
O Brasil ficou em oitavo lugar no "Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas" - um levantamento realizado por organizações ambientais e divulgado nesta quarta-feira em Poznan, na Polônia, durante a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o tema.
Para destacar a falta de ações "fortes" contra a redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, os autores da pesquisa - a ONG Germanwatch e a Rede de Ação Climática (CAN, na sigla em inglês) - deixaram os três primeiros lugares vazios. A lista começa na quarta colocação, com a Suécia.
"As emissões totais de todos os países cresceram mais rapidamente do que nunca", justificou Jan Burck, um dos autores do estudo da Germanwatch.
Em quinto lugar ficou a Alemanha, seguida por França, Índia, Brasil, Grã-Bretanha e Dinamarca. Os últimos dez colocados são Grécia, Malásia, Chipre, Rússia, Austrália, Cazaquistão, Luxemburgo, Estados Unidos e, finalmente, Arábia Saudita.
Guinada alemã
O índice comparou 12 indicadores de 57 países para avaliar o nível de emissões, a tendência e a política para o clima de cada país. Entretanto, ele não levou em consideração as emissões provocadas pelo desmatamento e pelo uso da terra.
Somadas, as emissões dos países incluídos no Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas representam 90% da produção de gás carbônico no planeta.
"Nenhum único país pode ser julgado satisfatoriamente no que diz respeito à proteção do clima", esclareceu Burck, destacando que a recente mudança de direção na política ambiental alemã não pôde ser incluída a tempo.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que até a reunião da ONU em Bali, no ano passado, era vista como uma das principais defensoras de metas de redução ambiciosas, vem afirmando que o combate à crise econômica mundial pode levar o país a rever suas posições.
Organizações ambientais aguardam a conclusão do encontro em Poznan na sexta-feira para verificar os impactos da crise econômica mundial nas negociações sobre o clima.
No ano passado, os três primeiros lugares na lista ficaram com Suécia, Alemanha e Islândia. Na lanterninha, ficaram Austrália, Estados Unidos e Arábia Saudita.
Fonte: BBC
Link: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL917695-5603,00.html
CLIMA 2: Países chegam a acordo sobre metas para tratado pós-Kyoto
POZNAN, Polônia - A principal autoridade das Nações Unidas para a questão climática, Yvo de Boer, disse que a conferência de cerca de 190 países realizada na Polônia concordou com um conjunto de metas que deverá ser incluído em um novo tratado sobre o aquecimento global, que deverá ser fechado ao longo dos próximos 12 meses.
De Boer disse que as metas incluem a fixação de taxas de redução das emissões de carbono até 2020, a necessidade de levantar fundos para ajudar países pobres e uma decisão sobre como esse dinheiro será transferido.
Um comitê importante definiu, citando evidência científica, que os países industrializados terão de cortar suas emissões de carbono de 25% a 40% em relação aos níveis de 1990, nos próximos 12 anos. Mas o comitê não propôs a adoção da meta. Os valores exatos ficaram a ser definidos em negociações posteriores.
Além disso, a delegação espanhola na conferência disse à agência EFE que o acordo firmado vincula, pela primeira vez, os países em desenvolvimento a metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, antecipou hoje a delegação espanhola.
O compromisso, que será ratificado ainda nesta quarta-feira, servirá de base para as negociações que acontecerão ano que vem na cúpula de Copenhague, na qual deverá ser aprovado um acordo internacional a vigorar a partir de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.
A extensão do pacto para a redução das emissões aos países mais pobres fez com que nações como Japão, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que na terça-feira, 9, colocaram a cúpula em risco, aderissem ao compromisso.
As negociações também avançaram na inclusão da preservação de florestas no quadro do próximo acordo, garantindo uma voz para os povos nativos.
Mas a proposta não fala em biodiversidade, abrindo uma brecha para que florestas naturais sejam substituídas por plantações, disse Nils Hermann Ranum, da Rainforest Foundation Norway.
A proposta de Redução de Emissões do Desflorestamento e Degradação, ou Redd, propõe que países sejam compensados por interromper a destruição de suas florestas. Numa concessão a Índia e China, que perderam a maior parte de suas florestas décadas atrás, países também serão recompensados por reflorestamento.
Fonte: Estadão Online
Link: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid291836,0.htm
CLIMA 3 : Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia
BBC Brasil explica do que trata e porque a reunião tem merecido tanto destaque.
LONDRES - Entre 1º e 12 de dezembro, está sendo realizado na cidade de Poznan, na Polônia, a 14º encontro da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês).
Na reunião do grupo de 2007, 190 países aprovaram o chamado "Mapa do Caminho", que traça uma rota de negociações até 2009, quando o encontro da ONU sobre mudanças climáticas acontece em Copenhage, na Dinamarca.
Esse foi o prazo fechado entre os participantes da reunião de Bali que concordaram em concluir o projeto para um substituto ao Protocolo de Kyoto, o atual acordo internacional sobre emissões de gases do efeito estufa, que vence em 2012.
Abaixo a BBC Brasil reponde algumas das questões que cercam o encontro.
O que é essa reunião na Polônia?
O encontro em Poznan é a 14º reunião anual do grupo da ONU chamado de Convenção das Partes (COP, na sigla em inglês).
Esse grupo é a instância decisória da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática, nome dado ao tratado que surgiu depois da Rio 92, a conferência da ONU que reuniu líderes do mundo todo no Rio de Janeiro, em 1992, para discutir as mudanças no clima.
O acordo entrou em vigor dois anos depois da conferência do Rio e prevê que todos os 192 países signatários vão trabalhar para "enfrentar os desafios do aquecimento global".
Ele prevê também que os países troquem informações sobre a emissão dos chamados gases do efeito estufa, criem estratégias para conter essas emissões e cooperem na preparação de políticas para se adaptar ao aquecimento da Terra.
O que deve ser discutido em Poznan?
Como o esqueleto das negociações para um substituto do Protocolo de Kyoto foi acertado em Bali, a reunião da Polônia, em tese, seria apenas um degrau de passagem, para acertar um cronograma detalhado até Copenhague.
No entanto, a crise econômica mundial pode abalar este planejamento.
Nos últimos meses, governantes de países europeus como a Alemanha, França e os próprios anfitriões poloneses já deram sinais de não estarem dispostos a manter as pressões por metas ambiciosas de redução de emissões, entre outros avanços.
O que mudou de Bali para cá?
No ano passado, o encontro da ONU aconteceu menos de um mês depois de o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), também da ONU, apresentar as suas conclusões finais sobre o que está acontecendo com o clima global e qual a influência do homem.
O documento foi o mais incisivo já produzido pelo painel científico desde sua criação, em 1988. Com isso, a pressão internacional por avanços na proteção do planeta ganhou um empurrão extra.
O painel afirmou que é "muito provável" (ou seja, com mais de 90% de certeza) que o aquecimento global está sendo influenciado pela ação humana e que os impactos dessa mudança podem ser "irreversíveis" caso os governos não tomem medidas concretas.
Para a reunião em Poznan, existe grande expectativa sobre o impacto do novo governo americano sobre as negociações, já que - ao contrário dos europeus - o presidente eleito Barack Obama já afirmou ver na crise econômica uma oportunidade e não um obstáculo para avançar no combate à mudança climática.
Depois de oito anos de governo George W. Bush que variaram entre a negação do papel do homem no aquecimento global e, mais recentemente, uma aceitação resignada, uma nova postura americana pode preencher o vácuo de liderança que a União Européia parece estar disposta a criar.
No entanto, é importante lembrar que a equipe de negociações americana ainda será formada por representantes de Bush - os mesmos que foram vaiados na reunião de Bali por dificultar o consenso.
Quais são os principais temas em pauta?
A discussão sobre metas foi e segue como um dos assuntos mais difíceis na mesa de negociações.
Desde a conferência do Rio, em 1992, os países industrializados concordaram em tomar a iniciativa no combate às emissões de gás carbônico. O protocolo de Kyoto concretizou este compromisso ao criar metas até 2012.
Para um acordo em Copenhague, a expectativa é que também países em desenvolvimento (que hoje já respondem por cerca de metade das emissões no mundo) se comprometam a reduzir as suas emissões no futuro.
O IPCC recomendou metas de redução de 25% a 40% até 2020.
Se o assunto já era polêmico, em tempos de crise econômica mundial e risco de recessão, ficou ainda mais difícil.
Se os países ricos não mostrarem determinação neste sentido, dificilmente os países em desenvolvimento como o Brasil vão querer adotar metas obrigatórias para redução, o que pode inviabilizar um acordo pós-Kyoto.
Desmatamento
Em Bali, os países em desenvolvimento comemoraram a inclusão, pela primeira vez, de um artigo que cita o desmatamento e a degradação de florestas (REDD, na sigla em inglês) nas negociações sobre mudança climática.
Para o Brasil, este é um ponto vital, já que 75% das emissões brasileiras vêm de incêndios e queimadas.
Em todo o planeta, o desmatamento responde por cerca de 20% das emissões de gases.
Em Poznan, devem ser discutidas opções de mecanismos e financiamentos para viabilizar a preservação de florestas no acordo que deve ser fechado em Copenhague.
No entanto, os temores de recessão podem afetar também neste ponto a disposição de investimento dos países ricos.
Tecnologias mais verdes
Um dos principais mecanismos criados pelo Protocolo de Kyoto é o de Desenvolvimento Limpo, conhecido pela sigla MDL.
O sistema prevê investimentos de países ricos em projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento em troca de créditos nas metas assumidas pelos países desenvolvidos.
Até Copenhague, espera-se que o mecanismo seja aperfeiçoado de forma a garantir que os investimentos em MDL realmente levem a uma diminuição extra nas emissões.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país com mais projetos de MDL, atrás apenas da China e da Índia, a grande maioria deles nas áreas de geração de energia hidrelétrica e suinocultura.
Em Poznan, devem ser discutidas formas de avançar em investimentos que permitam o crescimento dos países pobres sem um aumento de emissões.
Porém, mais uma vez, diante do aperto da crise e com o preço do petróleo batendo recordes de baixa, muitos acreditam que será difícil convencer os países desenvolvidos a investir em novas tecnologias mais sustentáveis.
Além disso, espera-se que os países desenvolvidos avancem na transferência de novas tecnologias para incentivar o desenvolvimento limpo nos países mais pobres.
Adaptação
Para alguns países, o assunto mais importante em pauta na Polônia será o das formas de adaptar e mitigar os efeitos do aquecimento global.
Em várias partes do mundo, a mudança climática já deixou de ser uma ameaça e se transformou em realidade.
Para governos como o de Bangladesh e de várias ilhas no Pacífico, é vital que as negociações de Poznan avancem no que diz respeito a formas de aliviar o sofrimento provocado por inundações, perda de território, secas prolongadas e outras conseqüências da mudança climática.
Neste sentido, um dos resultados mais aguardados da conferência na Polônia vai ser a regulamentação final do Fundo de Adaptação criado no Protocolo de Kyoto, para que ele possa começar a financiar projetos já em 2009. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Fonte: BBC
Link: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid286434,0.htm