quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Chico Mendes

15/12/1944, Seringal Porto Rico, Xapuri (AC)
22/12/1988, Xapuri (AC)

Pobre e iletrado, o pai de Chico Mendes ganhava a vida extraindo látex das seringueiras na floresta amazônica. Aos nove anos, o garoto Francisco Alves Mendes Filho também entrou para a profissão de seringalista: era sua única opção, já que lhe foi negada a oportunidade de estudar. Até 1970, os donos da terra nos seringais não permitiam a existência de escolas. Chico só foi aprender a ler aos 20 anos de idade.

Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e dos moradores da região amazônica, tornou-se um líder do movimento de resistência pacífica. Defensor da floresta e dos direitos dos seringalistas, ele organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros, ganhando apoio internacional.

Fundou o movimento sindical no Acre em 1975, com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Participando ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos, montou o Conselho Nacional de Seringalistas, uma organização não-governamental criada para defender as condições de vida e trabalho das comunidades que dependem da floresta.

Chico Mendes também atuou na luta pela posse da terra contra os grandes proprietários, algo impossível de se pensar na região amazônica até os dias de hoje. Dessa forma, entrou em conflito com os donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado.

Participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, em 1977, e foi eleito vereador para a Câmara Municipal local, pelo MDB, único partido de oposição permitido pela ditadura militar que governava o país (1964-1985). Nessa época, Chico sofreu as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Ao mesmo tempo, começou a enfrentar vários problemas com seu próprio partido: o MDB não era solidário às suas lutas.

Em 1979, o vereador Chico Mendes lotou a Câmara Municipal com debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas. Lembre-se: era tempo de ditadura militar. Foi acusado de subversão e passou por interrogatórios nada suaves. Foi torturado secretamente e, como estava sozinho nessa luta, não podia denunciar o fato, ou seria morto.

Foi assim, em busca de sustentação política, que decidiu ajudar a criar o Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se seu dirigente no Acre. Um ano depois de ser torturado, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de ter participado da morte de um fazendeiro na região que assassinara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia.

Em 1982, tornou-se presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitar posseiros à violência, mas foi absolvido por falta de provas.

Quando liderou o Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, a luta dos seringueiros começou a ganhar repercussão nacional e internacional. Sua proposta de "União dos Povos da Floresta", apresentada na ocasião, pretendia unir os interesses de índios e seringueiros em defesa da floresta amazônica. Seu projeto incluía a criação de reservas extrativistas para preservar as áreas indígenas e a floresta, e a garantia de reforma agrária para beneficiar os seringueiros.

Transformado em símbolo da luta para defender a Amazônia e os povos da floresta, Chico Mendes recebeu a visita de membros da Unep (órgão do meio ambiente ligado à Organização das Nações Unidas), em Xapuri, em 1987. Lá, os inspetores viram a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros, tudo feito com dinheiro de projetos financiados por bancos internacionais.

Logo em seguida, o ambientalista e líder sindical foi convidado a fazer essas denúncias no Congresso norte-americano. O resultado dessa viagem a Washington foi imediato: em um mês, os financiamentos aos projetos de destruição da floresta foram suspensos. Chico foi acusado na imprensa por fazendeiros e políticos de prejudicar o "progresso do Estado do Acre".

Em contrapartida, recebeu vários prêmios e homenagens no Brasil e no mundo, como uma das pessoas de mais destaque na defesa da ecologia.

Casado com Ilzamar e pai de Sandino e Elenira, Chico realizaria alguns de seus sonhos, ao assistir à criação das primeiras reservas extrativistas no Acre. Também conseguiu a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves da Silva, em Xapuri. Foi quando as ameaças de morte se tornaram mais freqüentes: Chico denunciou o fato às autoridades, deu nomes e pediu proteção policial. Nada conseguiu.

Pouco mais de um ano após sua ida ao Senado dos Estados Unidos, o ativista acabava de completar 44 anos quando foi assassinado na porta de sua casa. Em 1990, o fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Derli, foram julgados e condenados a 19 anos de prisão, pela morte de Chico Mendes.

Fonte: Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Link: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u633.jhtm
  • Nota do Blog
Tal é a complexidade e o romantismo que envolvem a necessária luta pela conservação da floresta amazônica que hoje Chico Mendes é considerado um mártir, mas amanhã será santificado!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Brasil não precisa de usinas nucleares

Notícias estranhas ocuparam espaço na mídia do interior paulista de junho a outubro de 2007. Reverberavam rumores de possível instalação de centros de enriquecimento de urânio na vizinha Barra Bonita ou em Ibitinga, ou talvez nas duas cidades. Também chegaram aos nossos ouvidos protestos na cidade de Castilho contra a possível construção de uma usina nuclear no baixo Tietê (previsto nos planos energéticos de médio e longo prazo do governo federal).

Não tínhamos, até então, preocupações dessa ordem no interior do estado de São Paulo. No começo deste ano vem a pressa do executivo em tocar adiante a usina nuclear Angra 3 sem sequer solicitar a opinião do Congresso Nacional e, mais recentemente um ministro alardeia a meta de 50 novas centrais nucleares nos próximos 50 anos.

Embora existam opiniões que classifiquem a energia nuclear como sendo limpa e uma alternativa viável em tempos de aquecimento global, o fato é que o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC) não fez qualquer menção a respeito disso nos seus três últimos relatórios e a maioria dos países desenvolvidos continua desativando suas usinas nucleares ou mantendo moratória em relação a novas construções.

Sabemos que a produção da energia nuclear gera pouca emissão de gases do efeito estufa, mas não podemos nos esquecer da construção das centrais nucleares, da prospecção, extração e transporte de urânio, do transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e do futuro desmantelamento que, em contrapartida, são consideráveis fontes de emissões.

O ciclo do urânio, da extração até a utilização no reator, gera enormes quantias de resíduos tóxicos e agride o meio ambiente. Além disso, considerável volume de água é consumido por uma central nuclear, tanto que rios com grandes caudais são exigidos nas proximidades.

Para as contas das centrais nucleares que nos apresentam ficarem mais atraentes, evitam colocar os custos de armazenamento dos resíduos, desmantelamento e limpeza dos locais contaminados, serviços de fiscalização e de segurança e o reforço da linha.

O risco de um acidente, embora seja muito difícil de ocorrer, não pode ser descartado. Recordemos o drama de Chernobyl, que abalou toda Europa e ainda guarda incontáveis cicatrizes. Finalmente, a proliferação e exportação contumaz de tecnologia nuclear aumenta significativamente a possibilidade de novos países virem a se tornar potências nucleares.

Para alguns países pequenos, com parcos recursos hídricos, pouco sol e assentados em placas de gelo, a energia nuclear talvez seja necessária. Agora convenhamos! Com nosso potencial hídrico, com a produção de biomassa, com a incidência de raios solares e tanto vento como dispomos em nosso Brasil, fica difícil aceitar centrais nucleares como projetos prioritários.

Podemos investir na repotenciação das usinas hidroelétricas mais antigas, redimensionando suas turbinas e adotando outras medidas que aumentem a capacidade de produção. Devemos investir em formas de energia limpa, como a eólica, fazendo com que some na rede e possibilite a nossa conexão com tecnologias renováveis de ponta.

Podemos construir linhas de transmissão para que as usinas que transformam a cana de açúcar em etanol possam descarregar seu excedente na rede. Devemos participar conjuntamente com as universidades em estudos voltados para a área e, além de importarmos conhecimento, passemos a produzir conhecimento.

Podemos e devemos ter como pauta prioritária o consumo responsável correndo paralelo à implantação de programas de trocas de lâmpadas que consomem muito por aquelas mais econômicas, substituição de chuveiros elétricos por painéis solares, e uma infinidade de medidas que podem reduzir o consumo, criar novos hábitos e apontar para uma sociedade sustentável.

José Paulo Toffano - é deputado federal, secretário nacional de formação do Partido Verde e presidente da comissão de meio ambiente, desenvolvimento regional sustentável, moradia, turismo e saúde do Parlamento do Mercosul.

Matéria indicada por Thiago Nunes, de Manaus/ AM (Vice-presidente Nacional da Juventude do PV)
  • Nota do Blog

Estamos fechados - ipsis literis - com o texto do deputado José Paulo. Ademais, ele é, de fato, um parlamentar comprometido com as questões socioambientais. Seu discurso e prática são orientados pela lógica do consumo consciente e da cidadania planetária.

Seu mandato no parlamento federal é motivo de orgulho para os ambietalistas !

ASTRONOMIA: Astrônomos descobrem a água mais distante da Terra

Uma equipe de astrônomos alemães da cidade de Bonn detectou a presença de água à maior distância da Terra registrada até o momento, cerca de 11,1 bilhões de anos-luz.

Um porta-voz do Instituto Max Planck de Radioastronomia de Bonn especificou nesta quarta-feira que as partículas de água foram localizadas no quasar - corpo cósmico que emite grandes ondas de radiação - MG-J0414+0534, uma galáxia ativa muito distante de nosso planeta.

O grupo de astrônomos, que publicará os resultados de seu estudo na revista Nature, estima que a água detectada faz parte de nuvens de gás e pó que são absorvidas por um buraco negro em massa situado no centro do quasar.

água líquida, mas de moléculas de água muito distantes entre si, que puderam ser detectadas com o radiotelescópio da montanha de Effelsberg, junto a Bonn.

Fonte: Portal Terra

Matéria indicada por Regina Moniz Ribeiro, da equipe Portal Terra

DESMATAMENTO SELETIVO: Lula cancela anistia a embargo de terras desmatadas

São Paulo - Brasil — Cinco dias depois de assinar um decreto impedindo o Ibama de embargar áreas de desmatamento, o presidente volta atrás.

Surtiu pequeno efeito as críticas dos ambientalistas ao decreto 6.686, que, entre outras medidas em favor do desmatamento, impedia, até o dia 11 de dezembro de 2009, os embargos de áreas de reservas legais desmatadas. O novo texto, número 6.694, assinado pelo presidente Lula na segunda-feira (15/12), exclui do beneficiamento os desmatamentos irregulares ocorridos no bioma Amazônia. A anistia às multas, no entanto, continuam suspensas até dezembro do próximo ano.

“Claro que a nova redação do decreto ficou melhor, mas ainda não é o ideal. Quem desmatou outros biomas não pode escapar da sanção do embargo, além disso a anistia às multas foi mantida”, diz o diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão. “A alteração é bem vinda, mas mostra a esquisofrenia dessa gestão quando o assunto é meio ambiente. No dia 22 de julho, o presidente assinou o decreto 6.514 sobre as sanções para os crimes ambientais e quatro meses depois alterou seu conteúdo com decreto 6.686, que agora foi modificado novamente”, afirma Leitão.

A instabilidade da política ambiental coloca em risco a estratégia do governo de atrair investimento estrangeiro para mecanismos de proteção às florestas e redução de emissões dos gases do efeito estufa. “Como investidores estangeiros vão confiar em uma política ambiental tão instável?”, questiona Leitão.

Fonte: Greenpeace

Matéria indicada por Carlos A. B. Bastos, de Lisboa

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

BIOTA AQUÁTICA COMPROMETIDA: Mais de 75% da população de peixes está ameaçada, alerta WWF

Mais de 75% da população de peixes do mundo está ameaçada devido à pesca predatória, segundo um estudo apresentado na segunda-feira (15) em Hamburgo pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês). Uma das espécies mais ameaçadas é a Sebastes marinus, ou cantarilho, pelo que o WWF recomenda aos consumidores não incluir o peixe em seu menu.

A captura desses peixes tem também um efeito colateral especificamente ruim: a destruição de corais de água fria milenares.

A organização ambientalista exige, por esse motivo, a proibição absoluta de toda pesca em águas profundas e pede aos consumidores a comprar só peixe com o selo ecológico Marine Stewardship Council (MSC). O WWF também desaconselha comprar camarões de peixarias procedentes do litoral tropical da América do Sul, pois para construir esses criadouros muitos mangues são destruídos.

Além disso, para cada camarão destinado à criação na feitoria, 100 peixes morrem nas redes.

Fonte: G1

Link: http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=42600

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

CRIME AMBIENTAL: Governo dos EUA faz lista de criminosos ambientais procurados

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos está dando início a um novo tipo de lista de mais procurados: fugitivos ambientais, acusados de atacar a natureza.

Esses fugitivos são acusados de contrabandear produtos químicos que corroem a camada de ozônio, jogar lixo tóxico nos rios e nos mares e andar em carros poluentes.

Em sua própria versão da lista de inimigos públicos do FBI, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) foca crimes ambientais e apresenta uma lista de 23 fugitivos, completa com fotos e uma descrição das acusações feitas.

Um alto funcionário do setor de fiscalização da EPA disse que as pessoas listadas representam "o universo descarado das pessoas que estão fugindo da lei". Muitos estão sob risco de anos de prisão, e algumas das acusações podem resultar em centenas de milhares de dólares em multas.

"Eles são acusados de crimes ambientais e deveriam ser trazidos à justiça criminal", disse Pete Rosenberg, diretor da divisão criminal da EPA.

Na lista está John Karayannides, acusado de orquestrar o despejo de 487 toneladas de trigo contaminado com óleo diesel no mar do Sul da China, em 1998. Acredita-se que ele tenha fugido para a Grécia.

Também em fuga está a dupla de pai e filho Carlos Giordano e Allesandro Giordano, presa em 2003 por dirigir uma importadora de veículos que trazia para os EUA carros fora do limite de poluição do país. Acredita-se que estejam na Itália.

Os mais procurados do meio ambiente Link: http://www.epa.gov/fugitives/

Fonte: Estadão Online

Link: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid291755,0.htm

GESTÃO AMBIENTAL: MMA cria sistema para saber quanto custa uma unidade de conservação

Qual o mínimo necessário para manter um sistema de unidades de conservação? Para auxiliar na busca de respostas para esta pergunta, o Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente elaborou o Sistema de Projeção de Investimentos Mínimos para Conservação - IMC. O sistema foi apresentado hoje (11) aos participantes do 8° Congresso Internacional de Conservação em Terras Privadas, que acontece no Rio de Janeiro. O novo sistema pode ser usado para estimar investimentos mínimos necessários para unidades de conservação, individualmente ou para um conjunto de UC, sejam elas públicas ou privadas.

O IMC é um dos produtos gerados pelo Grupo de Trabalho de Sustentabilidade Financeira, criado pelo MMA e coordenado pela organização não-governamental The Nature Conservancy - TNC e pelo Ibama/ICMBio e composto pelo Departamento de Áreas Protegidas - DAP/MMA, pela Conservação Internacional do Brasil e pelo Funbio. O GT procurou responder a perguntas como qual o tamanho do sistema de unidades de conservação, quanto ele gasta, quanto custa e como resolver as lacunas existentes utilizando o Sistema de Projeção de Investimentos Mínimos para a Conservação - IMC como ferramenta para a projeção dos custos do SNUC.

O IMC, parte do estudo Pilares para o Plano de Sustentabilidade Financeira do SNUC publicado pelo DAP/MMA em dezembro de 2007, é um conjunto de planilhas de cálculo criado para estimar investimentos e despesas de custeios mínimos para a gestão de sistemas de unidades de conservação. O IMC é adaptável a realidades locais e foi baseado no módulo financeiro do MICOSYS (Minimum Conservation System), desenvolvido pelo consultor Daan Vreugdenhil. Com funcionamento claro e de fácil compreensão, o IMC permite visualizar todas as fórmulas utilizadas pelo sistema para o cálculo de custos. Para sua operação são necessários apenas conhecimento básicos em planilhas de cálculo e um computador com um programa de planilhas de cálculo, que pode ser adquirido gratuitamente.

O novo sistema servirá, ainda, para estimar as despesas recorrentes para UC, individualmente ou para um conjunto de UC, com base nos investimentos mínimos, estipular os investimentos em infra-estrutura e equipamento nas sedes dos órgãos gestores e escritórios regionais e realizar projeções de cenários futuros.

Fonte: MMA

Link: http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=42539

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Declaração Universal dos Direitos Humanos - 60 anos de luta e de poucos motivos para comemorações!

GENEBRA - 60 anos após a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 4 bilhões de pessoas no mundo ainda não tem acesso à Justiça. Nesta quarta-feira, 10, governos, ativistas e a ONU comemoram seis décadas de um acordo que, se tivesse de ser negociado hoje, dificilmente conseguiria chegar ao mesmo nível de consenso. O maior desafio ainda é o de traduzir os princípios em garantias para milhões de pessoas, situação ainda mais urgente diante da crise econômica que pode afetar de forma mais dura os pobres.

"A diferença entre o que diz a Declaração Universal e o que é aplicado na prática é gritante", afirmou Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e chefe de um grupo de personalidades eminentes que tentarão relançar um processo para aplicar a declaração.

Após a Segunda Guerra Mundial, a declaração foi assinada no dia 10 de dezembro de 1948 com o objetivo de estabelecer as bases dos direitos de qualquer pessoa e garantir que esses direitos são inalienáveis. Em 60 anos, se transformou no documento mais traduzido do mundo. Entre as personalidades que formaram a comissão para escrever os 30 artigos está Eleonor Roosevelt. Hoje, o maior desafio é o de aplicar o que países descreveram como um direito já em 1948. Quase 1 bilhão de pessoas passam fome. 2 bilhões de pessoas ganham menos de US$ 2 por dia. O direito à saúde e educação não estão garantidos e tortura e violações aos direitos políticos e cívicos estão ameaçados.

"Quase 4 bilhões de pessoas no mundo, dois terços do planeta, não tem acesso à Justiça", alertou Robinson, baseada em um estudo feito por seu grupo de especialistas. A falta de acesso não ocorre apenas por falta de recursos para pagar um advogado, mas pela corrupção, lentidão e até restrições políticas que indivíduos tem de serem julgados de forma transparente e justa. "A única forma de mudar isso é uma reforma completa do sistema judiciário em muitos países", alertou Robinson. No caso do Brasil, dois relatórios da ONU apontaram neste ano que nem todos os brasileiro tem acesso garantia à Justiça e pedem uma "ampla reforma do sistema judicial brasileiro".

A realidade internacional, portanto, é ainda bem diferente do que a declaração aponta. "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos", afirma o primeiro artigo. Em termos diplomáticos, o próximo grande desafio será a conferência mundial em 2009 sobre o combate ao racismo e xenofobia. Os países ocidentais acusam os governos islâmicos de estarem tentando seqüestrar o encontro e transformá-lo em um evento de repúdio a Israel e ao governo americano, sob o protesto de lutar contra a "islamofobia". Europa e Estados Unidos também alertam que os países islâmicos também estariam querendo rever o direto à liberdade de expressão.

Washington já anunciou que não irá ao evento, mas as esperanças são de que o novo governo de Barack Obama reveja a posição de Washington. Já os africanos querem um pedido formal de desculpas por parte do Ocidente pelo período da escravidão. "Há a impressão de que não conseguiríamos ter um texto tão claro como o que foi assinado em 1948 se tivéssemos que reescrever o documento", alerto Robinson. Para os mais críticos à declaração, os princípios estipulados nela foram elaborados por países Ocidentais ao resto do mundo sobre o que seriam os direitos humanos. Robinson rejeita a idéia. "Todos aceitam os princípios da declaração", alegou. Em 1948, nem todos os países votaram à favor da declaração. Oito se abstiveram - todos do bloco soviético - e a Arábia Saudita votou contra.

O bloco islâmico também vem aumentando as críticas contra o documento na última década e principalmente depois da reação do Ocidente após os atentados de 11 de setembro de 2001. Como resposta, os países árabes criaram uma Declaração dos Direitos Humanos Islâmicos. No texto, os governos insistem que cada pessoa é "livre e tem direito à vida digna de acordo com a leis islâmicas da Sharia". Nem todos os ativistas islâmicos concordam com isso. Shirin Ebadi, advogada iraniana e prêmio Nobel da Paz, é uma delas. "Existem princípios universais", disse.

Novos Desafios
Além de ter de lidar com questionamentos, a declaração também enfrenta novos desafios. Um deles tem sido a erosão de princípios diante da guerra contra o terrorismo. Nos últimos anos, a administração de George W. Bush chegou a rever sua definição do que seria tortura no questionamento de suspeitos de cometer terroristas. A crise econômica também ameaça expor as violações aos direitos sociais em todo o mundo, diante dos eventuais cortes drásticos nos orçamentos de governos para programas sociais.

Brasil
No caso do Brasil, a tradução dos direitos à vida real também é o maior desafio. Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro dos Direitos Humanos durante o governo Fernando Henrique Cardoso, aponta para certos avanços na implementação dos direitos. Mas alerta que o silêncio sobre as violações precisa acabar e políticos precisam admitir os problemas.

"Hoje, a democracia no País ainda convive com o autoritarismo", afirmou. "As políticas de São Paulo e do Rio continuam sendo as mais violentas do mundo democrático", alertou. "Há um jogo de faz de conta de que a tortura não existe mais no Brasil. Mas políticos precisam romper esse silêncio e tratar do assunto em suas campanhas eleitorais", defendeu Pinheiro.

Uma das formas de lidar com esses problemas, segundo ele, seria dar uma resposta às violações cometidas durante a ditadura militar. "Para lidar com os problemas do presente, precisamos limpar o passado", concluiu, defendendo o fim da lei da Anistia. Os problemas econômicos ainda são destacados pela ONU para alertar para as violações no Brasil. Um exemplo da desigualdade social está na educação. Para a entidade, os avanços nas matrículas nos últimos anos "mascaram uma desigualdade extrema " e regiões com escolas com qualidade abaixo dos níveis adequados. "No Norte e Nordeste, apenas 40% das crianças terminam o primário", afirma a ONU em um documento de avaliação da situação no Brasil. No Sudeste, essa taxa seria de 70%. 3,5 milhões de adolescentes ainda estariam fora das escolas. Os motivos: violência e gravidez precoce.

Outro exemplo de desigualdade está na saúde. Os indígenas tem um índice de mortalidade que é o dobro de uma criança no Sudeste. 87% da população tem acesso a água encanada. Mas os 20% mais ricos da população tem um acesso 50 vezes maior que a parcela dos 20% mais pobres.

Fonte: Estadão Online / REUTERS.
Indicado por Carlos Alberto B. Bastos, de Lisboa.
  • Nota do Blog

A sociedade amazonense, assim como a brasileira, de um modo geral, não respeita os direitos humanos e o Estado é o principal responsável – através da União, dos estados e dos municípios – pois não dão o devido cuidado à educação, à saúde pública de boa qualidade, à infância, ao adolescente, ao idoso e ao indígena local. . "A nossa cultura é autoritária e não dá a devida atenção à questão dos direitos humanos. É necessário, portanto, tirar do papel e materializar os preceitos contidos na Carta de 1948 da ONU".

Mesmo assim, reconheço que a defesa dos direitos humanos tem se consolidado mundialmente a partir da criminalização da tortura e dos ganhos com a proteção dos direitos das mulheres e indígenas.

Mas o Brasil tem sido cobrado por organismos internacionais por graves desrespeitos aos direitos humanos. Pois, mesmo tendo vencido a ditadura, que foi o período de máxima violação aos direitos humanos, as coisas não estão muito diferentes.

Internacionalmente, o Brasil tem sido denunciado constantemente. Sobretudo em função da gestão de nossos presídios, que já são um escândalo global.

Outro ponto fundamental é nossa relação cultural com os movimentos sociais. É necessário que todos nós tenhamos mais respeito com os organisnos que os representam. Pois aqui no Amazonas esses movimentos são encarados como caso de polícia, o que é um lamentável equívoco. Os movimentos sociais são parte integrante e legítima das demandas de nossa população.

Concluo afirmando que a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos deve servir também para que todos nós reflitamos no sentido de que esses direitos sejam cristalizados, sejam uma peça tangível neste fabuloso tabuleiro global!

CLIMA: Brasil fica em 8º lugar em índice de mudança climática

O Brasil ficou em oitavo lugar no "Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas" - um levantamento realizado por organizações ambientais e divulgado nesta quarta-feira em Poznan, na Polônia, durante a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o tema.

Para destacar a falta de ações "fortes" contra a redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, os autores da pesquisa - a ONG Germanwatch e a Rede de Ação Climática (CAN, na sigla em inglês) - deixaram os três primeiros lugares vazios. A lista começa na quarta colocação, com a Suécia.

"As emissões totais de todos os países cresceram mais rapidamente do que nunca", justificou Jan Burck, um dos autores do estudo da Germanwatch.

Em quinto lugar ficou a Alemanha, seguida por França, Índia, Brasil, Grã-Bretanha e Dinamarca. Os últimos dez colocados são Grécia, Malásia, Chipre, Rússia, Austrália, Cazaquistão, Luxemburgo, Estados Unidos e, finalmente, Arábia Saudita.

Guinada alemã
O índice comparou 12 indicadores de 57 países para avaliar o nível de emissões, a tendência e a política para o clima de cada país. Entretanto, ele não levou em consideração as emissões provocadas pelo desmatamento e pelo uso da terra.

Somadas, as emissões dos países incluídos no Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas representam 90% da produção de gás carbônico no planeta.

"Nenhum único país pode ser julgado satisfatoriamente no que diz respeito à proteção do clima", esclareceu Burck, destacando que a recente mudança de direção na política ambiental alemã não pôde ser incluída a tempo.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que até a reunião da ONU em Bali, no ano passado, era vista como uma das principais defensoras de metas de redução ambiciosas, vem afirmando que o combate à crise econômica mundial pode levar o país a rever suas posições.

Organizações ambientais aguardam a conclusão do encontro em Poznan na sexta-feira para verificar os impactos da crise econômica mundial nas negociações sobre o clima.

No ano passado, os três primeiros lugares na lista ficaram com Suécia, Alemanha e Islândia. Na lanterninha, ficaram Austrália, Estados Unidos e Arábia Saudita.

Fonte: BBC

Link: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL917695-5603,00.html

CLIMA 2: Países chegam a acordo sobre metas para tratado pós-Kyoto

POZNAN, Polônia - A principal autoridade das Nações Unidas para a questão climática, Yvo de Boer, disse que a conferência de cerca de 190 países realizada na Polônia concordou com um conjunto de metas que deverá ser incluído em um novo tratado sobre o aquecimento global, que deverá ser fechado ao longo dos próximos 12 meses.

De Boer disse que as metas incluem a fixação de taxas de redução das emissões de carbono até 2020, a necessidade de levantar fundos para ajudar países pobres e uma decisão sobre como esse dinheiro será transferido.

Um comitê importante definiu, citando evidência científica, que os países industrializados terão de cortar suas emissões de carbono de 25% a 40% em relação aos níveis de 1990, nos próximos 12 anos. Mas o comitê não propôs a adoção da meta. Os valores exatos ficaram a ser definidos em negociações posteriores.

Além disso, a delegação espanhola na conferência disse à agência EFE que o acordo firmado vincula, pela primeira vez, os países em desenvolvimento a metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, antecipou hoje a delegação espanhola.

O compromisso, que será ratificado ainda nesta quarta-feira, servirá de base para as negociações que acontecerão ano que vem na cúpula de Copenhague, na qual deverá ser aprovado um acordo internacional a vigorar a partir de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.

A extensão do pacto para a redução das emissões aos países mais pobres fez com que nações como Japão, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que na terça-feira, 9, colocaram a cúpula em risco, aderissem ao compromisso.

As negociações também avançaram na inclusão da preservação de florestas no quadro do próximo acordo, garantindo uma voz para os povos nativos.

Mas a proposta não fala em biodiversidade, abrindo uma brecha para que florestas naturais sejam substituídas por plantações, disse Nils Hermann Ranum, da Rainforest Foundation Norway.

A proposta de Redução de Emissões do Desflorestamento e Degradação, ou Redd, propõe que países sejam compensados por interromper a destruição de suas florestas. Numa concessão a Índia e China, que perderam a maior parte de suas florestas décadas atrás, países também serão recompensados por reflorestamento.

Fonte: Estadão Online

Link: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid291836,0.htm

CLIMA 3 : Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia

BBC Brasil explica do que trata e porque a reunião tem merecido tanto destaque.

LONDRES - Entre 1º e 12 de dezembro, está sendo realizado na cidade de Poznan, na Polônia, a 14º encontro da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês).

Na reunião do grupo de 2007, 190 países aprovaram o chamado "Mapa do Caminho", que traça uma rota de negociações até 2009, quando o encontro da ONU sobre mudanças climáticas acontece em Copenhage, na Dinamarca.

Esse foi o prazo fechado entre os participantes da reunião de Bali que concordaram em concluir o projeto para um substituto ao Protocolo de Kyoto, o atual acordo internacional sobre emissões de gases do efeito estufa, que vence em 2012.

Abaixo a BBC Brasil reponde algumas das questões que cercam o encontro.

O que é essa reunião na Polônia?

O encontro em Poznan é a 14º reunião anual do grupo da ONU chamado de Convenção das Partes (COP, na sigla em inglês).

Esse grupo é a instância decisória da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática, nome dado ao tratado que surgiu depois da Rio 92, a conferência da ONU que reuniu líderes do mundo todo no Rio de Janeiro, em 1992, para discutir as mudanças no clima.

O acordo entrou em vigor dois anos depois da conferência do Rio e prevê que todos os 192 países signatários vão trabalhar para "enfrentar os desafios do aquecimento global".

Ele prevê também que os países troquem informações sobre a emissão dos chamados gases do efeito estufa, criem estratégias para conter essas emissões e cooperem na preparação de políticas para se adaptar ao aquecimento da Terra.

O que deve ser discutido em Poznan?

Como o esqueleto das negociações para um substituto do Protocolo de Kyoto foi acertado em Bali, a reunião da Polônia, em tese, seria apenas um degrau de passagem, para acertar um cronograma detalhado até Copenhague.

No entanto, a crise econômica mundial pode abalar este planejamento.

Nos últimos meses, governantes de países europeus como a Alemanha, França e os próprios anfitriões poloneses já deram sinais de não estarem dispostos a manter as pressões por metas ambiciosas de redução de emissões, entre outros avanços.

O que mudou de Bali para cá?

No ano passado, o encontro da ONU aconteceu menos de um mês depois de o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), também da ONU, apresentar as suas conclusões finais sobre o que está acontecendo com o clima global e qual a influência do homem.

O documento foi o mais incisivo já produzido pelo painel científico desde sua criação, em 1988. Com isso, a pressão internacional por avanços na proteção do planeta ganhou um empurrão extra.

O painel afirmou que é "muito provável" (ou seja, com mais de 90% de certeza) que o aquecimento global está sendo influenciado pela ação humana e que os impactos dessa mudança podem ser "irreversíveis" caso os governos não tomem medidas concretas.

Para a reunião em Poznan, existe grande expectativa sobre o impacto do novo governo americano sobre as negociações, já que - ao contrário dos europeus - o presidente eleito Barack Obama já afirmou ver na crise econômica uma oportunidade e não um obstáculo para avançar no combate à mudança climática.

Depois de oito anos de governo George W. Bush que variaram entre a negação do papel do homem no aquecimento global e, mais recentemente, uma aceitação resignada, uma nova postura americana pode preencher o vácuo de liderança que a União Européia parece estar disposta a criar.

No entanto, é importante lembrar que a equipe de negociações americana ainda será formada por representantes de Bush - os mesmos que foram vaiados na reunião de Bali por dificultar o consenso.

Quais são os principais temas em pauta?

A discussão sobre metas foi e segue como um dos assuntos mais difíceis na mesa de negociações.

Desde a conferência do Rio, em 1992, os países industrializados concordaram em tomar a iniciativa no combate às emissões de gás carbônico. O protocolo de Kyoto concretizou este compromisso ao criar metas até 2012.

Para um acordo em Copenhague, a expectativa é que também países em desenvolvimento (que hoje já respondem por cerca de metade das emissões no mundo) se comprometam a reduzir as suas emissões no futuro.

O IPCC recomendou metas de redução de 25% a 40% até 2020.

Se o assunto já era polêmico, em tempos de crise econômica mundial e risco de recessão, ficou ainda mais difícil.

Se os países ricos não mostrarem determinação neste sentido, dificilmente os países em desenvolvimento como o Brasil vão querer adotar metas obrigatórias para redução, o que pode inviabilizar um acordo pós-Kyoto.

Desmatamento

Em Bali, os países em desenvolvimento comemoraram a inclusão, pela primeira vez, de um artigo que cita o desmatamento e a degradação de florestas (REDD, na sigla em inglês) nas negociações sobre mudança climática.

Para o Brasil, este é um ponto vital, já que 75% das emissões brasileiras vêm de incêndios e queimadas.

Em todo o planeta, o desmatamento responde por cerca de 20% das emissões de gases.

Em Poznan, devem ser discutidas opções de mecanismos e financiamentos para viabilizar a preservação de florestas no acordo que deve ser fechado em Copenhague.

No entanto, os temores de recessão podem afetar também neste ponto a disposição de investimento dos países ricos.

Tecnologias mais verdes

Um dos principais mecanismos criados pelo Protocolo de Kyoto é o de Desenvolvimento Limpo, conhecido pela sigla MDL.

O sistema prevê investimentos de países ricos em projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento em troca de créditos nas metas assumidas pelos países desenvolvidos.

Até Copenhague, espera-se que o mecanismo seja aperfeiçoado de forma a garantir que os investimentos em MDL realmente levem a uma diminuição extra nas emissões.

Atualmente, o Brasil é o terceiro país com mais projetos de MDL, atrás apenas da China e da Índia, a grande maioria deles nas áreas de geração de energia hidrelétrica e suinocultura.

Em Poznan, devem ser discutidas formas de avançar em investimentos que permitam o crescimento dos países pobres sem um aumento de emissões.

Porém, mais uma vez, diante do aperto da crise e com o preço do petróleo batendo recordes de baixa, muitos acreditam que será difícil convencer os países desenvolvidos a investir em novas tecnologias mais sustentáveis.

Além disso, espera-se que os países desenvolvidos avancem na transferência de novas tecnologias para incentivar o desenvolvimento limpo nos países mais pobres.

Adaptação

Para alguns países, o assunto mais importante em pauta na Polônia será o das formas de adaptar e mitigar os efeitos do aquecimento global.

Em várias partes do mundo, a mudança climática já deixou de ser uma ameaça e se transformou em realidade.

Para governos como o de Bangladesh e de várias ilhas no Pacífico, é vital que as negociações de Poznan avancem no que diz respeito a formas de aliviar o sofrimento provocado por inundações, perda de território, secas prolongadas e outras conseqüências da mudança climática.

Neste sentido, um dos resultados mais aguardados da conferência na Polônia vai ser a regulamentação final do Fundo de Adaptação criado no Protocolo de Kyoto, para que ele possa começar a financiar projetos já em 2009. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: BBC

Link: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid286434,0.htm

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Desmatamento da Amazônia pode causar prejuízos de US$ 1 trilhão

Dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e por 29 instituições de pesquisas em todo o mundo concluíram que o desmatamento na Amazônia pode causar prejuízos de US$ 1 trilhão. O cálculo foi feito com base na capacidade da floresta em gerar chuvas para o Centro-oeste brasileiro e países da América latina, principalmente as situadas no Cone Sul. As informações são da Agência Estado.

Grande parte das chuvas dessas regiões vem da evaporação da água da região amazônica e um desmatamento que comprometesse essa evaporação afetaria o ciclo de águas e a produção agrícola no Brasil e de outros países. "O Brasil precisa pensar a preservação da Amazônia como uma questão econômica que terá impacto direto em suas exportações e produção agrícola nos próximos 50 anos", disse o chefe da divisão econômica do Pnuma e ex-executivo do Deutche Bank Pavan Sukhdev.

Entre 2000 e 2005 o Brasil foi responsável pela perda de 48% da cobertura florestal no mundo. Segundo Sukhdev, "o governo brasileiro precisa entender que preservar a floresta não é um luxo, logo será uma necessidade econômica".

Para os cientistas que participaram do estudo, a Amazônia funciona como uma "bomba d'água", como o mais eficiente projeto de irrigação do planeta. Para eles, apenas a capacidade da floresta em gerar chuvas no centro e no sul do continente já seria um motivo suficiente para proteger a floresta.

  • Nota do Blog

E é por este motivo que os países desenvolvidos, em articulação com o governo brasileiro, devem elaborar e exucutar programas compensatórios para que o Brasil possa conservar a principal floresta do planeta a partir de alternativas para os que não se utilizam dela de forma sustentável.

Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008

VARSÓVIA - O mercado mundial de compra e venda de cotas de emissão de gases causadores do efeito estufa cresceu 41% na primeira metade deste ano, para 38 bilhões de euros, segundo dados apresentados nesta quarta-feira, 3, pela Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA).

As transações de cotas de dióxido de carbono (CO2), o gás mais poluente, também aumentaram nos primeiros seis meses de 2008, passando das 1,2 bilhão de toneladas de 2007 para aproximadamente 1,84 bilhão de toneladas.

O estudo da IETA, divulgado durante a conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática, realizada desde segunda-feira, 1, na cidade polonesa de Poznan, assinala que a compra e venda de poluentes poderia se desenvolver ainda mais se os EUA acreditassem em um mercado nacional de CO2.

Atualmente a União Européia centraliza a maior parte dessas operações relacionadas com direitos poluentes, com cerca de 70% do volume total global.

De acordo com o Protocolo de Kioto, os países mais desenvolvidos devem reduzir progressivamente suas emissões de gases causadores do efeito estufa para os níveis de 1990, embora as dificuldades para conseguir essa diminuição faça com que o mercado de compra de direitos de emissão tenha se desenvolvido nos últimos anos como fórmula para evitar sanções por excesso de poluição.

A Conferência das Nações Unidas termina no próximo dia 12 de dezembro, quando se espera que governantes de todo o mundo entrem em acordo para alcançar um pré-pacto que permita fechar um protocolo pós-Kyoto na próxima reunião, em Copenhague, em 2009.

Fonte: Efe

Link: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid287927,0.htm

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

AIEA sugere técnica de plantio com radiação contra a fome

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu nesta terça-feira mais investimentos internacionais em uma técnica de plantio com o uso de radiação que induz a mutações e produz plantas mais resistentes como forma de ajudar a combater a crise de alimentos no mundo.

Segundo a agência da ONU, a técnica de mutação induzida, utilizada desde os anos 1920, pode ajudar a produzir plantas com um rendimento maior na colheita e que se adaptam a condições climáticas extremas, como seca ou enchentes, e que também se tornem resistentes a algumas doenças e a ataques de pragas.

Segundo a AIEA, a técnica de mutação induzida é "segura, comprovada e com bom custo-benefício".

"A natureza global da crise dos alimentos não tem precedentes. Famílias em todo o mundo estão tendo dificuldades em se alimentar", disse o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, em um comunicado distribuído pela agência.

Mutações
A técnica utiliza radiação para acelerar as mutações genéticas ocorridas naturalmente nas plantas e que as ajudam a se adaptar a diferentes condições e a resistir a pragas e doenças.

Com isso, adaptações que poderiam levar milhões de anos para ocorrer naturalmente podem ser aceleradas para ocorrer em um prazo muito mais curto.

Para ElBaradei, "para prover soluções sustentáveis, de longo prazo, precisamos usar todos os recursos disponíveis".

Segundo a AIEA, mais de 3.000 variedades de cerca de 170 espécies diferentes de plantas já foram desenvolvidas com a ajuda da técnica e a supervisão da AIEA.

Entre essas variedades, estão um tipo de cevada que pode ser cultivado a altitudes superiores a 5 mil metros e um tipo de arroz que cresce em solos com alto grau de salinidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A multinacional e a obscuridade: Autora de livro sobre Monsanto diz que sua obra "dá muito medo"

A jornalista francesa Marie-Monique Robin, que acaba de publicar na Espanha um ensaio sobre a multinacional de sementes transgênicas Monsanto, à qual acusa de práticas "mafiosas", diz que não sabe se seu livro "é de terror, mas dá muito medo, pois, infelizmente, tudo o que está lá é verdade".

Le Monde Selon Monsanto (O Mundo Segundo a Monsanto) é o irônico título escolhido para um livro no qual a jornalista denuncia, com documentos inéditos e testemunhos de muitas "vítimas", a "impunidade diabólica" desta multinacional americana que comercializa "produtos tóxicos", afirmou a autora.

As acusações de Robin a Monsanto são infinitas: vender sementes geneticamente modificadas que não demonstraram sua inocuidade tóxica e que têm de ser tratadas com adubos e pesticidas da mesma empresa, igualmente tóxicos, em um ciclo monopolístico.

Segundo a especialista, este ciclo não acaba somente com a biodiversidade do local onde é implantado, mas também não garante melhores colheitas e empobrece os terrenos. A jornalista se reuniu durante três anos com políticos, camponeses e cientistas, alguns dos quais sofreram na própria pele o "efeito Monsanto".

Muitos deles sofreram represálias e foram despedidos devido às investigações sobre o risco dos produtos geneticamente modificados e outros adquiriram algum tipo de câncer pelo contato com eles.

A companhia, lembra Robin, comercializa 90% dos cultivos transgênicos do mundo, com 8,6 bilhões de euros (US$ 10,7 bilhões) de faturamento em 2007.

É a maior vendedora de sementes na América Latina, Ásia, Estados Unidos e Canadá, e entre seus "feitos" químicos está a fabricação do "agente laranja", um devastador pesticida utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

Robin afirma que a multinacional tem dezenas de processos penais contra ela no mundo todo, devido a problemas de saúde gerados por seus produtos, mas também por causa de práticas de monopólio.

Segundo a jornalista, a multinacional se comporta como uma estrutura saída da mente de George Orwell - autor do livro 1984, que retrata um regime autoritário de uma sociedade de vigilância -, já que tem uma "meta totalitária e monopolística" e utiliza métodos muito semelhantes aos da máfia.

O livro faz um percurso pelas relações entre os políticos encarregados de redigir a regulamentação sobre transgênicos e as empresas do setor, com casos de membros da administração pública nos EUA que, após promover leis permissivas a estes produtos, para reduzir os testes toxicológicos, passaram para o outro lado, um inclusive como "vice-presidente" da multinacional.

Fonte: EFE - Terra Notícias

Matéria indicada por Carlos Alberto B. Bastos, direto de Lisboa.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Planeta Terra: As grandes etapas da luta contra o aquecimento climático

A 14ª Conferência das Nações Unidas sobre a mudança climática, que será realizada de 1º a 12 de dezembro em Poznan (Polônia), faz parte de uma agenda que começou com a Eco-92, no Rio de Janeiro - um calendário voltado para a luta contra o aquecimento global.

Seguem as principais etapas deste combate nos âmbitos científico e diplomático:

- 1988: Criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês), pela Organização Meteorólogica Mundial e o Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas a pedido do G7 (os sete países mais industrializados). O IPCC nasceu da percepção de que a ação humana poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que era necessário acompanhar esse processo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é, hoje, um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações regulares sobre a mudança climática.

- 1990: O IPCC tem publicado diversos documentos e pareceres técnicos. O primeiro Relatório de Avaliação sobre o Meio Ambiente (Assessment Report, ou simplesmente AR) foi publicado em 1990 e reuniu argumentos em favor da criação da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC), a instância em que os governo negociam políticas referentes à mudança climática. Seguiram-se outros relatórios divulgados em 1995, 2001 e 2007 - confirmando a responsabilidade humana no aumento do efeito estufa responsável pelo aquecimento constatado no século XX, sobretudo através da emissão de gases como o dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4).

- 1992: Adoção no Rio da da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC) pela qual os 192 Estados participantes, hoje signatários, se declaravam "resolvidos a preservar o sistema climático para as gerações presentes e futuras".

- 1997: Conclusão do Protocolo de Kyoto ratificado por 183 Estados. Entrando em vigor em fevereiro de 2005, impõe a 37 países industrializados e à União Européia objetivos de reduções das emissões dos seis principais gases de efeito estufa entre eles o CO2, além do metano, óxido nitroso e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6) no período 2008-2012.

- 2001: Os Estados Unidos, responsáveis por um quarto das emissões mundiais dos Gases de Efeito Estufa, rejeitam o Protocolo de Kyoto que consideram muito caro para a sua economia e "injusto", uma vez que nem a China nem os grandes países emergentes se submeteram às obrigações de redução desses gases.

Os Estados Unidos são hoje o único país industrializado a não ter ratificado o protocolo de Kyoto.

- 2007: O 4º relatório do IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas. Nesse cenário, um terço das espécies do planeta estaria ameaçada. Populações estariam mais vulneráveis a doenças e desnutrição.

O grupo também calcula que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados refugiados ambientais - pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em conseqüência da piora do meio ambiente.

A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes.

Link: http://mail.google.com/mail/?shva=1#inbox/11df278bd0860169

Desmatamento da Mata Atlântica pode ter contribuído para tragédia em SC

O desmatamento da Mata Atlântica pode ter contribuído para a tragédia causada pelas chuvas em Santa Catarina. É o que avalia o professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina, Lino Brangança Peres.

“As árvores foram substituídas por casas e vegetação rasteira, o que contribuiu para a erosão. Esses deslizamentos aconteceriam mais cedo ou mais tarde, as fortes chuvas desses dois meses apenas aceleraram esse processo”, explica.

A floresta cobria uma área de aproximadamente 1,29 milhão de quilômetros quadrados, em 17 estados brasileiros, incluindo Santa Catarina. O bioma ocupava cerca de 15% do território nacional. Atualmente, apenas 7% desse total permanece intacto.

O desmatamento da Mata Atlântica está diretamente ligado à expansão das cidades brasileiras. E, na opinião do professor, a ocupação desordenada dos municípios pode ser outro fator para a catástrofe no Vale do Itajaí.

“Choveu muito acima da média, mas isso é apenas parte do problema. O modelo de ocupação irregular das cidades do Vale do Itajaí contribuiu para que isso acontecesse. E tudo com a conivência do poder público”, explica o professor.

Segundo Peres, as primeiras residências na região surgiram durante o século 19, época da imigração de europeus para o Brasil, próximas aos rios. No século 20, as pessoas passaram a ocupar os morros e as encostas. “O planejamento municipal começou muito tarde no Brasil, na década de 70, quando as cidades já tinham crescido”, conta.

A solução, na avaliação do urbanista, é o governo realocar a população dos morros e encostas para outros locais mais seguros. “O problema é que boa parte das áreas adequadas já foram ocupadas”, ressalta.

(Fonte: Antonio Trindade / Rádio Nacional)

Link: http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=42275