza fosse uma pessoa! Em compensação, parece ser a coisa mais normal que as grandes empresas dos Estados Unidos desfrutem seus direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos, modelo de justiça universal, estendeu os direitos humanos às corporações privadas. A lei reconheceu nelas os mesmos direitos das pessoas à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as empresas respirassem. Passaram-se mais de 120 anos, e isso continua valendo. Não chama a atenção de ninguém.

Gritos e sussurros

Não tem nada de estranho, de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da natureza à nova Constituição do Equador.

Esse país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar só um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira Texaco vomitou impunemente 18 milhões de galões de veneno sobre terras, rios e pessoas. Uma vez cumprida essa obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a empresa nascida no Texas celebrou matrimônio com a Standard Oil. Naquela época, a Standard Oil de Rockefeller já tinha passado a se chamar Chevron e era dirigida por Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca, enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e por outras empresas não são a única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que tentam levar adiante. Além do mais, e não é de menos, a reivindicação da natureza forma parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda a América. Propõe-se que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar os ciclos vitais naturais, e não por acaso a Assembléia Constituinte começou por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do sumak kausai. Isso significa, em idioma quéchua, vida harmoniosa: harmonia entre nós e harmonia com a natureza, que nos engendra, nos alimenta e nos abriga, e que tem vida própria, valores próprios, muito além de nós.

Essas tradições continuam milagrosamente vivas, apesar da pesada herança do racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a memória. E não são apenas o patrimônio de sua numerosa população indígena, que soube perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem ao país inteiro, ao mundo inteiro, essas vozes do passado que nos ajudam a adivinhar outro futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com sentenças de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e as pessoas, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois, em nome da civilização. Em toda a América, e no mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divórcio obrigatório.

(enviado por Toninho Pereira)

Nota do Blog:
  • Fico na torcida para que o texto não vire letra morta. Pois aqui temos um capítulo inteiro em nossa Carta Magna, o VI - Do Meio Ambiente, Artigo 225, dedicado ao repeito às relações homem-natureza. No entanto, graças ao ímpeto de um suposto e permanente crescimento econômico, presenciamos todos os dias ataques inomináveis à natureza e, em consequência, ao homem, a nós brasileiros. Mas repito: a iniciativa conta com minha torcida...Que ali seja diferente...Que ali a natureza e os cidadãos equatorianos triunfem!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CIÊNCIA: Cientistas encontram árvore mais antiga do mundo na Suécia

Pinheiro ( que não é o da foto acima, pois não foi publicada) foi encontrado em Dalarna e calcula-se que tenha 9500 anos de idade

COPENHAGUE - Cientistas da Universidade de Umeå encontraram na província de Dalarna, no noroeste da Suécia, uma conífera de 9.550 anos, a árvore viva mais antiga registrada até o momento no mundo.

Se trata de um pinheiro da Noruega (Picea abis), uma conífera que se encontra por toda Europa, usada como pinheiro de natal nos países nórdicos, muito apreciada em jardinagem e do tipo que se empregou para fabricar os violinos Stradivarius.

Abaixo da copa de um pinheiro de uns quatro metros de altura no parque nacional de Fulufjället, em Dalarna, se acharam restos de seu sistema de raízes na camada superior de terra pertencentes a quatro gerações distintas, com idade de 375, 5660, 9000 e 9500 anos, disse Leif Kullman, professor de geografia natural da Universidade de Umeå (Suécia) e diretor da pesquisa.
A idade dos restos foi determinada através do método do Carbono 14 em um laboratório de Miami, Estados Unidos.

Na América do Norte se tinham encontrado explares de pinheiros de 4000 e 5000 anos.

A longevidade dessa árvore se explica por sua capacidade de clonar-se a si mesma, de modo que das reservas da raiz nascem novos talos e tronco, e para adaptar-se às mudanças climáticas, evoluindo de árvore a arbusto engolido por si mesmo.

Em toda a cadeia montanhosa sueca, que se extende desde a Lapônia, ao norte, até Dalarna, ao sul, fazendo fronteira com o Noruega, os investigadores suecos encontraram um conjunto de pinheiros com mais de oito mil anos de idade.

Kullman cree que esses achados põem em questão a teoria de que o pinheiro era uma espécie tardia chegada à Suécia, quando na realidade foi uma das primeiras plantas a assentarem-se ali.

"Minhas investigações apontam a que o pinheiro passou a era glacial a oeste e sudoeste da Noruega, onde o clima não era tão frio, para logo extender suas sementes rapidamente ao norte e pela costa, e daí para as montanhas suecas", ressaltou.

A capacidade de adaptação desta espécie permite utilizá-la para obter pistas sobre os efeitos da mudança climática na atualidade.

O aumento das temperaturas em um grau no verão nesta zona no último século tem feito que os pinheiros mudem de forma e aumentem a altura, segundo Kullman.

A pesquisa faz parte de um estúdio sobre as povoações de árvores na Escandinávia durante a era do degelo, realizado em colaboração com as autoridades provinciais de Jämtland e Dalarna.


Fonte: Agência EFE

A DOR VERDE: Seqüestrador de Betancourt diz sentir 'remorso' em carta a Sarkozy

Um dos seqüestradores de Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), enviou uma carta ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, em que expressa "remorso" por ter participado da operação de captura, há mais de seis anos, da ex-senadora franco-colombiana.

Nolberto Uni Vega, um dos seqüestradores de Betancourt, está preso em Combita, no norte da Colômbia. Ele deixou as Farc em 2003 e cumpre pena de 34 anos de prisão.

Na terça-feira, Vega conversou com jornalistas no presídio e anunciou ter escrito uma carta ao presidente Sarkozy.

Um dos jornalistas recebeu a carta, com a missão de levá-la para a mãe de Betancourt, Yolanda Pulecio, que deve entregá-la ao presidente francês.

Até o momento, o secretariado do Palácio do Eliseu, sede da presidência, e a célula diplomática do governo responsável pelo dossiê Betancourt disseram à BBC Brasil "não ter nenhum conhecimento sobre a existência dessa carta".

Provavelmente, pelo curto período de tempo, o documento ainda não teria chegado à França.

"Admiração"
"Tenho muita admiração por Ingrid Betancourt", disse Vega aos jornalistas. "Sua família, seus filhos, seu marido, muitas pessoas estão sofrendo."

O ex-guerrilheiro declarou que o seqüestro de Betancourt não foi planejado pelo alto comando das Farc. Segundo Vega, a ex-candidata à presidência da Colômbia foi parada, no dia 23 de fevereiro de 2002, em uma barreira em uma estrada do país.

"Tínhamos ordem de parar qualquer personalidade política com projeção nacional", afirmou Vega.

De acordo com o seqüestrador, Ingrid Betancourt, que estava em campanha para as eleições presidenciais, teria pensado inicialmente que se tratava de uma barreira do Exército colombiano na estrada.

Medo
Ingrid Betancourt teria ficado com medo ao constatar que os homens vestidos com uniformes eram, na realidade, guerrilheiros das Farc.

"Seu rosto mudou de cor", disse Vega, que contou ter passado um dia na companhia de Betancourt antes que ela ficasse sob a guarda de outros guerrilheiros.

A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, se recusou a comentar o "remorso" expressado pelo seqüestrador.

No início de abril, a França enviou uma missão humanitária à Colômbia para tentar entrar em contato com Ingrid Betancourt, que estaria com problemas de saúde.

Mas as Farc se recusaram a permitir o encontro e, após vários dias de espera em Bogotá, o avião retornou à França.

Daniela Fernandes, de Paris para a BBC Brasil

quinta-feira, 17 de abril de 2008

SAÚDE: Falta de magnésio acelera o envelhecimento celular

Agência FAPESP – Um novo estudo aponta que a falta de magnésio acelera o envelhecimento das células. Segundo a pesquisa, feita nos Estados Unidos, a deficiência crônica do mineral pode promover ou acelerar doenças relacionadas à idade.

Magnésio é fundamental para uma série de processo biológicos, sejam metabólicos, regulatórios ou estruturais. Sua presença é necessária para que muitas enzimas funcionem corretamente.

Trata-se de um micronutriente obtido essencialmente da ingestão de vegetais de folhas verdes e de grãos integrais.

Apesar disso, como destaca o estudo, que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), mais da metade da população norte-americana tem falta do mineral, devido principalmente à alimentação não saudável.

“A dieta típica dos Estados Unidos se desviou das fontes naturais para opções mais refinadas e freqüentemente pobres em nutrientes, fazendo com que a carência de magnésio se tornasse comum”, destacaram os autores. O cenário resulta no aumento no risco de diversas doenças ligadas à idade, como pressão alta, problemas cardiovasculares, diabetes e osteosporose.

Para entender melhor como a deficiência de magnésio contribui para essas doenças, David Killilea e Bruce Ames, do Departamento de Biologia Molecular e Celular da Universidade da Califórnia em Berkeley, analisaram os efeitos de longo prazo da deficiência moderada do mineral em fibroblastos, células que fornecem a base estrutural para muitos tecidos no corpo humano.

Embora as células tenham sobrevivido e se dividido normalmente em condições com carência de magnésio, elas envelheceram mais rapidamente do que as células que cresceram em concentrações normais do nutriente.

Os autores relacionaram a senescência prematura das células em parte ao encurtamento dos telômeros, seqüências de DNA que protegem as extremidades dos cromossomos e cujo mau funcionamento tem importante papel tanto no envelhecimento como no desenvolvimento de cânceres.

O artigo Magnesium deficiency accelerates cellular senescence in cultured human fibroblasts, de David Killilea and Bruce Ames, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em http://www.pnas.org/.

MEDIDA CURATIVA: Funasa anuncia megaoperação na Amazônia, em parceria com Forças Armadas

O presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Danilo Forte, detalha, nesta quinta-feira (17/4), a megaoperação que começou, esta semana, na região do Vale do Javari, no estado do Amazonas. A ação conta com o apoio logístico das Forças Armadas. A Marinha, por exemplo, está na área com o navio-hospital Oswaldo Cruz, que partiu de Manaus no último dia 14, rumo ao Pólo-base de São Luís, a unidade de saúde da Funasa mais próxima das aldeias.

Ao todo, 1,5 mil profissionais de saúde estão envolvidos na megaoperação que vai durar 40 dias. Estão integradas neste trabalho equipes da Funasa, Ministério da Saúde, Fundação Nacional do Índio (Funai), Organização Pan-Americana (Opas), Ministério da Defesa, prefeituras municipais e do estado do Amazonas.

Durante a mobilização, serão aplicadas 15 tipos de vacina, feitos atendimentos básicos de saúde, tais como prevenção de doenças transmissíveis, pesagem, exames pré-natal, pós-parto e cuidados especiais com recém-nascidos, testes para detectar malária, exames laboratoriais para diagnóstico de tuberculose, tratamento odontológico e coleta de sangue para saber se os indígenas estão contaminados com hepatite. Na região do Vale do Javari, que equivale ao estado de Santa Catarina, moram 611 famílias - totalizando 3,7 mil índios - em 50 aldeias.

Fonte: Diário do Pará

DESMATAMENTO: Ibama encontra pontos de desmatamento em reserva ocupada em Roraima

Ibama encontra pontos de desmatamento em reserva ocupada em Roraima

Com a suspensão da operação de retirada dos arrozeiros da terra indígena Raposa/Serra do Sol, no nordeste de Roraima, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a ANA (Agência Nacional de Águas) começaram a fiscalizar os 20 mil hectares ocupados com o plantio de arroz na área e detectou pontos de desmatamento irregular.

Desde a semana passada, funcionários os dois órgãos sobrevoam as fazendas para colher fotos aéreas e comparar com as imagens de satélite que monitoram a área desde a década de 80. O material colhido até agora, segundo Frederico Fonseca, que coordena a ação, aponta para a existência de desmatamento, inclusive em áreas de preservação permanente, nas margens do rio Surumu. A multa, nestes casos, pode chegar a R$ 5.000 por hectare.

"A supressão da vegetação da mata ciliar provoca o assoreamento do rio e prejudica a fauna e a flora da região", disse Fonseca, do Ibama.

Ele afirma que só com o trabalho de campo, que começa na próxima semana, poderá mensurar o tamanho da devastação e a existência de outros crimes ambientais.

Um dos principais cursos d'água da Raposa/Serra do Sol, o rio Surumu é usado pelos rizicultores para irrigar a plantação de arroz, com bombas movidas por motores a diesel.Nas incursões aéreas à terra indígena, os fiscais da ANA investigam indícios de que o rio teria sido desviado para facilitar a irrigação.

Para o presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima, Paulo César Quartiero, a acusação de que os arrozeiros promovem danos ambientais não passa de "discurso político, por meio de uma conspiração para internacionalizar a Amazônia".

Ontem, Quartiero (DEM) foi reconduzido ao cargo de prefeito de Pacaraima, depois de ter o mandato cassado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Roraima, acusado de crime eleitoral.

A posse de Quartiero foi autorizada a tarde pelo TRE, uma vez que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou na segunda-feira o acórdão da decisão que o reconduziu ao cargo.

ANDREZZA TRAJANO; Colaboração para a Agência Folha, em Boa Vista

quarta-feira, 16 de abril de 2008

AGRICULTURA SUSTENTÁVEL: ONU diz que práticas agrícolas precisam mudar

(Acima, imagem de uma roda-d'água em um sítio com cultivo orgânico)

Relatório da Unesco critica plantio de transgênicos na América Latina.

Um relatório encomendado por uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado nesta terça-feira (15) afirma que é preciso mudar as regras e práticas agrícolas atuais para combater a alta do preço dos alimentos.

"Negócios como antigamente não são mais uma opção", diz o relatório. "O aumento do custo de produção dos alimentos pode colocar milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza."

O estudo, publicado pela Unesco em Paris, pede mais ênfase para a proteção de recursos naturais.

O documento defende o uso de técnicas de agricultura mais naturais e ecológicas, inclusive com a redução da distância entre a produção e os consumidores.

Proibição a transgênicos
Para a América Latina e o Caribe, o relatório se centrou no combate à pobreza e na questão dos transgênicos.

O documento afirma que o aumento da produção agrícola na região não gerou redução na pobreza, que ainda afeta 37% dos latino-americanos e caribenhos.

Em vez disso, diz o estudo, "a importação de alimentos criou dependência e trouxe prejuízos à produção local".

Os autores recomendam que os governos proíbam o consumo e o plantio de colheitas transgênicas - como algodão, soja, milho e canola - para evitar a contaminação e preservar a diversidade genética.

"A critério de cada país, o marco regulatório pode incluir a possibilidade de impedir o uso (de transgênicos) nos centros de origem e diversidade genética", diz o documento.

"Em regiões ou países que optem por produzir transgênicos, a regulação deveria se basear no princípio da precaução e no direito dos consumidores de ter uma escolha informada, por exemplo, por meio de etiquetas", acrescenta o relatório.

"As conseqüências das tecnologias emergentes sobre as metas de sustentabilidade ainda são muito debatidas", avaliam os autores.

"A possibilidade de contaminação genética de algumas espécies está demonstrada e deve ser parte indispensável das políticas de biossegurança, que, ao mesmo tempo, devem evitar a contaminação de outros sistemas produtivos livres de transgênicos."

Custos
O texto é resultado de três anos de trabalho conjunto de cientistas e outros especialistas, além de governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O relatório da Unesco conclui que o progresso na agricultura trouxe benefícios muito desiguais, com altos custos sociais e ambientais.

A Unesco cita também a "influência considerável" de grandes corporações transnacionais na América do Norte e na Europa.

O texto diz que é preciso agir para conter a crise, que deve continuar se agravando com o aumento da demanda por alimentos em países como China e Índia e com o uso de milho e soja para produção de combustíveis.

(Fonte: Estadão Online)

terça-feira, 15 de abril de 2008

QUESTÃO RORAIMA - Fronteiras e Terras Indígenas

“Então, quando vierem discutir comigo sobre a questão da Amazônia, por favor, falem com cuidado, porque a Amazônia é da nossa responsabilidade e nós saberemos cuidar dela”
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)

1. Roraima

Roraima foi uma das últimas fronteiras a serem conquistadas pelos nossos irmãos portugueses e para solidificá-las o governo colonial incentivou, a partir da metade do século 18, a criação de fazendas e a criação de gado na região. Inicialmente os colonos fixaram-se às margens do Rio Branco, na área onde atualmente se encontra a capital - Boa Vista. Esta localização permitia, através do transporte fluvial, o intercambio com a Capitania de São José do Rio Negro (estado do Amazonas).

Os moradores de Boa Vista tem como característica um formidável amálgama racial e como conseqüência um caráter multicultural, graças à miscigenação entre indígenas e imigrantes de todo o país. A população do estado está assim dividida: Negros - 4,2%, Indígenas - 8,7 %, Brancos - 24,8% e Mestiços - 61,5% (a grande maioria).

“Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si. Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros”. (Darcy Ribeiro)

Os mais de 30 mil indígenas pertencem a 9 etnias disseminadas por todo o estado. Os Macuxi, Patamona, Taurepang, Wapixana e Ingariko, povos tradicionalmente seminômades, cerca de 21 mil indivíduos, vivem, hoje, na litigiosa área da Terra Indígena Raposa e Serra do Sol (TIRSS) localizada junto à fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana.

2. TI Raposa e Serra do Sol

A partir de 1977, havia o reconhecimento oficial da necessidade de demarcação da reserva sendo criados diversos Grupos de Trabalho pela FUNAI para levantamento da área. O então ministro da Justiça, Nelson Jobim, em 1.988, propôs a demarcação em terras descontínuas, tendo em vista abrigar diferentes comunidades indígenas e sem expulsar os agricultores ali estabelecidos há décadas.

As controvérsias a respeito da demarcação se instalaram desde a década de 70 e graças a laudos falaciosos, corrupção e incompetência da FUNAI, o perímetro da pretendida terra indígena foi gradualmente expandido até as dimensões atuais. A TIRSS foi homologada em terras contínuas através de Decreto pelo presidente Lula em 15/04/2005. Lula não levou em conta nenhum dos trabalhos realizados pelas comissões parlamentares a respeito do assunto.

3. Relatório ‘Lindberg Farias’

“A questão da defesa nacional tem sido negligenciada no debate sobre a situação das reservas indígenas em faixa de fronteira. A Funai não tem condições políticas de avaliar se a criação de uma reserva indígena em determinada zona de fronteira atenta contra os interesses nacionais ou não” (Lindberg Farias)

O Deputado Lindberg Farias, relator da Comissão Externa da Câmara dos Deputados instalada em fevereiro de 2004 para “avaliar a demarcação da terra indígena”, concluiu o relatório sobre o assunto em 31/03/2004. Lindberg propunha que fossem excluídas da área a ser homologada 12 mil hectares de terras produtivas; o município de Uiramutã, e uma faixa de terra de 15 quilômetros ao longo da faixa de fronteira com a Venezuela e Guiana.

4. Leis Internacionais

Diversas legislações de âmbito internacional vêm ampliando, progressivamente, os direitos indígenas e o Brasil, ‘inocentemente’, vem sendo signatário das mesmas. Duas delas, mais atuais, merecem maiores considerações tendo em vista o seu teor.

A ‘Convenção nº 169 da OIT, Sobre Povos Indígenas e Tribais’, produziu um texto controvertido que compromete a soberania nacional, pois submete os Governos às instituições representativas dos povos indígenas. Além disso, permite a esses povos solicitar proteção internacional para garantir sua soberania e transfere-lhes a propriedade das terras que ocupam, das quais tinham apenas usufruto conforme, no Brasil, prevê o Artigo 231 da Constituição Federal.

A ‘Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas’, por sua vez, aprovada na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, reconhece a necessidade da desmilitarização dos territórios indígenas, reconhece o direito à autodeterminação e lhes permite vetar 'as atividades militares' em suas terras.

5. Terras Indígenas em Faixa de Fronteira

O jurista roraimense Montanari Júnior afirma: “Um dos fundamentos propulsores da formação da faixa de fronteira foi a necessidade de garantir a segurança do Estado, porque a faixa de fronteira representa uma primeira linha - reputada mais vulnerável - onde as forçças armadas do Estado se apresentam para reprimir qualquer tentativa de agressão ou invasão, e assim defender seu território e, por conseguinte, a sua soberania.”

Artigo 20, § 2.º da Constituição Federal de 1988:
“A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para a defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.”

6. O Coração da Ilha Guiana

A Reserva desperta atenção da mídia local e internacional, muito menos pela questão indígena, mas sobretudo por estar centrada numa região estratégica. Localizada na Amazônia, no coração da ‘Ilha Guiana’, em plena faixa de fronteira, numa área rica em minerais, inclusive estratégicos, além de ser considerada ideal para a atividade agropecuária e crucial para a economia roraimense.

7. A visão estreita da FUNAI

“Como presidente da Fundação Nacional do Índio, pude conduzir intensos processos de demarcação de terras indígenas. Em um ano, durante o governo Collor de Mello, duplicamos a superfície de terras indígenas no Brasil, que, além de ser de direito, é uma imposição constitucional. Nossa tentativa era, pois, de obedecer à Constituição, que determinava 5 anos como prazo máximo para a demarcação de todas as terras indígenas no Brasil. Dentre tantas demarcações, sobressaía a Terra Indígena Yanomami pela localização geográfica, situada em grande parte em área de fronteira, e sua extensão.”

(Sydney Possuelo - ex-presidente da Funai)

8. Visão estratégica de Patriotas

- General Augusto Heleno Ribeiro Pereira - Comandante militar da Amazônia

“Roraima está acabando, porque o território indígena é maior que o do estado”. Segundo o General Heleno, a política indigenista brasileira “está na contramão da sociedade, conduzida à luz de pessoas e ONG's estrangeiras”. O general criticou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas que garante aos índios a posse e controle autônomo dos territórios por eles ocupados. “Enquanto eu for comandante militar, minha tropa vai entrar onde for necessário. Segundo essa disposição, se um chefe ianomâmi resolver proclamar-se imperador, já que pode escolher o regime político, vamos ter de acatar sua decisão”, ironizou o general. O comandante da Amazônia observou que “Há ONG's picaretas entre as 220 mil que atuam no Brasil.” (O Estado de S. Paulo - 10/04/2008)

- Geraldo Lesbat Cavagnari Filho - Núcleo de Estudos Estratégicos da UNICAMP

“Uma parte expressiva do território do Estado é constituído de reservas indígenas e não há consenso no Governo nem na sociedade sobre esse assunto. É inaceitável que ONGs estrangeiras, portanto que não têm compromisso com os interesses nacionais, estejam por trás dessa discussão em Roraima e, pior ainda, interfiram diretamente. ... Órgãos estatais como o Exército e a Polícia Federal não podem, em hipótese alguma, ter de pedir licença ao cacique para entrar em áreas indígenas, ainda mais neste momento em que há riscos de invasão do território nacional por guerrilheiros ligados a traficantes. ... Em face do problema atual, considero que está na hora de revermos o tamanho das reservas indígenas. Parece-me que os índios gostariam de se aculturar, ou seja, viver como vivem os brancos, e não ficar no estado de indigência como estão hoje. O índio quer os benefícios do mundo moderno. ... O ideal é que as reservas indígenas tenham seu tamanho reduzido. Elas não podem, também, por uma questão estratégica, ser situadas nas chamadas faixas de fronteira. Precisamos manter o controle absoluto sobre as nossas divisas”.

- Alexandre Garcia - Jornalista

“Acontece que essa e outras reservas estão na fronteira do Brasil com Guiana, Venezuela e Colômbia e podem se tornar territórios autônomos, sob a proteção da ONU. Em setembro, o Brasil assinou, nas Nações Unidas, a declaração da ONU sobre direitos dos povos indígenas, ainda não-referendada pelo Senado. A declaração, garantindo direitos justos, dá autonomia que cerceia a presença do próprio Estado em seus territórios. Estando na fronteira, territórios assim podem ser risco à soberania e à integridade territorial. O governo federal já sentiu que não pode chamar o Exército para intervir no conflito.

Os militares consideram que só renunciando ao juramento pétreo de defesa à soberania nacional e à integridade territorial, poderiam intervir no caso. A situação é grave. Cerca de mil resistentes – metade agricultores, metade indígenas – estão preparados com táticas de guerrilha para receber a polícia. Quatro pontes e uma balsa foram interditadas. Pistas de pouso foram bloqueadas com tambores. E a disposição expressa por arrozeiros e seus aliados índios é defender a terra ou morrer. De 1.747 milhão de hectares da reserva, os arrozeiros usam 100 mil, Menos de 6% é o pomo dessa discórdia. O governador de Roraima, ao recorrer ao Supremo, buscou a solução mais sensata: vai permitir que se pare para pensar na gravidade da questão e no interesse nacional em jogo”.

9. Conlusão

As proposições a seguir não visam a, tão-somente, sugerir alterações para as futuras demarcações, mas reavaliar e alterar os limites de reservas já demarcadas.

- Demarcação
É necessário e urgente regulamentar o artigo 231 da Constituição atribuindo a demarcação das terras indígenas ao Congresso Nacional.

- Fronteiras
Qualquer demarcação deve excluir de seus limites uma faixa de 15 a 20 km ao longo da fronteira com outros países.

- Áreas produtivas e habitadas
Deve-se deixar de fora dos limites propostos, povoados e áreas cujo aproveitamento seja importante para a economia e desenvolvimento.

- Presença do Estado
É preciso aumentar a participação do Estado nestes rincões, principalmente com a presença ostensiva das Forças Armadas ocupando, estrategicamente, o espaço Amazônico.

- ONG’s
Há que se ter uma postura mais vigilante em relação às ONGs que atuam na área.

- Recursos
Os recursos ora encaminhados às entidades não-governamentais devem ser destinados às Forças Armadas que terão, então, condições de proporcionar assistências educacionais, médicas e sanitárias às populações indígenas, evitando o desvio de recursos que ora vêm ocorrendo fruto da corrupção.

- Miscigenação
Impedindo a demarcação contínua de grandes reservas estaremos evitando o isolamento dos povos indígenas permitindo sua integração com a sociedade e combatendo o racismo e a segregação que tão veementemente refutamos e, em conseqüência, promovendo esse intercâmbio racial que nos identifica como povo.

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva, professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA).
Enviado a este Blog por http://www.nacaomestica.org

segunda-feira, 14 de abril de 2008

AGRONEGÓCIO X TI RAPOSA TERRA DO SOL

Carta dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol

Nós, comunidades indígenas da Raposa Serra do Sol, diante da determinação do Supremo Tribunal Federal, a pedido do governo do Estado de Roraima, manifestamos:

Há mais de 30 anos, sofremos com um doloroso processo de reconquista das nossas terras, que acreditávamos seria concretizado pelo Estado Brasileiro, em cumprimento à Constituição Federal, aos direitos humanos dos povos indígenas e ao decreto de homologação do presidente da República.

Chega de sofrimento, já esperamos demais! Tivemos calma, muita paciência e confiança nas autoridades, mas agora basta! Independente das autoridades, podemos decidir sobre o nosso futuro e tomar providências, com a união do nosso povo, na desintrusão dos invasores de nossa terra.

Onde estão as autoridades? Os homens da Lei? Pontes foram queimadas, pessoas agredidas, bombas fabricadas aos olhos das autoridades, tratores ‘cortaram’ estradas aos olhos dos canais de televisão, até carro-bomba foi usado contra a polícia e quase nada foi feito até agora.

Muitas vezes fizemos o papel das autoridades pedindo paciência aos nossos irmãos. Nós acreditamos no governo, mas a lentidão das autoridades federais, permitiu que os inimigos dos nossos direitos se manifestassem violentamente e conseguissem inverter a situação, sacrificando nós, povos indígenas.

Não aceitamos que as autoridades tenham esperado três anos e tenham permitido todo o terrorismo dos últimos 11 dias na Raposa Serra do Sol até que o Supremo pudesse mandar suspender a Operação. Repudiamos a atitude do governo estadual que prefere sacas de arroz em detrimento da vida de 18.992 índios.

Os últimos acontecimentos promovidos pelos arrozeiros, impunes diante de tantos crimes, abrem caminho para mais injustiça e descaso. Não toleramos mais enriquecimento a nossas custas, estamos defendendo nossa a terra.

Definitivamente chega! A Luta continua até o último índio!.

Raposa Serra do Sol, 09 de abril de 2008.

Nós comunidades indígenas da TI Raposa Serra do Sol abaixo assinamos:

Região Serras – Maturuca, Camararém, Flexalzinho, Lilás,Pavão, Bananeira, Santa Rita, Bom Futuro, Morro, Maracanã II, Central, Mangueira, Cutia, Angical, Aramu, Warabadá, Mutum, santa Tereza, Sawi, Pedra Branca, Enseada, Barrerinha, Santa Liberdade, são Mateus, Tabatinga, Nova Aliança I, Igarapé do Gal, Triunfo, Willimon, Uiramutã, Monte Muriá I, Lage, Prododo, Urinduk, Cana, Canawapai, Kaxiriman, Pé da serra, Popo, Kumapai, São Franscisco, São Gabriel, Salvador, Sitio São Mateus, Caracanã, Nova Vida, Andorinha, Ximaral, Warapa, Barro, Waronkayen, Monte Siao, Caraparu I, Tamaduá, Waromadá, Manaparu, São Luis, Mudubim, Estevo, Pedra Preta, Ylainã, Maloquinha, Chui, Caju I, Cumaipá, Bananal da Serra, Campo Formoso, Pioho, Lago Verde, Sapan, Ponto Geral, Área Única, Paraná,Pipi,

Região Surumu - Cantagalo, Machado,Maravilha, são Bento, Limão, Pedra do Sol, Barro, Táxi I, Renascer, Maloquinha, Miang, Pedreira, Cumanã, são Miguel Novo Paraíso, Nova Vitória;

Região do Baixo Cotingo – Camará, Escondido, Cararual, São Pedro, Monte Sinai, Pavão, Itacutú, MariMari, Santa Maria, Vizela, Constantino, Kurapá, Gavião, Congesso, Perdiz, Banco, Turual, São Francisco, Copaíba, Repouso, Jawarizinho, Sete Flores, Brilho do Sol, Homologação, Airasol, São Raimundo;

Região da Raposa – Raposa II, Xumina, Tarame, Parnasio, Boas Novas, Coquerinho, Urubu, Nove de Junho, Ikiri Saimoyó, Das Vitórias, Nova Geração, Bismark, Guariba, Tucumuã, Jauari, Novo Paraíso, Embauba,Raural, Prainha, Macuxi, Jacarezinho, rego Fundo, Julia, Teso Vermelho, Uirapuru, Matiri, Japó, Cachoeirinha, Nova Canaã, Sucubeira, santa Cruz, Serra Grande, Jibóia, Macaco, Lameiro, Linha Seca.

Antecedentes:

Na Vila Surumu, uma rua e ideais dividem índios que convivem com arrozeiros

Marco Antônio Soalheiro de Vila Surumu (Roraima).

No portal de entrada da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, separados por uma rua, índios do povo Macuxi se dividem entre o apoio e o repúdio aos produtores de arroz, os chamados arrozeiros. Do lado esquerdo de quem chega, está a Comunidade do Barro, ligada ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) e marcada pela atuação dos padres. Do lado direito, índios aliados aos arrozeiros.

Envolvido na retirada do aparato da base de resistência que fora montada na ponte do Rio Surumu, Valdenir dos Santos, de 46 anos, faz uma pausa e mostra-se satisfeito com a suspensão da Operação Upatakon 3: “Creio que vai ser bom. Onde tem os brancos estamos com eles trabalhando para ganhar o pão de cada dia que sustenta nossos filhos.”

Na Comunidade do Barro, muitos ficaram desapontados com a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu a retirada imediata dos não-índios da área. “Para nós, foi uma surpresa. Contávamos que tudo ia dar certo. O STF, pensando que vai amenizar, piorou ainda mais a situação. Os ministros serão responsáveis pelos atos que acontecerem na Raposa”, reclamou Edinaldo Pereira André, 39 anos, coordenador de um centro cultural na Raposa Serra do Sol.

André conta que tuxauas – caciques – contrários aos arrozeiros são ameaçados de morte. Próximo a ele, Cristóvão Galvão relata o que ocorreria durante a noite na Comunidade do Barro: “Motoqueiros começam a beber, a nos xingar e a soltar foguetes. Queremos a retirada deles para vivermos em paz”. Sem ser perguntada, Irlanda de Lima lembra que a comunidade planta milho, feijão e batata: “Ninguém morre de fome sem arrozeiro aqui.”

O fator religião também está presente. Valdenir do Santos, evangélico, que apóia os arrozeiros, diz que são os padres que semeiam a discórdia entre parte dos índios e os produtores.

André, entretanto, afirma que isso não é verdade: “Somos contra [a permanência dos arrozeiros] porque conhecemos a lei.”

A possibilidade de um confronto entre índios é cogitada pelos dois grupos: “Não negociamos nenhum palmo mais. Os não-índigens êem que se retirar”, afirma André, que é ligado ao CIR e que garante ter o apoio, se necessário, de Xavantes e Cintas-Largas.

O índio Edílson Rodrigues, que apóia os arrozeiros, não se intimida: “Temos balas e bombas preparadas aqui.” O líder dos arrozeiros, Paulo César Quartiero, desconsidera as ameaças: “Isso é bravata.”

A Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança vão iniciar patrulhamento na região.

Quem são os líderes dos arrozeiros?

Segundo Informe do ConselhoIndigenista Missionário - CIMI, em 11.04.2008, os grandes arrozeiros do agronegócio, invasores da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, estão anunciando que buscaram 'apoio' de ex-militares da Venezuela, certamente também envolvidos no golpe de 11 de abril de 2002, para suas 'ações de resistência' contra a Operação Upatakon 3, da Polícia Federal, que visa a retirada dos invasores daquela terra indígena.

Afirmam-se em declarações na mídia como 'representantes maiores do agronegócio, traídos pelo governo Lula'. Afirmam também que estão tendo 'treinamento para a resistência' com esses ex-militares venezuelanos.

Esses 'fazendeiros' não passam de fascistas, golpistas, sequestradores de indígenas e missionários, assassinos de indígenas.

Em 2005, organizaram um grupo de jagunços no mesmo estilo do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) – ativo durante a ditadura militar –, que atacou uma escola católica, dentro da área indígena, da Missão Consolata, em parceria com o Conselho Indígena de Roraima (CIR), de formação técnica para indígenas.

O bando armado e encapuzado espancou alunos e professores, destruiu computadores, destruiu o prédio, pôs fogo em carros, destruiu pontes. Um emissário do governo federal, veio de Brasília para inspecionar o local, e foi impedido de ir na escola, pelo mesmo grupo armado, e tal era a força bélica deles, que os 20 policiais federais que acompanhavam o emissário César Alvarez, não se atreveram a entrar, por falta de segurança.

Eles têm indígenas da Guiana e da Venezuela trabalhando nas suas fazendas, em situação de escravidão e impedidos que cobrar qualquer direito, pois são considerados estrangeiros.

Esses 'fazendeiros' estão aliciando o lumpesinato de Boa Vista, prometendo bom pagamento, para fazer ações violentas no interior e na capital e ganhar as manchetes do Jornal Nacional e dos grandes jornais do centro do país, querem criar uma situação de 'distúrbio social' e ganhar votos para suas ações, para suspensão da operação da PF, que correm no STF.

Paulo Cesar Quartiero, seu maior líder, é um fascista assumido e era ligado e ajudante de Moisés Lipnick, deputado federal por Roraima já morto, que saiu de São Paulo e foi para Roraima, e lá criou a Rádio Equatorial, de extrema-direita.

Moisés Lipnick foi do CCC, Comando de Caça aos Comunistas, e um dos que criou o 'Caso Lubeca', com o Ronaldo Caiado, em 1989, na eleição presidencial.

Ou seja, a turma de fazendeiros- arrozeiros de Roraima são na verdade um núcleo de reorganização da extrema-direita, que se instalou naquele território indigena, distante, na fronteira, usando uma fachada de 'nacionalistas', e muito violentos.
Nota do Blog:
  • É meu entendimento que a comunidade indígena, ao se organizar internamente, poderá promover o desenvolvimento dessa região, respeitando os limites impostos pelo suporte de seus recursos naturais. Mas esse exercício deve ser acompanhado de planejamento compartilhado com o poder público federal, que deverá fornecer, por tempo determinado, a logística e consultoria técnica necessárias para a implementação das ações programadas em comum. Do contrário, os empresários arrozeiros continuarão a fomentar o uso da terra sem o critério da sustentabilidade. Pois a história desse tipo de projeto na Amazônia tem-nos reservado essas experiências negativas para a região ( Miguel Cruz).

sexta-feira, 11 de abril de 2008

CIÊNCIA: Exposição na França mostra os "animais do futuro"

(The Future is Wild Limited/Divulgação. Tortunossauro, ilustrado acima, está entre os "animais do futuro" previstos pela exposição; mostra foi produzida com base em trabalhos científicos)

Uma exposição na França, batizada de Animais do Futuro, tenta mostrar como será a fauna do planeta daqui a milhões de anos, com base em trabalhos científicos e projeções que levam em conta questões como as mudanças climáticas e os movimentos das placas terrestres.

Em uma espécie de safári virtual, os visitantes do parque temático Futuroscope, em Poitiers (centro-oeste da França), têm a chance de conhecer animais como o "baboukari", descendente do macaco uacari de cara vermelha, da Amazônia, que apareceria em 5 milhões de anos com a transformação da floresta tropical em uma savana seca, na projeção virtual dos cientistas.

Sentados em um veículo que os transporta pela exposição, os visitantes utilizam binóculos com câmeras integradas que filmam o cenário observado. Um computador insere os animais virtuais em terceira dimensão às imagens do ambiente observado.

Os visitantes também utilizam braceletes com sensores que permitem interagir com os animais do futuro.

A posição exata de cada visitante é calculada pelo sistema de localização integrada ao veículo, o que permite que cada um tenha seu próprio campo de visão e possa "se comunicar" de forma autônoma com as imagens de animais que aparecem no filme.

Dessa forma, os visitantes podem descobrir as futuras paisagens da Terra e a evolução dos animais em 5 milhões, 100 milhões e até 200 milhões de anos.

Eles percorrem estepes áridas e frias, uma floresta tropical, fundos marinhos e uma espécie de pântano.

Adaptação
O ambiente e os animais representados nessa exposição são fruto de uma teoria desenvolvida por cientistas britânicos a partir da evolução dos movimentos geológicos da Terra, do clima e da capacidade de resistência da fauna, que mudaria para se adaptar ao novo ambiente.

Dessa forma, os macacos uacari, ao darem origem aos "baboukari", desceriam das árvores da Amazônia, que não existiriam mais, para viver no solo. Eles não usariam mais sua cauda para se balançarem entre os galhos e sim para se comunicarem entre eles em meio à alta vegetação.
Um outro animal do futuro, o "tortunossauro", evoluiria a partir da tartaruga gigante. Esse réptil, em 100 milhões de anos, seria o maior animal terrestre, com sete metros de altura. Maior do que um dinossauro, seu peso, de 120 toneladas, seria 40 vezes maior do que o de um elefante. Sem temer nenhum predador, perderia a maior parte de sua carapaça.

Comparação
Em outro espaço da exposição, concebido pela cientista Christiane Denys, professora de zoologia do Museu Francês de História Natural, os animais do futuro são comparados aos de hoje e aos do passado para dar um panorama sobre a evolução das espécies.

A tecnologia da "realidade ampliada", que permite ver os animais da exposição, está sendo utilizada pela primeira vez na área do divertimento.

Ela já é empregada no campo da medicina, para cirurgias, na aeronáutica, na arquitetura e no setor do turismo.

DANIELA FERNANDES
da BBC Brasil, em Paris

quinta-feira, 3 de abril de 2008

ENERGIA: Greenpeace reafirma posição contrária à energia de fonte nuclear

A coordenadora da campanha antinuclear da Organização Não-Governamental (ONG) ambientalista Greenpeace, Beatriz Carvalho, disse que a opção de energia nuclear não tem viabilidade no Brasil. “A gente sempre foi contra e continua sendo contra”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.

Beatriz Carvalho participou das audiências públicas sobre a Usina Nuclear Angra 3, promovidas na última semana no Rio de Janeiro e São Paulo pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela considera que essas audiências são importantes porque representam “o único momento realmente democrático” que o brasileiro tem para discutir se quer ter essa solução energética no país.

Carvalho disse que Angra 3 vai contribuir muito pouco para a matriz energética brasileira, em comparação com o potencial energético do país, a partir de outras fontes renováveis, que seriam “seguras e limpas”. O aumento, em termos de fornecimento de energia, seria de apenas 1% na matriz energética, acrescentou.

Em relatório econômico divulgado recentemente no país, o Greenpeace acusa o governo de ter feito uma “ginástica financeira" para apresentar tarifa baixa para a energia nuclear de R$ 138,00 por megawatt/hora (MWh). “A gente contesta esses dados, mostrando que, na verdade, há subsídios que estão escondidos nessa conta. E que tem dinheiro público sendo jogado fora nessa construção matemática que eles fizeram. Os custos da usina, principalmente de construção, vão ser muito mais altos do que o governo está apresentando”, afirmou Beatriz Carvalho.

Segundo a ativista do Greenpeace, o custo de construção declarado pelo governo para Angra 3 seria de R$ 7,2 bilhões. A entidade alega que com a incidência de juros sobre o capital que está imobilizado para as obras, esse valor seria de R$ 9,5 bilhões. “E se contar os quatro anos de atraso médio na construção de uma usina nuclear, o valor dela vai dobrar para R$ 15 bilhões”.

Ela lembrou que o ponto principal que o Greenpeace debate na questão nuclear está ligado à insegurança, à falta de soluções para o lixo de alta radioatividade e à instabilidade geopolítica “que gera o país que tem a tecnologia nuclear”. Lembrou ainda que o Greenpeace é totalmente contra o uso dessa energia para quaisquer finalidades, a não ser para fazer exames médicos. "Mas, para geração de energia, a gente é contra”.
(Agência Brasil)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

LICENÇA AMBIENTAL DIFERENCIADA: Banco Mundial defende mudança em licenciamento ambiental para hidrelétricas

Os custos diretos e indiretos do licenciamento ambiental para a construção de uma usina hidrelétrica podem chegar a 20% do orçamento total da obra. Além do custo, a falta de clareza entre as atribuições de gestores ambientais estaduais e federais, e a má-qualidade dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) também restringem investimentos em geração hidrelétrica.

O diagnóstico é do Banco Mundial, apresentado no relatório Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o Debate.

“O licenciamento ambiental de projetos hidrelétricos no Brasil é considerado um grande obstáculo para que a expansão da capacidade de geração de energia elétrica ocorra de forma previsível e dentro de prazos razoáveis”, aponta o documento.

De acordo com um dos autores do relatório, Garo Batmanian, os gargalos do licenciamento começam na fase inicial dos processos. “Se o planejamento energético definisse melhor quais são as hidrelétricas que vão ficar no mesmo rio, seja nos próximos cinco anos, isso ajudaria a análise para obter a licença prévia de uma vez só, por exemplo. Alguns assuntos ambientais e sociais que poderiam ser resolvidos no planejamento, de decisão preliminar, acabam sendo discutidos no momento de licenciamento do empreendimento em si”, afirmou.

Outros pontos críticos, segundo Batmanian, são a demora na elaboração dos termos de referência – que fornece os critérios básicos para o licenciamento – e a falta de qualidade dos estudos de impacto ambiental, produzidos pelos proponentes da obra. Ele destacou que em 2005 era de 13 meses a média de tempo de elaboração de termos de referência pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O relatório do Banco Mundial critica ainda a atuação “ilimitada” do Ministério Público, que, segundo os autores, “é importante fator para a falta de previsibilidade e cumprimento com os cronogramas do processo de licenciamento ambiental, pois permite que seus membros participem de atos técnicos ou administrativos típicos do órgão ambiental”. Para Batmanian, "se a divisão de tarefas fosse mais clara, seria menos necessária a atuação do Ministério Público – quando a zona cinza é muito grande, existe uma tendência de o MP intervir com maior vigor".

O estudo sugere medidas para garantir mais eficiência ao licenciamento, entre elas a definição, por lei, das atribuições estaduais e federais no processo; o aperfeiçoamento profissional dos agentes públicos e privados responsáveis pela elaboração e análise de estudos e licenças; e a criação de mecanismos administrativos de solução de conflitos, para evitar que cheguem à Justiça.

As recomendações também incluem a dispensa de estudos e relatórios de impacto ambiental para concessão de licença prévia, limitando a restrição para a etapa da licença de instalação.

O Ministério de Minas e Energia, que colaborou para a elaboração do relatório, informou por meio de sua assessoria que reconhece a necessidade de mudanças apontadas nas recomendações.
Luana Lourenço - Radiobrás
Nota do Blog:
  • Todo esse alvoroço ocorre em função do modo de se planejar a dimensão das obras no Brasil. Caso tivéssemos a cultura de planejamento e implementação de obras de pequeno e médio porte, estaríamos, hoje, vivendo um outro momento. O caso das hidrelétricas é emblemático. Ao contrário dessas majestosas obras, as PCH´s são instalações que resultam em menores impactos ambientais e se prestam à geração descentralizada. Este tipo de hidrelétrica é utilizada principalmente em rios de pequeno e médio portes que possuam desníveis significativos durante seu percurso, gerando potência hidráulica suficiente para movimentar as turbinas. As resoluções elaboradas pela ANEEL permitem que a energia gerada nas PCH´s entre no sistema de eletrificação, sem que o empreendedor pague as taxas pelo uso da rede de transmissão e distribuição. O benefício vale para quem entrou em operação até 2003. As PCH´s são dispensadas ainda de remunerar municípios e Estados pelo uso dos recursos hídricos. Caso sejam implantadas no sistema isolado da Região Norte podem, também, receber incentivo do Fundo formado com recursos da Conta Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC), para financiar os empreendimentos, caso substituam as geradoras térmicas a óleo diesel nos sistemas isolados da Região Norte. É por isso que comungo da tese de que PCH's (Pequenas Centrais Hidreléricas) resolveriam a maioria dos problemas na Amazônia, combinando geração de energia com impactos socioambientais em mínima escala. (Miguel Cruz)

terça-feira, 1 de abril de 2008

DESCOBERTA CIENTÍFICA: Mais antiga jóia das Américas é descoberta

Agência FAPESP – Cientistas descobriram no Peru a mais antiga jóia de ouro feita nas Américas. Segundo o grupo, liderado por Mark Aldenderfer, do Departamento de Antropologia da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, o artefato foi feito há 4 mil anos.

O colar de contas é formado por nove cilindros separados por peças esféricas menores. O cilindro maior traz uma turquesa em um orifício. De acordo com os pesquisadores, o colar foi feito a partir de pepitas trabalhadas a frio com uma espécie de martelo.

“Essa descoberta dá sustentação à hipótese de que a mais antiga forma de trabalho com metais nos Andes foi a experimentação com ouro nativo”, destacaram os autores em artigo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

A jóia foi encontrada ao lado de uma mandíbula de um esqueleto de um indivíduo adulto em uma cova localizada próxima a Jiskairumoko, pequeno sítio ocupado por caçadores e colhedores na bacia do Lago Titicaca, no sudeste do Peru. O local foi habitado de 3.300 a 1.500 a.C. e os pesquisadores estimam que a peça tenha sido feita em 2.100 a.C.

A produção de jóias feitas de ouro sempre esteve associada com a existência de um cenário político e social sofisticado, mas o colar encontrado no Peru aponta para outra direção. “A descoberta apóia a hipótese do advento do trabalho com ouro em sociedades relativamente simples”, afirmaram.

Segundo o estudo, a descoberta indica que o uso de jóias feitas de ouro para distinguir riqueza e poder começou antes do surgimento de sociedades complexas nos Andes.
O artigo Four-thousand-year-old year old gold artifacts from the Lake Titicaca basin, southern Peru, de Mark Aldenderfer e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.