quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL: Grito de coração pela Amazônia

Um cartaz formado por mais de mil pessoas, que fotografadas do ar enviará ao mundo a mensagem “SOS Amazônia”, constitui a primeira ação dos indígenas horas antes de ter início, hoje, em Belém do Pará, a nova edição do Fórum Social Mundial.

Este gesto reflete “nossa preocupação com o aquecimento da Terra, cujos impactos seremos os primeiros a sofrer, apesar de nós, os povos amazônicos, protegermos e cuidarmos das florestas”, disse à IPS Francisco Avelino Batista, indígena apurinã, da bacia do rio Purus, na Amazônia.

“Erguemos nossa voz para despertar o mundo, especialmente os países ricos que estimulam a destruição”, acrescentou Edmundo Omoré, um xavante do Mato Grosso, na fronteira entre a Amazônia e o Cerrado, a savana que ocupa a região central do País. Ambos fazem parte da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), que junto com a Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), com sede em Quito, lideram a “Mensagem do coração da Amazônia”.

Quase 1.300 indígenas de aproximadamente 50 países - a grande maioria, claro, do Brasil - pretendem se destacar no debate sobre seus direitos como povos originários e sobre a preservação do meio ambiente, ao participar desta nona edição do FSM, que vai até domingo nesta capital de 1,4 milhão de habitantes, porta nordeste da entrada para a Amazônia. A participação indígena tem precedentes no Fórum Social Mundial, mas desta vez buscou uma presença muito maior. No final chegarão cerca de dois mil, pois dificuldades financeiras para pagar o transporte impediram a presença de participantes de outros países e de locais distantes do Brasil.

Além da sede do FSM, as crises que o mundo enfrenta “criam um momento especial” para um protagonismo dos povos originários, que além dos indígenas compreendem os quilombolas (membros de comunidades afro-brasileiras) e outras comunidades autóctones, segundo Roberto Espinoza, assessor técnico da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (Caoi). Trata-se de “uma crise de civilização”, definiu Espinoza, indicando que os graves problemas econômico, energético e alimentar, bem como as ameaças climáticas são partes de um mesmo assunto.

Nessa situação, os indígenas devem ter uma participação política de fato, não “como folclore ou fator cultural”, disse à IPS este especialista que é um dos coordenadores da presença indígena no FSM. Nesse sentido, tem grande importância a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela Organização das Nações Unidas, que não pode ser encarada como um documento “lírico” e cujas regras devem ser obrigatórias como as do Convenio 169 da Organização Internacional do Trabalho, afirmou Espinoza. Sua expectativa para este Fórum Social Mundial é que dele surja um acordo de mobilização, semelhante ao alcançado em 2003 contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Desta vez se pretende que seja em “defesa da Mãe Terra e contra a mercantilização da vida”, somadas a causas especificas de cada povo, como a luta contra represas hidrelétricas no Brasil, que inundam grandes extensões de florestas amazônicas e expulsam povos ribeirinhos. É natural que a voz dos povos originários repercuta mais em questões ambientais, diante da “possibilidade de catástrofes climáticas próximas” e das disputas por recursos naturais, que não afetam apenas os indígenas, mas a própria sobrevivência da humanidade, reconheceu Espinoza.

Os temas indígenas e ambientais serão mais visíveis ainda nas atividades de amanhã, já que será um dia dedicado à Amazônia, como fora de revitalizar o Fórum Social Pan-amazônico, inativo desde 2005. Lançar uma campanha dos povos amazônicos, “que querem uma sociedade que entenda seu valor e o que a terra significa pare eles”, é uma proposta a ser discutida no FSM, segundo Miquelina Machado, da etnia tucano, dirigente da Coiab.

Isso é necessário para “maior equilíbrio com a natureza”, justo quando os planos de crescimento econômico do Brasil e de integração física sul-americana impulsionam projetos de “fortes impactos na Amazônia e na região da cordilheira dos Andes”, disse Miquelina à IPS. “As hidrelétricas inundam terras e destroem biodiversidade”, citou como exemplo, lamentando que as tentativas de barrar a construção de estradas que causam grande desmatamento foram frustradas nos tribunais “que têm mais poder”. A presença anunciada dos presidentes de países amazônicos, como Luiz Inácio Lula da Silva, o boliviano Evo Morales e o venezuelano Hugo Chávez, além do paraguaio Fernando Lugo, deverá ampliar a repercussão deste FSM, tomara que em favor dos povos amazônicos, concluiu Miquelina.

A voz indígena deve ser ouvida porque “somos nós que nascemos e crescemos no meio da floresta”, com um modo de vida oposto ao da “ambição do capitalismo, que não beneficia a todos”, afirmou, o xavante Omoré. Além disso, “por sermos os primeiros a sofrer os impactos” da mudança climática. Os ricos podem amenizar o calor com aparelhos de ar-condicionado e comprar alimentos nos supermercados, mas “nós dependemos da pesca nos rios e dos animais da floresta, e por isso nos preocupa o futuro que é de todos”, disse, por sua vez, o apurinã Batista.

Por Mario Osava

Fonte: IPS-Inter Press Service International Association

Link: http://www.ips.org/

  • Nota do Blog

    Puxa..., como gostaria de estar presente no FSM, principalmente porque é em Belém do Pará, terra do açaí, do tacacá, de morenas maravilhosas, terra da Lerita, da Anamaria, Patita e Jaqueline, todas com a filharada, netas e netos bonitos!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Custo de reduzir CO2 drasticamente é 1% do PIB mundial

BRUXELAS - Reduzir rapidamente as emissões de gases causadores do efeito estufa ao longo da próxima década custaria menos de 1% do PIB mundial até 2030, diz uma relatório da consultoria McKinsey & Co.

"Financiar os custos globalmente parece administrável", diz o relatório, patrocinado pelo grupo ambientalista WWF. O preço estimado do esforço seria de US$ 256 bilhões a US$ 448 bilhões ao ano até 2030 quando, calcula-se, o PIB global atingirá US$ 77 trilhões.

Agir significará investimentos adicionais de US$ 678 bilhões, em 2020 e US$ 1,04 trilhão em 2030, dizem os especialistas, alegando que os custos serão retomados como economia de energia no futuro.

"O custo líquido acabará abaixo de 1% do PIB global", dizem os autores do trabalho.

Os autores dizem ter trabalhado com dez grandes corporações - incluindo Shell e Volvo - e com organizações sem fins lucrativos para calcular como o mundo poderia cortar CO2 suficiente para manter o aquecimento global abaixo de 2º C.

Eles defendem uma grande economia de energia com a produção de carros, edifícios e ma´quinas mais eficientes que poderiam, um dia, cortar pela metade o consumo global de eletricidade.

O economista Nicholas Stern estimou, em 2006, que uma mudança climática descontrolada poderia custar de 5% a 20% do PIB global a cada ano.

As Nações Unidas realizarão conversações entre governos de vários países sobre a mudança climática em dezembro deste ano, em Copenhague. O objetivo é chegar a um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Fonte: O Estadão

Nota do Blog:
  • Valorar os componentes do ambiente e seu efeito a curto, médio e longo prazos para os seres vivos é exercício dos mais complexos. Um desafio que está sendo levado a efeito por estudiosos dos quatro cantos da Terra. E temos à disposição um montão de teses acerca do tema. Pois estimar valor para o papel exercido pela Amazônia para o planeta, assim como os danos reais causados pela poluição à vida é obra para poucos. Na verdade é investimento na qualidade de vida no planeta. Contudo, estamos avançando.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL EM BELÉM DO PARÁ

Brasília - A crise econômica mundial, os problemas ambientais e a situação das minorias que habitam a Amazônia devem dominar as discussões do Fórum Social Mundial (FSM), que começa no próximo dia 27 em Belém - PA (foto). Essa é a nona edição do evento que acontece anualmente desde 2001.

O FSM é realizado sempre em janeiro na mesma data em que na Suíça ocorre o Fórum Econômico Mundial de Davos. É por essa razão que no início era conhecido com anti-Davos. A Carta de Princípios do Fórum define o evento como "um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, voltado para o debate democrático de idéias e a formulação de propostas para superar o processo de empobrecimento gerado pela globalização”.

A primeira edição foi realiza em 2001, em Porto Alegre (RS). A capital gaúcha foi sede do FSM também em 2002, 2003 e 2005. Em 2004, a quarta edição do evento ocorreu na Índia. Em 2006, o Fórum foi realizado em três países simultaneamente: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (América). Em 2007, voltou a ser centralizado, dessa vez no Quênia (África). Em 2008, o Fórum foi transformado em um Dia de Ação de Mobilização Global, realizado em 26 de janeiro em mais de 80 países, com cerca de 800 atividades e manifestações auto-gestionadas.

O número de participantes cresce a cada edição. A expectativa para esse ano é que Belém receba 120 mil participantes. Na primeira edição, em 2001, foram 20 mil participantes. Nas duas seguintes o evento reuniu respectivamente 50 mil e 100 mil pessoas. O recorde foi em 2005, em Porto Alegre, com 155 mil participantes.

O Fórum Social Mundial é organizado por um comitê internacional formado por organizações da sociedade civil e movimentos sociais de todo o planeta. Sob o slogan “um outro mundo é possível”, o evento é considerado “altermundista”, já que busca uma nova ordem econômica e social para todo o planeta.

Fonte: Jornal da Mídia
Link:http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2009/01/18/Brasil/Crise_mundial_meio_ambiente_e_min.shtml

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Código Florestal não está a salvo

Carlos Minc (Meio Ambiente) defendendo a retomada das discussões que podem trazer profundas mudanças no Código Florestal não chega a surpreender. Afinal, como disse um ambientalista ouvido pelo O Eco, "o que ele mais gosta de fazer é mediar conversas, para sair por cima". Mas o buraco é mais embaixo. Minc havia feito acordo com ruralistas para obter seu apoio inequívoco e encarar o espinhoso debate. Com a puxada de tapete de Reinhold Stephanes (Agricultura) e a desistência de ambientalistas, ainda no fim de 2008, o ocupante da pasta ambiental sentiu-se isolado e, frente às pressões internas de governo, disse ontem acreditar no “bom senso” para dar continuidade às negociações.

Com o rompimento dos partidários do agronegócio, fica clara a opção desses pelas negociações e negociatas no parlamento. Logo, o Congresso deve pegar fogo em 2009. E não só pelos mais de 20 projetos de lei na Câmara propondo alterações no código florestal. A crise econômica pode refletir em menos créditos e investimentos no segmento ruralista e este ano será de maior produção legislativa (não há eleições e deputados precisam marcar gols com vistas em sua reeleição). Ainda, devem valer com mais força as regras do Conselho Monetário Nacional que restringem a concessão de créditos à regularização ambiental de propriedades na Amazônia, sem falar na necessidade de registro de reservas legais em cartório, definida em lei em julho passado.

Tantas regras a serem cumpridas só podem desagradar ruralistas que até hoje pouco respeitaram a legislação. Será que Minc tentará um "dois prá lá, dois prá cá" com os representantes do agronegócio? O Código Florestal que se cuide.

Abaixo, conheça as principais prostostas de alteração ao código, um pacote que ofende o interesse público, a legalidade e os agricultores que cumprem com a mesma. Vejamos:

1) Anistia geral e irrestrita para as ocupações irregulares em Área de Preservação Permanente existentes até 31 de julho de 2007 - incluindo topos de morros, margens de rios, restingas, manguezais, nascentes, montanhas, terrenos com declividade superior a 45º. Isso comprometeria não apenas os recursos hídricos, mas até mesmo os próprios ocupantes de áreas de risco, em função de enchentes e desmoronamentos como aqueles vistos em Santa Catarina.
2) Redução dos percentuais de reserva legal na Amazônia sem a realização do zoneamento ecológico-econômico, instrumento previsto por lei para garantir a adequação das ocupações do solo rural, um dos poucos elementos de consenso entre ruralistas e ambientalistas até o momento. Enquanto o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas propõe a necessidade de recuperação de mais de 100 milhões de hectares de pastos abandonados ou degradados, o
Ministério da Agricultura cogita a consolidação de ocupações independentemente da confirmação da aptidão do solo.
3) Escambo de áreas desmatadas na Mata Atlântica ou no Cerrado por floresta na Amazônia, quebrando por completo a lógica prevista na Lei da equivalência ecológica na compensação de áreas e permitindo a consolidação de grandes extensões de terra sem vegetação nativa, o que se agrava com a consolidação de todas as ocupações ilegais em área de preservação permanente até 2007 e citada acima.
4) Possibilidade, para os estados, de reduzir todos os parâmetros referentes às áreas de preservação permanente, acabando com o piso mínimo de proteção estabelecido pelo código florestal, o que pode ensejar mais desmatamento em todos os biomas no Brasil e a competição pela máxima ocupação possível.

A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária é uma verdadeira bomba relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis.

Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional.

As organizações ambientalistas abaixo assinadas acompanharam as duas primeiras reuniões do grupo de trabalho formado pelos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário acreditaram na seriedade e no compromisso do grupo para com a produção agrícola sustentável no país e propuseram soluções viáveis de interesse geral. Agora, em respeito à sociedade nacional, às vitimas atuais e futuras do desflorestamento e aos produtores rurais que vêm cumprindo a lei, se retiram do referido grupo e denunciam mais uma iniciativa unilateral e desprovida de base técnica e jurídica.

O fato que esta iniciativa seja oriunda do próprio poder executivo federal, contrariando o anúncio do chefe do executivo, requer que o Presidente crie condições para discutir, com legitimidade e
equilíbrio, como aprimorar e implementar melhor o código florestal, para que possa mais efetivamente contribuir para o desmatamento zero.
Assinam o documento:

Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
IMAZON
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto Socioambiental (ISA)
IPAM
TNC Brasil
WWF - Brasil

Fonte: O ECO

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A grande chance dos EUA

Hoje, 20 de janeiro de 2009, os Estados Unidos estão em festa. A esperança está viva. O seu povo organizado (e desorganizado) ousou mudar, ousou mudar radicalmente. E essa mudança, caso vá ao encontro dos anseios da grande maioria das pessoas de bem de todos os outros países, representará um salto de qualidade jamais experimentado.

É importante ressaltar que todos nós esperamos que o congresso dos EUA respeite esse anseio dos estadunidenses e dos que torcem para que esse grande Estado faça jus ao seu título de defensor da democracia no mundo, referendando as propostas qualitativas do seu novo mandatário.

Hoje, a maioria dos que estão atentos e participam direta e indiretamente da construção de democracias pelo mundo a fora oram para que Deus ilumine a todos os povos que vêm sofrendo ao longo dos últimos oito anos com o pior dos governos, o governo da intolerância, agraciando com brilho o novo governo. Um governo que contribua verdadeiramente para a construção da paz e da democracia no mundo.

Nós estamos na torcida, Senhor Obama, estamos na torcida e compreendemos que a tarefa é árdua, complexa e que precisa de tempo, um bom tempo para gerar bons e saudáveis frutos. Mas, acima de tudo, estamos na torcida. Nós, os habitantes e lutadores de todos os continentes do planeta, nós que somos de várias formas afetados ou contemplados pelo modo de condução desse rico e democrático país chamado Estados Unidos da América.

Que Deus abençoe a Barack Hussein Obama, aos EUA e a todos nós!

Miguel Antonio Brandt Cruz (da capital do planeta: Manaus - AM)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Econegócios: Colapso econômico e empregos ambientais

A grande preocupação dos governos, diante da crise econômica, é com os empregos. É compreensível que essa seja a prioridade, embora eu desconfie que os políticos, secretamente, estejam realmente preocupados é com a queda na receita de impostos, os quais sustentam verdadeiras máquinas de desperdício de dinheiro público. No Brasil, isso é flagrante.

As primeiras medidas adotadas pelos governantes visam estimular o consumo, o máximo possível e de qualquer coisa (pouco importa se útil ou não). Entre essas medidas encontra-se o incentivo à compra de carros, uma iniciativa irrefletida, pois a fabricação de automóveis emprega bem menos operários por unidade de investimento do que vários outros segmentos econômicos mais sustentáveis.

O governo brasileiro retirou os impostos dos carros mais baratos, naturalmente com o objetivo primordial de entulhar de vez as ruas das médias e grandes cidades brasileiras. Para os políticos brasileiros e, pelo jeito, para uma porcentagem expressiva da população, a poluição do ar das grandes cidades e a sua contribuição ao efeito estufa são questões desprezíveis, assim como as muitas milhares de horas mensais de trabalho perdidas em engarrafamentos e os decorrentes custos econômicos e de saúde pública.

Esse modelo de desenvolvimento, que é ainda perseguido praticamente no mundo todo, baseado no consumo intenso (e crescente) de mercadorias industriais, é claramente insustentável e apresenta uma relação custo-benefício bastante desfavorável, pois é baseado na produção de bens com alta demanda de recursos naturais e baixa oferta de empregos.

É fácil ilustrar o equívoco das políticas destinadas a minimizar o desemprego. Por causa do enorme aumento de produtividade por trabalhador, a indústria manufatureira norte-americana, por exemplo, perdeu 9% dos seus empregos entre 1967 e 2001, mas no coração da produção industrial do país – o nordeste e o meio-oeste – a perda ultrapassou os 40%. Será que nesse período a economia americana sofreu recessão? Longe disso, expandiu-se em mais de 183%.

Esse processo é muito similar ao declínio histórico da mão-de-obra no campo, no qual um número cada vez menor de pessoas é responsável por uma produção crescente de alimentos. Apesar de variadas questões econômicas também influenciarem o mercado de trabalho, o fato é que o desenvolvimento tecnológico tem proporcionado às empresas a oportunidade de aumentar o lucro enquanto reduzem o contingente de trabalhadores. No último terço do século XX, a indústria norte-americana perdeu 2,5 milhões de empregos.

Em 2006, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) anunciou que o desemprego afetava 192 milhões de trabalhadores, apesar da expansão de 4,3% da economia global. Se o sub-emprego for também considerado, esse montante sobe para cerca de um bilhão de pessoas.

Um das poucas e melhores opções para se reduzir as conseqüências dessa mazela social é a criação de “empregos ambientais”. Investimentos na proteção do meio ambiente, além de vários outros benefícios óbvios, promovem uma grande demanda de mão-de-obra, em geral mais duradouros do que os empregos em outros setores da economia.

Medidas de proteção contra os impactos do aquecimento global envolvem investimentos de larga escala em novas tecnologias, equipamentos, imóveis e infra-estrutura, criando grandes oportunidades para a manutenção e a transformação dos empregos existentes.

As indústrias de energia renováveis estão entre as de maior crescimento do setor industrial. A de energia eólica emprega, no mundo, em torno de 300 mil trabalhadores, a de energia solar fotovoltaica 170 mil e a solar térmica acima de 600 mil. Mais de um milhão de empregos são encontrados na florescente indústria de biocombustíveis.

A climatização de imóveis, ou seja, a adaptação das construções a sistemas e métodos que aumentem a eficiência energética, executada em 200 mil apartamentos da Alemanha, entre 2002 e 2004, criou 25 mil novos empregos e ajudou a manter 116 mil postos de trabalho existentes.

Como bem lembra o Worldwatch Institute em uma de suas publicações, o setor de transporte é uma das bases da economia moderna e, naturalmente, uma das principais causas de degradação do ambiente natural. Apesar disso e do fato de que representa apenas 3,1% dos empregos no setor automobilístico mundial, a mão-de-obra na fabricação de veículos relativamente verdes (híbridos, elétricos) utiliza aproximadamente 250 mil profissionais e encontra-se em notável expansão.

Prevê-se que a substituição, em 2009, de 6.100 velhos ônibus poluentes por outros movidos a gás natural comprimido (ônibus híbridos-elétricos), em Nova Delhi, Índia, criará 18 mil novos empregos.

Na área de reciclagem e refabricação, milhões de empregos são criados, no mundo inteiro. Calcula-se que na China cerca de dez milhões de pessoas trabalhem nessas atividades e, nos Estados Unidos, mais de um milhão. No Brasil, que apresenta um dos mais altos índices de reciclagem de latas de alumínio, estima-se que cerca de 170 mil pessoas trabalhem na coleta desse material e 500 mil no setor de reciclagem como um todo.

A produção de alimentos em áreas urbanas reduz expressivamente o custo e a quantidade de desempregados nas cidades, além de utilizar bem menos produtos químicos e evitar o transporte de média e longa distâncias, reduzindo assim a emissão de gases e partículas na atmosfera. Cuba criou 160 mil empregos nesse setor nos últimos anos.

Muitas outras atividades de conservação da qualidade ambiental e, consequentemente da qualidade de vida humana, requerem, de forma crescente, novos trabalhadores. Embora a agricultura orgânica ainda seja limitada, é uma atividade que demanda intensivamente mão-de-obra.

Além da citada produção urbana de alimentos, tratamento de efluentes, controle de poluição atmosférica, reflorestamento e arborização urbana estão também em alta. Mais de um bilhão de pessoas depende de atividades florestais não-madeireiras.

Os esforços para se enfrentar o fantasma do desemprego devem ser concentrados na área ambiental. Para tanto, não é necessário mais do que vontade política e um pouco de imaginação...

Carlos Gabaglia Penna ( Portal O Eco)
  • Nota o Blog:
O ecoturismo é também uma importante fonte geradora de empregos e que agrega valor a dezenas de outros setores econômicos.

Os governos federal, estadual e municipal de nosso país deveriam empenhar-se com mais afinco no estimulo à qualificação de mão-de-obra para atender à demanada crescente do setor no cenário mundial. Até porque é nossa maior vocação.

Energia sustentável: Pesquisa produz etanol de mandioca para uso comunitário

Um estudo pode tornar viável a produção de etanol a partir da mandioca açucarada, que está sendo pesquisada como matéria-prima para o etanol pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) biotecnologia, Luiz Joaquim Castelo Branco Carvalho. O intuito é facilitar a produção e o consumo local do etanol na Amazônia, principalmente no Pará.

A mandioca açucarada é uma boa matéria-prima para o combustível porque elimina algumas etapas na produção, simplificando o processo, utilizando menos energia e, consequentemente, menos recursos financeiros.

O diferencial está na forma como o açúcar é encontrado na mandioca. Para produzir o etanol, a açúcar tem que estar na forma de glicose. Na cana-de-açúcar, por exemplo, ele se encontra em forma de sacarose, e é preciso transformá-lo em glicose para depois produzir o álcool. Na mandioca açucarada, o açúcar já é encontrado como glicose.

Segundo Carvalho, a pesquisa está em fase de teste do produto para escala industrial. O pesquisador explica que o objetivo é a produção em microdestilarias, voltada para o consumo regional. "A ideia não é comercializar esse etanol da forma como se faz com o etanol de cana, mas que seja para uso local, como por exemplo para motores de barcos".

Vantagens ambientais
O pesquisador explica que a região ideal para a produção do etanol de mandioca açucarada é a Amazônia, mas a pesquisa também estuda produzir no Cerrado. "Em Belém, já produzimos 40, até 60 toneladas de raiz por hectare. É a melhor produtividade que tivemos. No Cerrado, conseguimos 10 toneladas por hectare", explica.

Apesar de produzir etanol na Amazônia, Carvalho acredita que essa produção não vai estimular o desmatamento. "Acredito que não teremos derrubada de florestas, porque não vamos precisar de grandes áreas de plantio. Por isso que nossa preocupação é em produzir para microdestilarias, para uso local e comunitário", diz.

Além disso, a mandioca açucarada apresenta vantagens do ponto de vista ambiental, se comparada com a cana-de-açúcar. Uma das vantagens é não ter necessidade de queima, como ocorre nos canaviais. "Outro exemplo é que a cana exige muito fertilizante e herbicida. No caso da mandioca, a agricultura é muito mais amigável ambientalmente", conclui.

Bruno Calixto

Fonte: Amazonia.org.br

Ecologicamente correto: Celulares "verdes" são tendência para 2009

O Greenpeace divulgou nesta semana o relatório "Green Electronics: The Search Continues", que aponta os eletrônicos mais ecológicos do mercado, levando em conta aspectos como gasto de energia, reciclagem e toxicidade dos químicos usados na fabricação dos aparelhos. O título de "celular mais verde" ficou com o modelo F268 da Samsung, que não contém materiais tóxicos como o PVC.

A "onda verde" tem crescido com força entre as fabricantes de telefones celulares. Recentemente, durante a CES 2009, a Motorola apresentou o W233, feito a partir de garrafas plásticas recicladas. A Samsung também tem explorado materiais alternativos - o modelo W510, por exemplo, é feito de materiais naturais extraídos do milho.

Em alguns casos, o cuidado não fica restrito aos aparelhos: o Nokia 3110 Evolve, por exemplo, usa materiais recicláveis também em sua embalagem. O Samsung F268, primeiro colocado no ranking de celulares ecológicos do Greenpeace, assim como todos seus acessórios, não é feito com PVC ou BFRs (retardantes de chamas à base de bromo), substâncias prejudiciais ao meio-ambiente e que costumam ser usadas na fabricação de celulares.

Para o Greenpeace, a maioria dos aparelhos submetidos a avaliação mostra que é possível diminuir consideravelmente o uso de substâncias tóxicas em sua fabricação.

No relatório, a organização ambientalista internacional observa que houve grandes avanços no desenvolvimento de celulares "verdes", principalmente em relação ao uso de químicos, uma tendência que deve crescer em 2009.

Fonte: Portal Terra

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Estudo quantifica emissões de gases pelo uso do Google

Da BBC News - Duas buscas no Google produzem a mesma quantidade de gases do efeito estufa que ferver água em uma chaleira elétrica, segundo um acadêmico da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

A conclusão faz parte de um estudo do físico americano Alex Wissner-Gross,que realizou pesquisas sobre o impacto ambiental do uso do Google.

Cientistas em todo o mundo estão preocupados com o impacto ambiental do uso de equipamentos eletrônicos.

Em um comunicado, o Google disse estar considerando a questão "seriamente", acrescentando que "a energia usada a cada pesquisa no Google é mínima".

Uma pesquisa recente estimou que o setor global de tecnologia da informação gera tantos gases do efeito estufa quanto todas as companhias aéreas juntas.

O estudo de Wissner-Gross afirma que uma busca típica no Google em um computador de mesa gera cerca de 7 gramas de dióxido de carbono.

Para ferver água em uma chaleira elétrica, são emitidos cerca de 14 gramas de dióxido de carbono, ou o equivalente a duas buscas no Google, segundo o físico americano.

Eletricidade Wissner-Gross argumenta que essas emissões de carbono derivam da eletricidade usada pelo terminal de computador e pela energia consumida pelos grandes centros de dados operados pelo Google em todo o mundo.

Eletricidade
Wissner-Gross argumenta que essas emissões de carbono derivam da eletricidade usada pelo terminal de computador e pela energia consumida pelos grandes centros de dados operados pelo Google em todo o mundo.

Apesar de o sistema de buscas americano ser reconhecido pelos seus resultados rápidos, Wissner-Gross diz que ele somente consegue isso porque usa vários bancos de dados ao mesmo tempo, produzindo mais dióxido de carbono que alguns de seus competidores na internet.

Segundo o acadêmico, para cada segundo conectados à internet, geramos 0,02 grama de emissões de carbono.

Isoladamente, esse número pode não parecer muito, mas a cada dia são feitas cerca de 200 milhões de buscas na internet.

O Google disse que à medida que os computadores passam a representar uma parte maior nas vidas das pessoas, estas também consomem cada vez mais energia. Mas, em seu comunicado, a empresa diz estar considerando esse impacto com seriedade.

A empresa disse ter desenvolvido "os centros de dados mais eficientes do mundo em termos do uso de energia".

"De fato, no tempo que leva para fazer uma busca no Google, seu computador pessoal vai usar mais energia do que nós usamos para responder à sua questão", afirma o comunicado.

Fonte: AmbienteBrasil

Sem chuva da Amazônia, SP vira deserto

São Paulo tem vocação natural para deserto. Só não é terra seca porque existem os Andes e a Amazônia. “Os Andes não vão sair de lá, a não ser que aconteça um cataclisma. Mas destruir a Amazônia para avançar a fronteira agrícola é dar um tiro no pé do agronegócio.” O agrônomo Antonio Nobre, 50 anos, 22 deles vividos na Amazônia e autor da frase acima, tem se dedicado a estudar e dar visibilidade aos trabalhos de colegas sobre o regime de chuvas no país, uma área difícil, de poucos dados, e fundamental no horizonte do aquecimento global. “A Amazônia é uma bomba hidrológica gigantesca que traz a umidade do Oceano Atlântico para dentro do continente e garante que a região responsável por 70% do PIB da América do Sul seja irrigada”.

Antonio Nobre, pesquisador do Inpe: “Temos cinco ou seis anos para impedir que uma catástrofe maior se estabeleça

Antonio Nobre vem de família rara. O pai era jogador de futebol, a mãe, pintora. Criaram seis filhos com DNA dominante de cientista. O irmão mais velho é Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas do país. Paulo estuda como a destruição da Amazônia afeta os oceanos e é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde também trabalham Carlos e Antonio. Outro irmão é professor da Fundação Getúlio Vargas, o caçula faz doutorado em ecoturismo no Colorado (EUA). A única mulher do time é psicóloga e astróloga - “faz pesquisa no sutil”, diz Antonio, casado com uma pesquisadora do Inpe.

Com mestrado em biologia tropical pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (o Inpa, de Manaus), e doutorado em biogeoquímica pela Universidade de New Hampshire, há cinco anos Antonio é o homem do Inpa dentro do Inpe. Em sua sala em São José dos Campos (SP), rodeado por quadros da mãe, busca conectar a experiência amazônica com o que os satélites enxergam do espaço. Como todos os cientistas que se dedicam à mudança climática, o que vê não é promissor. “Temos cinco ou seis anos para impedir que uma catástrofe maior se estabeleça.”

Entre os mais novos estudos que vem recolhendo sobre o regime das chuvas, há dados impressionantes. A Amazônia evapora, em um único dia, 20 bilhões de toneladas de água. “Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra”, diz Antonio, comparando o potencial de chuvas da Amazônia às 17 bilhões de toneladas de água que o Amazonas lança todos os dias no Atlântico. “Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava”, diz ele. “Estudos mostram que, nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 500 km, 2 mil km; nas regiões do mundo onde ela foi tirada, dentro do continente é deserto”, explica.

O cientista lembra que as primeiras conseqüências do desmatamento já são sensíveis. Em Tocantins, Pará e Mato Grosso já se detectam temperaturas muito altas. O Rio Grande do Sul está perdendo safras. “Não é para parar com o desmatamento da Amazônia em 2015. Era para parar ontem. Tem que ser zero, nenhuma árvore mais derrubada. Precisamos replantar a floresta.” Aqui, Nobre explica como chuvas, ventos, oceanos e florestas estão interligados e por que alterar este equilíbrio pode trazer danos irreversíveis à vida:

Valor: Como o senhor interpreta as chuvas que castigam Santa Catarina, Minas, Espírito Santo?

Antonio Nobre: O único comentário que tenho é que lamentavelmente isso pode ser fichinha diante do que está vindo. Eventos extremos sempre aconteceram, mas a Terra tem mecanismos de atenuação. Agora, como a humanidade tem perturbado esses mecanismos, estamos tendo um aumento de freqüência desses eventos. Professores da Universidade Federal de Santa Catarina disseram que o sofrimento que esta chuva produziu é quase 100% responsabilidade da forma como foi feita a ocupação naquela região. É o mesmo que acontece em Minas, no Rio e está sendo imposto na Amazônia. Um sofrimento decorrente de construir em encostas íngremes, de cortar floresta e deixar a região fragilizada. O problema não é da natureza, é humano. Santa Catarina é uma região propensa a esse tipo de evento, infelizmente. Mas também é uma prova da falência do sistema político brasileiro, que só atende ao imediatismo. O Código Florestal, desrespeitado, é de 1965 e nem leva em consideração as mudanças climáticas. Se levasse, seria muito mais restritivo, porque só temos cinco ou seis anos para impedir que a catástrofe maior se estabeleça sem chance de retorno.

Valor: O Brasil está enxergando a Amazônia com outros olhos?

Nobre: O imaginário coletivo coloca nas florestas tropicais de modo geral, e na Amazônia, de modo particular, a sensação de algo de muito valor, de coisa grandiosa, mística. A Amazon.com não escolheu seu nome à toa. As pessoas atribuem esse valor ao sentido de paraíso perdido, de riqueza, de vida. Isso é senso comum. Exceto por um povo no mundo: o brasileiro.

Valor: Por quê?

Nobre: Porque o brasileiro médio acha que está deitado eternamente em berço esplêndido. E ele entende por isso vastas áreas propícias para agricultura, chuvas plenas, clima ameno, rios caudalosos que permitem geração de energia, um eldorado de minerais e agora o petróleo. É um país abençoado. Isso define a visão ufanista de que temos valores extraordinários no Brasil.

Valor: E não é assim?

Nobre: Analise o que falei: área para agricultura, água nos rios para energia, biocombustíveis, minerais, não tem nada vivo! Bem, a agricultura é viva, mas não é natural. O berço esplêndido do brasileiro é a terra aberta, não há registro da nossa herança viva. É a nossa visão cultural. O verde está lá, tremulando na bandeira, mas não o valorizamos.

Valor: Por que não?

Nobre: Várias razões. Uma é a que chamo herança maldita dos invasores. O europeu que chegava aqui, na colonização, era o que tinha de pior naquela sociedade. Mercenários que encontravam uma terra sem lei nem rei, onde havia uma floresta de vigor incrível, ouro, povos sem exército nem pólvora. Toda essa abundância ofertada obscenamente para pilhagem. E com o agravante da Igreja, que dizia que os povos da terra não tinham alma enquanto não fossem batizados. Portanto, o conhecimento da natureza que esses povos tinham valia zero. Assim se removeu o saber indígena do “pool” cultural do brasileiro e o pouco caso com o ambiente passou a fazer parte do nosso caráter.

Valor: Como se muda isso?

Nobre: Primeiro reconhecendo que tem carrapato em cima da vaca. Por que o brasileiro chama floresta de mata? Mata é coisa sem valor. Porque era assim para o invasor e nós perpetuamos a rapina. Continua ativa a mesma mentalidade, hoje disfarçada de direito, que faz parte do nosso sistema de valores, foi incorporada no governo e se disfarçou. Agora se chama desenvolvimento. Temos que reconhecer esse fardo ignaro e pensar positivamente para frente. Parar de brigar ambientalista com desenvolvimentista e redescobrir nossa identidade. O brasileiro tem uma reação forte contra pirataria: “Estão roubando os nossos bens”, diz, indignado. Mas um ataque sem precedentes aos biomas, com tratores e correntões, motosserra e fogo não desperta revolta. É claro que temos que desenvolver, precisamos de agricultura. O Blairo Maggi [governador do Mato Grosso e um dos maiores produtores de soja do mundo] perguntou outro dia se queremos árvores ou se queremos comida. É um dilema totalmente falso.

Valor: Por quê?

Nobre: Porque sem árvores não tem água e sem água não tem comida. Uma tonelada de soja consome várias toneladas de água para ser produzida. Quando exportamos soja, estamos exportando água doce para países que não têm esta chuva e não podem produzir. É o mesmo com o algodão, com o álcool. Água é o principal insumo agrícola. Se não fosse assim, o Saara seria verde, porque tem solos fertilíssimos.

Valor: As pessoas acreditam que chuva é um fenômeno eterno…

Nobre: Pois é. Mas pense numa caixa d´água. Se tem só um cano saindo e nenhum entrando, vai esvaziar. Os rios saem dos continentes e vão para o oceano. Precisa ter alguma volta de água ou seca o continente.

Valor: De onde vem essa água?

Nobre: Essa é uma pergunta que ninguém se faz. Aprendemos assim na escola: a água salgada do mar evapora pela ação do sol, o sal fica no mar e a água doce forma as nuvens. O vento sopra a umidade, chove no continente e a água volta para os rios.

Valor: Está errado?

Nobre: Então devia ter água em todos os continentes da Terra, mas existem desertos, não é? É só olhar o globo e ver que em toda a zona equatorial tem florestas. Ou tinha, as estamos destruindo. Mas nas áreas contíguas, a 30 graus de latitude norte e sul, existem desertos. O Kalahari, deserto da Namíbia, o Atacama, o Saara. Isso tem uma explicação, chama-se circulação de Hadley: a parte central do planeta recebe maior radiação solar, ilumina muito, é uma área muito quente, evapora muita água, a evaporação produz chuvas na região. A produção de chuva faz com que o ar circule assim: sobe no Equador e desce a uns 30 graus norte e sul. O ar que sobe, perde umidade, chove; quando desce rouba umidade da superfície e formam-se os desertos. Só há duas exceções, no Sul da China, um lugar atrás do Himalaia, e na região que produz 70% do PIB da América do Sul, o quadrilátero que vai de Cuiabá a Buenos Aires e de São Paulo aos Andes. Toda essa atividade econômica depende de chuva. Se prevalecesse a circulação de Hadley, seria deserto também. Teria floresta na Amazônia e aqui não teria nada.

Valor: E por que não é deserto?

Nobre: Por duas razões. Uma, publicada pelo José Marengo [outro especialista em clima, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe]. Se esta região deveria ser deserto e não é, tem algo na América do Sul que é diferente. O quê? Os Andes, uma parede de 6 mil metros de altura, que corta o continente até a Patagônia. Funciona assim: a massa de ar gira sempre de leste para oeste em cima do Equador e o vento sopra ao contrário na faixa entre a zona equatorial e a polar. A umidade do Atlântico entra sobre a Amazônia, a floresta a mantém, e se não existissem os Andes passaria direto ao Pacífico. Mas o ar bate na cordilheira e no verão consegue chegar ao sul e irrigar o nosso quadrilátero produtivo.

Valor: É uma chuva importante?

Nobre: Significa mais de 90% da chuva que cai na região. A transmissão de umidade da Amazônia para o centro agrícola da América do Sul é o que faz produzir e não deixa a área virar deserto. A condição dos Andes é importante, é por isso que o pessoal diz que o Acre é onde o vento faz a curva. Mas é o segundo fator que considero o mais importante: temos uma esponja verde como cabeceira de água na América do Sul, a floresta Amazônica. As árvores conseguem evaporar mais água do que os oceanos por unidade de área.

Valor: Como é esta comparação?

Nobre: Uma árvore grande, com copa de 20 metros, chega a evaporar 300 litros de água por dia. No oceano, 1 m2 é 1 m2 de superfície evaporadora. Mas 1m2 de floresta chega a ter 8, 10 m2 de folha. Evapora oito, dez vezes mais que o oceano. A floresta é como um radiador de automóvel, é um evaporador otimizado. As folhas são distribuídas em vários níveis por 40 m de altura. O vento vem, encontra a superfície cheia de galhos, faz turbulência, gira, entra pelo meio. Isso ajuda a remover umidade da superfície. Medimos o quanto a Amazônia evapora, é um número astronômico: 20 bilhões de toneladas de água em um dia. Para ter idéia do que é este volume, o rio Amazonas lança 17 bilhões de toneladas de água por dia no Atlântico. Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra.

Valor: É por isso que o senhor diz que avançar a fronteira agrícola para a Amazônia é dar um tiro no pé?

Nobre: Claro. A Amazônia é uma gigantesca bomba de água. A evaporação precisa do sol para acontecer. Calculamos quanta energia seria necessária para evaporar toda aquela água. Quantas Itaipus precisaríamos para evaporar um dia de água da Amazônia? Precisaríamos de 50 mil Itaipus a plena carga.

Valor: Como atua essa bomba?

Nobre: Cerca de 50% da chuva cai de novo na floresta. O fato de ela absorver essa energia toda na superfície e liberar em altitude, onde condensam as nuvens, produz circulação atmosférica. A floresta gera uma bomba que puxa o vento do oceano para dentro da terra. Chega este ar cheio de umidade, chove, a floresta evapora, o ar úmido continua seu caminho para dentro do continente, chove de novo. São 4 mil km até os Andes. Quando alcança os Andes, ainda está carregado de umidade, bate na cordilheira, desce e vai irrigar as plantações de soja do Centro-Oeste, Sudeste, Sul e segue. Estudos mostram que nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 2 mil km. Nas regiões onde foi tirada, lá para dentro do continente é deserto. As primeiras conseqüências do desmatamento já estão disponíveis. O Rio Grande do Sul já está perdendo safras. Se desmatarmos e enfraquecermos a bomba, a região toda vai secar, porque é seu destino natural.

Valor: A Amazônia, então, é fundamental para a agricultura?

Nobre: Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava. Tem outros fatores, também: a floresta faz chover. Essa foi uma descoberta fantástica do projeto LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na amazônia). Gotas precisam de alguma coisa sólida para se formarem, é fácil perceber quando se tira uma garrafa de refrigerante da geladeira e formam-se gotinhas em volta. A floresta emite vapores orgânicos para a atmosfera, que funcionam como sementes de nuvens. Mas precisa ser a quantidade certa para chover, se tiver demais não chove. A fumaça das queimadas introduz partículas demais na atmosfera, seca as nuvens e elas não chovem. Durante o período seco, das queimadas, a floresta sempre mantinha uma chuvinha que a deixava úmida e não-inflamável. Agora passam dois meses sem chover. A floresta começa a ficar muito seca e o fogo entra por ela. As árvores da Amazônia, diferente do Cerrado, não têm resistência ao fogo. Um fogo bobo mata todas as árvores que têm raízes rasas, e aquela floresta está condenada. Existem árvores imensas sendo destruídas assim.

Valor: Então é um mito que a Amazônia é muito forte?

Nobre: É forte quando o regime de chuvas está perfeito, mas com fogo, correntão e motosserra fica difícil. Em Tocantins, está dando 40 graus. No Pará e no Norte do Mato Grosso, registramos temperaturas muito altas. Cuiabá é quentíssima. Já está em curso um processo que a gente não sabe se é sem volta e temos que acabar com a hipocrisia que acende esse debate. Não é para parar com o desmate em 2015. Era para parar ontem, zero, nenhuma árvore mais derrubada. Temos que replantar a floresta.

Valor: O sr. faz uma espécie de militância científica?

Nobre: Foi o efeito da floresta no meu espírito. Eu me senti muito frustrado com tudo o que vivenciei na Amazônia. Tive uma fase de militância ambientalista, depois vi que temos que ter pé no chão e não falar só “não pode”. Mas, se destruirmos as florestas, vamos estourar o nosso sistema climático. A condição do sistema terrestre hoje é a de já estarmos na UTI com falência múltipla de órgãos. Isso é o aquecimento global. A queima de combustíveis fósseis tem papel importante, mas a destruição dos órgãos de manutenção do clima, florestas e oceanos é o principal fator para o descontrole global. Não adianta todos os carros virarem elétricos se continuarmos a desmatar.

Valor: Quem conhece as coisas da Amazônia?

Nobre: Os povos nativos, intuitivamente. Mas são desrespeitados, não são valorizados. Temos que considerá-los um dia, se quisermos ser uma grande nação. E existe o conhecimento científico disperso em uma enorme variedade de disciplinas. Eu sou um garimpeiro de pérolas, em diferentes áreas. É isso que faço, ligo uma coisa à outra.

Valor: O senhor é otimista sobre a nossa mudança de consciência?

Nobre: Não consigo ver a mudança sem passarmos, infelizmente, por uma catástrofe. Aqui, o crescimento sem controle do agronegócio está danificando o funcionamento hidrológico da América do Sul. Enquanto lá fora se fala em serviços ambientais, aqui é só agronegócio, aço, minério, assuntos do século XX. A gente só chega depois, temos mentalidade de colônia até hoje. Mas o mundo vai depender cada vez mais dos nossos serviços ambientais. O Brasil não é só grãos.

Por Davilym Dourado
Fonte: Imprensa MST / Valor Econômico

Matéria indicada por Regina Moniz Ribeiro
  • Nota do Blog

1. Na matéria original, estranhamente Amazônia está grafada com o A minúsculo. Fiz a devida correção.

2. Esta entrevista, cujo conteúdo científico tem ar de profecia, deveria ter sua síntese exibida em cartazes gigantes (outdoors) em São Paulo e pelo Brasil a fora.

3. Devemos estar vigilantes e sermos guardiões da vida no planeta. Para tanto, o nosso principal papel é o de lutar para que todos tenham compromisso com a conservação da Amazônia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Índice de Desenvolvimento da Família (IDF) aponta o nível de vida da população mais pobre e permite priorizar políticas sociais

As principais carências das 17,4 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais – base de dados usada pelo Bolsa Família e por outros programas do governo federal – referem-se ao conhecimento e ao acesso ao trabalho. É o que mostra o Índice de Desenvolvimento da Família (IDF), uma radiografia construída pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que pode se transformar numa importante ferramenta para promover a inclusão social da população de baixa renda.

O indicador, que varia de zero a um, traça um mapa em seis dimensões sobre as vulnerabilidades das famílias com renda per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar de até três salários. As dimensões abordadas são: composição familiar, acesso ao conhecimento, ao trabalho, disponibilidade de recursos, desenvolvimento infantil e condições habitacionais. Com a média de todos os indicadores chega-se ao IDF por família e por município.

A Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do MDS disponibilizou todos os dados, a Estados e municípios, no site do Ministério: http://www.mds.gov.br/. “Com o acesso, os governos terão a oportunidade de priorizar as famílias com menos escolaridade num projeto de qualificação e também em outras ações que poderão ser desenvolvidas segundo o perfil de necessidades de cada uma das famílias”, explica a secretária nacional de Renda de Cidadania, Lúcia Modesto. O nível de escolarização das famílias é uma das principais deficiências da população avaliada. O indicador médio nessa dimensão ficou em 0,36 numa escala que varia de zero a um.

O acesso ao conhecimento só perde para o acesso ao trabalho, que alcançou 0,21. “A principal necessidade dessa população é acesso ao trabalho qualificado”, afirma o pesquisador do Ipea, Ricardo Paes de Barros, que elaborou a metodologia para criação do índice. “Com esse indicador, o município poderá promover políticas para corrigir as deficiências das famílias”, observa o pesquisador. Para ele, o IDF mostrou que a pobreza é igual em qualquer parte do País. Seja em São Paulo, no Rio Grande do Sul ou no Acre os indicadores são semelhantes.

As surpresas positivas ocorreram nas dimensões do desenvolvimento infantil e condições habitacionais, com indicadores de 0,93 e 0,73, respectivamente. “Significa, por exemplo, que as crianças estão mais na escola e muitas fora do trabalho infantil”, avalia Lúcia Modesto. “O IDF aponta o nível de vida da população mais pobre e permite priorizar políticas destinadas a essas famílias”, justifica a secretária responsável pelo Programa Bolsa Família no Ministério do Desenvolvimento Social.

Após conhecer uma mostra do indicador, durante evento em Brasília (DF), a secretária de Assistência Social do Mato Grosso do Sul, Tânia Garib, aprovou o indicador. “Essa ferramenta é o sonho de todos nós. Do município e do Estado. Tantas vezes sonhamos com uma ferramenta desse tipo, que mostre onde tem trabalho infantil, onde falta conhecimento”.

O aplicativo e a base de dados do município estão disponíveis no site do MDS – www.mds.gov.br/bolsafamilia. Na página da Central de Sistemas (aplicações2.mds.gov.br/senarc), deve-se acessar a pasta Base de Dados IDF, em Downloads. Para baixar o arquivo, é preciso aceitar o termo de sigilo das informações do Cadastro Único. Só pode acessar a Central de Sistemas o gestor que tiver a senha específica requerida.

Fonte: site do MDS - Roseli Garcia

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Votação escolherá as Novas Sete Maravilhas da Natureza

GENEBRA - O Grand Canyon, o Monte Everest e o Lago Ness vão competir com mais de 200 outros lugares espetaculares na próxima fase da competição global para as Novas Sete Maravilhas da Natureza, disseram os organizadores nesta terça-feira, 6.

Os 261 candidatos de 222 países incluem algumas das mais famosas montanhas, lagos e outras atrações, como a Grande Barreira de Coral e as Cataratas de Niagara. Várias paisagens locais brasileiros como Fernando de Noronha, Chapada Diamantina, Pantanal e a Amazônia estão na lista que pode ser votada.

Mais de um bilhão de pessoas são esperadas na votação pela internet que vai indicar os 77 semifinalistas a maravilhas naturais, que vão dividir a glória já desfrutada pelas sete maravilhas feitas pelo homem, escolhidas há 18 meses.

"Estamos chamando as pessoas de todo o mundo para mostrarem ativamente sua apreciação por nosso mundo natural se juntando para celebrar os lugares mais extraordinários de nosso planeta", disse Tia Viering, porta-voz da campanha.

A fundação suíça sem fins lucrativos coletou 441 indicações na internet desde que abriu o processo de seleção, em 2007.

A fundação então escolheu o local mais votado de cada país, fazendo uma lista de 222 locais. A lista geral aumentou para 261 com a inclusão dos locais partilhados por dois ou mais países - como as Cataratas do Niagara e o Lago Superior, entre o Canadá e os Estados Unidos.

Votos podem ser cadastrados até dia 7 de julho. O processo de registro obrigatório no site visa impedir que se vote duas vezes.

Participantes dessas quartas de final incluem alguns locais menos conhecidos, como o Vulcão Yasur, da ilha do Pacífico Sul de Vanuatu, ou a Rocha de Zuma, um monólito gigante da Nigéria.

Uma equipe de especialistas em natureza, chefiada por Federico Mayor, ex-chefe da Unesco, vai reduzir a lista a 21 finalistas em julho.

Os sete ganhadores vão, então, ser escolhidos em outra votação pública que durará até 2011, dessa vez por internet, telefone e mensagens de texto.

A campanha das Sete Novas Maravilhas do Mundo liderada pelo aventureiro suíço Bernard Weber visa promover a diversidade cultural apoiando, preservando e reformando monumentos e paisagens naturais. Ela depende de doações particulares e se mantém vendendo seus direitos de transmissão.

Fonte: O Estadão Online
  • Nota do Blog

Votar na Amazônia é votar na manutenção da qualidade de vida para o planeta, em função de seu papel para o regime de chuvas e para a conservação do clima que afeta mais diretamente o nosso continente.

O site para votar é http://www.new7wonders.com/ Faça a sua parte!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Conflito na faixa de Gaza: A guerra escondida

Os jornais comentam hoje as dificuldades para cobrir a invasão israelense da Faixa de Gaza.

Isolados na fronteira, os repórteres podem apenas ouvir as explosões e os disparos, mas não conseguem entrar na zona de conflito nem se comunicar com informantes.

Até mesmo os telefones celulares dos soldados foram confiscados, para evitar que se comuniquem com familiares ou jornalistas.

Portanto, tudo que se lê hoje na imprensa sobre os combates e até mesmo sobre o eventual cumprimento das normas do direito internacional para situações de guerra é informação limitada e censurada por uma das partes.

O público não está sendo servido de jornalismo, mas do trabalho de relações-públicas que selecionam o que pode e o que não pode ser divulgado.

Os relatos que enchem as páginas dos jornais, vinte e quatro horas após o início dos combates, são produzidos a partir de textos distribuídos pelo exército israelense.

Além disso, apenas a rede de TV Al-Jazeera e alguns representantes de agências de notícias que já se encontravam na zona de luta antes da invasão conseguem furar o bloqueio, mas têm dificuldades para as transmissões.

A associação dos correspondentes conseguiu na Justiça de Israel permissão para a entrada de dez jornalistas, mas eles terão a movimentação restrita e serão obrigados a gerar informações para todos os veículos de comunicação que têm representantes do lado de fora.

A cobertura segue sendo parcial e limitada ao que interesssa às autoridades israelenses.Além disso, também foram impostas restrições aos integrantes de entidades humanitárias que tentavam ingressar na região para reforçar os serviços de assistência médica aos feridos.

A nova etapa do conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino está sendo contada por um lado só na grande imprensa.

Mas as redes de solidariedade, que reúnem militantes pela paz de todas as nacionalidades, não param de alimentar a sociedade com relatos desordenados, porém cheios de informações, sobre o que acontece na Faixa de Gaza.

As Redes de Cooperação Comunitária sem Fronteiras, por exemplo, traduziram e divulgaram o teor dos panfletos lançados pela aviação israelense sobre a população sitiada na zona de guerra e mantêm um intenso intercâmbio de informações que inclui cidadãos árabes, palestinos e judeus.

Por enquanto, a chamada grande imprensa ainda não descobriu essa fonte alternativa de informações.

Fonte: Observatório no Rádio - Programa 946 (Luciano Martins Costa)

  • Nota do Blog

Há inúmeras teses que permeiam o conflito entre os povos palestinos e israelenses. Dentre as quais, a mais comum diz respeito à questão religiosa. Mas este argumento é descartado na medida em que o estado de Israel avança sobre territórios como o da Faixa de Gaza sem essa justificativa.

A questão geopolítica é, também, muito "badalada". E é a que me convence, principalmente pelo valor da água disponível no Rio Jordão. Esse valor - ou valoração - é determinante para a manutenção da vida naquela região.

Há, ainda, o papel preponderante dos EUA ao apoiar incondicionalmente Israel nesse conflito da história recente, transferindo vultosas remessas de dólares e de tecnologia bélica.

As perguntas da hora são: com Barack Obama na presidência dos EUA esse ritmo de tranferências continuará? Afinal o cara é descendente de mulçumanos!

Será que Barack Obama cederá ao poder e à pressão do capital judeu, predominante tanto nos EUA como no restante do planeta?

Seria muito bom se os EUA, através de seu Estado, deixasse que os povos em litígio tratassem de suas questões sem esse nefando e parcial apoio. Mas eu duvido que isso aconteça!