sexta-feira, 29 de maio de 2009

Maiores poluidores estão perto de acordo climático (?)

Os países que mais emitem gases do efeito estufa se aproximaram de um acordo nas discussões que devem levar à adoção de um novo tratado climático global em dezembro em Copenhague, disse na quinta-feira o ministro de Meio Ambiente do Canadá, Jim Prentice.

De acordo com ele, as divergências vêm sendo superadas desde um encontro promovido no mês passado em Washington pelo presidente dos EUA, Barack Obama.

"Estou bastante esperançoso com as perspectivas de obter um acordo", disse Prentice à Reuters. "Minha sensação é de que há um consenso entre os países do G8 de que precisamos ter metas específicas em vigor."

"Nem sempre fui tão otimista, mas a convocação do Fórum das Grandes Economias (sobre Energia e Clima) pelo presidente Obama me leva a ter uma confiança considerável."

Ele alertou, porém, que há "muito trabalho a ser feito" antes de qualquer tratado para substituir o Protocolo de Kyoto, que limita as emissões de gases do efeito estufa pelos países desenvolvidos e expira em 2012.

Embora o Canadá seja signatário de Kyoto, o primeiro-ministro Stephen Harper o abandonou logo após assumir o cargo, em 2006, alegando que os cortes exigidos prejudicariam a economia.

As emissões canadenses de gases do efeito estufa estavam em 2005 25,3 por cento acima dos níveis de 1990, enquanto o Protocolo de Kyoto recomendava uma redução de 6 por cento em relação a 1990 até o período de 2008-12.

Na opinião dele, a adoção de metas compulsórias para a redução de emissões seria desejável no próximo tratado, "mas acho que é menos importante do que ter os Estados Unidos como parceiro integral".

O governo de George W. Bush retirou os EUA do Protocolo de Kyoto em 2001, também alegando que seu cumprimento traria prejuízos econômicos.

Pratice defendeu que as medidas ambientais venham acompanhadas de estímulos econômicos para que o mundo saia da recessão. "Nunca vi isso como um jogo de soma zero, onde para promover os seus objetivos ambientais você o faz em detrimento da sua economia", disse ele. "É preciso ter certa prosperidade para guiar o progresso ambiental."

O Canadá, segundo ele, pretende estimular sua economia com investimentos em tecnologia limpa, como as práticas de captura e armazenamento de carbono, que literalmente enterram o dióxido de carbono (CO2) recolhido nas usinas termoelétricas a carvão. "Essa é realmente uma tecnologia na qual o Canadá tem liderado."

Peter Griffiths, de Londres ( Fonte: Reuters)

  • Nota do Blog

É imperioso que esse processo avance e acumule ganhos para o bem do planeta. Mas tudo depende da maturidade dos líderes políticos, empresariais e do poder das organizações sociais das grandes e médias potências. E parece acontecer, por exemplo, com esses grupos no Japão, no Canadá, na Inglaterra, na Alemanha, no Brasil (?) e, sobretudo, nos EUA. Já com os da China, não acredito, pois com esse país, somente com muita pressão comercial internacional o tipo de política ora proposta poderá vir a deslanchar.

É pena que a busca pela manutenção de um sistema corrompido pelo hábito nefasto de consumir desenfreadamente comprometa políticas orientadas pela supressão dessas práticas, posto que a proposta capitalista, via de regra, ainda não compreende o novo milênio. Até por que o capitalismo, tal qual pensado por Smith e Ricardo, ainda não se realizou. E, sinceramente, não acredito nessa realização, uma vez que ciclicamente depende dos bolsos generosos do Estado.

Mas continuemos a combater o bom combate da fé, apostando que o homem, em última instância, há de querer salvar-se e, assim procedendo, manterá o planeta vivo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mudanças Climáticas: ONU propõe critérios para inclusão do combate ao desmatamento em plano climático global

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou na semana passada um documento que reafirma a necessidade de inclusão do desmatamento e da mudança no solo dentre os temas a serem discutidos na Conferência das Partes de Copenhague, na Dinamarca. O evento será realizado em dezembro, com o objetivo de criar um plano global para a redução de emissões de gases do efeito estufa.

A proposta, produzida pelo Secretariado do Clima da ONU, trata os créditos florestais como um dos assuntos fundamentais de um futuro acordo climático internacional e aponta três sugestões a projetos florestais para que sejam considerados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), isto é, meios de redução das emissões de gases do efeito estufa.

A primeira indicação mantém a elegibilidade do uso de créditos florestais como forma de se cumprirem as metas de redução de emissões, com respeito às mesmas regras usadas no primeiro período do acordo, de 2008 a 2012.

A segunda observação do Secretariado do Clima da ONU sobre o tema dos projetos florestais é a definição dos tipos de projetos que deverão ser considerados MDL. Pelo documento, as possibilidades seriam as seguintes: aflorestamento e reflorestamento, redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD), restauração de vegetação em terras alagadiças, manejo florestal ou outras atividades de manejo sustentável da terra, manejo do carbono no solo na agricultura, revegetação e manejo em áreas de lavouras ou pastos. Para esses casos, o secretariado prevê que sejam estabelecidas regras específicas.

Por fim, a proposta da ONU permite o uso de reduções certificadas de emissões temporárias ou reduções certificadas de emissões de longo prazo para projetos florestais, bem como planos de uso de terra e mudança da utilização do solo. Há permissão para que não sejam necessariamente criadas duas modalidades de créditos florestais para esses dois tipos de redução de emissões.

Sobre os limites para a diminuição de emissões com base na redução do desmatamento, o documento aponta como alternativas o uso irrestrito dos créditos florestais ou limitado a no máximo 1% das emissões do ano base do país que os utilizar. Outra possibilidade proposta é que se limite essa porcentagem a um número fixo e igual para todos os signatários do pacto climático.

Outros pontos da proposta

O documento da ONU aborda também os temas: as metas de corte das emissões de gases do efeito estufa (GEE), o mercado de carbono, a tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS), os setores móveis com emissões (navios e aviação) e a energia nuclear.

A proposta prega a redução de emissões dos países ricos à metade dos níveis de 1990, no período de 2018 e 2022. A medida é vista como urgente para minimizar os possíveis efeitos da elevação das temperaturas, como aumento do nível dos oceanos, secas, furacões e enchentes.

Há a sugestão de não se considerar o uso de tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) como MDL ou de limitá-los dentro do mecanismo a, no máximo, dois projetos por região. O CCS é uma forma de capturar o dióxido de carbono (CO2) emitido para estocá-lo no subsolo, em poços de petróleo desativados ou camadas geológicas, método que ainda não é comprovadamente inofensivo ao meio ambiente.

A energia nuclear também deve ganhar espaço no novo acordo climático. A proposta da ONU considera como opções a Copenhague incluir ou não projetos de usinas nucleares como MDL. Havendo essa inclusão, de acordo com o documento, deverão ser criadas regras específicas por grupos de trabalhos científicos.

Fonte: Amazonia.org.br

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mudanças Climáticas: Cientistas vão mapear riscos do aquecimento global para dez cidades brasileiras

Pesquisadores do INTC-MC (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas) vão mapear as vulnerabilidades de dez megacidades brasileiras diante dos impactos das mudanças climáticas.

De acordo com o coordenador do instituto, Carlos Nobre (foto), a finalidade é identificar os problemas para direcionar as políticas públicas de adaptação das cidades e facilitar o cálculo do custo do aquecimento global para a economia brasileira.

Os mapas deverão indicar as fragilidades dos centros urbanos diante de impactos do aquecimento global ligados à saúde - como o aumento ou surgimento de novas doenças e a situação das zonas costeiras, que perderão área com a elevação do nível do mar. Além disso serão abordadas as áreas de ecologia urbana, recursos hídricos e desastres naturais, como as cheias e secas extremas que têm atingido o país nos últimos meses.

Com investimento inicial de cerca de R$1 milhão, o diagnóstico vai começar pelas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, e os primeiros resultados serão divulgados em março de 2010. Os estudos para Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Belém ainda dependem de recursos, que estão sendo negociados com o Ministério do Meio Ambiente, segundo Nobre.

Os mapas serão mais qualitativos do que quantitativos, de acordo com o pesquisador, inclusive pela falta de estudos específicos sobre as cidades para subsidiar o levantamento. "Por exemplo, para detalhar com mais precisão os impactos do aumento do nível do mar no Rio de Janeiro seriam necessários mapas topográficos com resolução de 1 e 2 centímetros, os atuais têm resolução de meio metro (50 centímetros)", citou.

"É uma maneira de achar um atalho mais rápido para implementar medidas que são urgentes. É importante ter um primeiro mapa para mostrar a direção aos tomadores de decisão", acrescentou Nobre, que também é pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e secretário-executivo da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais.

Os resultados poderão subsidiar políticas de governo locais e nacionais de investimentos em adaptação para os impactos do aquecimento global, inclusive o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas.

Apesar da preocupação com as cidades, Carlos Nobre argumentou que não se pode desviar o foco do debate sobre mudanças climáticas no Brasil decorrentes do desmatamento da Amazônia, principal fonte de emissões de gases de efeito estufa do país.

"Reduzindo as emissões nas cidades não vamos reduzir significativamente emissões brasileiras. A ênfase na redução de emissões nas cidades não pode ser maior que a ênfase na redução do desmatamento. As cidades têm que ter relacionamento muito forte com emissões de desmatamento e de agricultura", ponderou.

Nobre defende ações práticas de consumo responsável pelos moradores das grandes cidades, como o boicote à madeira sem certificação. "Cerca de 80% da população brasileira é urbana, o poder está de fato com os habitantes da cidades", afirmou.

O pesquisador participou nesta segunda-feira do Encontro Nacional Políticas Públicas pelo Clima, organizado pelo Conselho Internacional de Governos Locais pela Sustentabilidade.


Fonte: Agência Brasil

  • Nota do Blog:

Entendo que o estudo deveria contemplar pelo menos mais uma capital situada mais ao centro de seu bioma, como é o caso de Manaus, na Amazônia, uma vez que há uma diferença razoável tanto no clima quanto no regime de chuvas em relação a Belém, que fica próxima ao mar. Assim, com está, o estudo deixará a desejar em termos de amostragem representativa da proposta.

Quanto ao ítem relativo à perda de área com a elevação do nível do mar, é importante ressaltar que Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, sobretudo esta última, estão bem distantes do nível do mar, assim como Manaus.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

HOMEM-LIXO: Expedição pretende reciclar sopa de lixo no oceano

Parte de São Francisco, nos Estados Unidos, no próximo mês, uma expedição com o objetivo de explorar uma "sopa de lixo" com o dobro do tamanho do Texas, que flutua no Oceano Pacífico. De acordo com o jornal Times, o objetivo dos cientistas e ambientalistas é tentar reciclar o material.

O oceanógrafo Charles Moore, que descobriu o lixo acumulado no oceano em 1997, acredita que cerca de 100 milhões de toneladas de dejetos estão circulem na região. De acordo com Moore, o mar de lixo é translúcido e está numa superfície de água, por isso não pode ser detectado em fotografias de satélite. "Você só o vê da proa dos navio", declarou.

Peixes e aves confundem os minúsculos pedaços de lixo com alimento e podem chegar à mesa de consumidores com os dejetos no estômago. Moore não acredita que o problema possa ser solucionado. "Tentar limpar o Pacífico teria falido qualquer país e matado animais selvagens", afirmou ao Times.

Em junho o projeto Kaisei será colocado em prática sob a liderança de Doug Woodring na tentativa de provar que Moore está errado. A expedição composta por 30 pessoas irá utilizar aeronaves não tripuladas e exploradores robóticos para mapear a extensão e profundidade do plástico acumulado e em seguida tentar reciclar este material.

Woodring admite que a tarefa não será fácil. "Nós não seremos capazes de limpar todo o oceano. A solução reside realmente em terra. Temos de tratar o plástico de uma forma totalmente diferente, e impedi-lo de chegar ao oceano", disse.

Fonte: JB Online

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mudança climática é maior ameaça à saúde no século 21, diz revista

A mudança climática é a maior ameaça à saúde mundial no século 21, segundo um relatório feito pela revista médica "The Lancet" e por cientistas do University College de Londres, que aponta a necessidade de uma ação urgente.

"Isto não é um filme de catástrofes com final feliz, é algo real", disse o professor Anthony Costello, diretor do relatório, acrescentando que "a mudança climática é uma questão de saúde que afeta bilhões de pessoas - e não só um problema ambiental que atinge os ursos polares e as florestas".

O estudo é um esforço conjunto de especialistas em saúde, antropologia, geografia, climatologia, engenharia, economia, direito e filosofia, que pretende servir de modelo para que os governos atuem de maneira multidisciplinar contra a mudança climática.

O impacto do que já está acontecendo "não será algo que perceberemos em um futuro distante, mas durante nossas vidas e, definitivamente, nas vidas de nossos filhos e netos", alertou Costello em entrevista coletiva, na qual apresentou o relatório.

O especialista em obstetrícia admitiu que até um ano e meio duvidava da mudança climática, e disse que o aumento da temperatura média da Terra é uma realidade e que é questão de tempo perceber seus efeitos.

"Não devemos pensar se a Groenlândia vai derreter, mas quando. Devemos pensar em quando Nova York e Londres se inundarão se a temperatura dos polos subir 5ºC em média, o que fará subir o nível dos oceanos", ressaltou Costello.

Mas a principal novidade deste relatório tem a ver com as implicações sanitárias da mudança climática, desde a constatação de que com temperaturas entre 2ºC e 6ºC mais altas aumentará o número de afetados por doenças frequentes do trópico, como dengue e malária, além de matar pessoas e outros animais pelo efeito direto do calor.

Os autores do relatório se referem ao calor como "o assassino silencioso", o mesmo que causou a morte de 70 mil pessoas na Europa em 2003 e que provoca o falecimento não registrado de dezenas de milhares de pessoas por ano em países em desenvolvimento.

O objetivo do trabalho, segundo os autores, é estimular o debate e aumentar a pressão em favor da redução das emissões de dióxido de carbono na atmosfera nos profissionais e responsáveis da saúde, a partir de um ponto de vista humanitário e também a partir de um ponto de vista econômico.

Se não for feito nada para combater o problema, os países pobres registrarão o aumento da mortalidade devido a uma maior transmissão de malária e outras doenças infecciosas, ou por questões tão simples como diarreias por consumo de alimentos malcozidos.

Os países ricos serão menos afetados, pois buscam construir sociedades com menos liberação de carbono, e, por consequência, teriam cidadãos mais saudáveis.

Isso traria menos obesidade e menos diabetes por efeito do exercício físico, o não uso de veículos particulares, menos problemas pulmonares por redução de poluição, e menos estresse, pois os habitantes podem desfrutar de cidades mais limpas.

A comparação entre ricos e pobres é arrasadora, afirma a "Lancet". "A perda de anos de vida saudável como consequência de uma mudança ambiental global será 500 vezes maior na África que nas nações europeias, apesar de as nações africanas contribuírem pouco ao aquecimento global", afirma a publicação.

As inundações e as secas também terão efeito devastador na saúde das nações mais pobres, com menores colheitas e, consequentemente, alimentos mais caros, e com situações de saúde deficientes.

O professor Hugh Montgomery destacou a gravidade da situação, mas assegurou que não há exagero nos prognósticos dos cientistas, porque o ritmo de aquecimento da Terra é o mais rápido do qual se tem notícia nos últimos 10 mil anos.

"Entre um terço e dois terços das espécies existentes hoje em dia no planeta estão em risco de extinção nos próximos 30 anos" se a tendência atual se mantiver, disse Montgomery.

No mês passado, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos concluiu que o dióxido de carbono e cinco outros gases prejudiciais ao ambiente são perigosos para a saúde pública e para o bem-estar social.

Fonte: Folha Online
  • Nota do Blog
A mudança de hábitos de consumo é fundamental para alterarmos o curso desse processo devastardor contra a vida na terra. E para que isso ocorra é necessário que uma nova cultura orientada para a pesquisa e desenvolvimento de serviços e produtos sustentáveis que seduzam o consumidor, promovendo a saúde e não a doença, seja objeto de marketing constante em todas as mídias.

Amazônia, um bioma em pânico! Ruralistas vencem na MP da regularização de terras

Um acordo entre líderes do governo e da oposição para relaxar as condicionantes ambientais permitiu a aprovação, ontem, no plenário da Câmara dos Deputados, da medida provisória de regularização fundiária de posses com até 1,5 mil hectares na Amazônia. A MP 458 deve regularizar a situação jurídica de 400 mil posses em 436 municípios da Amazônia. Em jogo, estão os interesses de 1,2 milhão posseiros na região.

Influenciados pelas teses da bancada ruralista, os parlamentares mudaram o relatório original do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) para isentar os posseiros da obrigação de recuperar as áreas de preservação permanente (APPs) e reserva legal. Os deputados transformaram a situação em um "compromisso". O relator também permitiu a compensação da reserva legal obrigatória de 80% da propriedade na Amazônia. Bentes recuou, ainda, na intenção de punir com a reversão da posse à União para quem descumprisse a legislação ambiental na Amazônia. Pelo novo texto, a punição ocorrerá somente em casos de desmatamento irregular em APPs e reservas legais. Além disso, concordou que o governo indenize posseiros em caso de retomada das terras pela União por descumprimento de alguma imposição legal. E incluíram a indenização de benfeitorias aos posseiros.

Antes das discussões, o relatório já havia ampliado, de dez para 30 anos, o prazo para recomposição de APPs e reserva legal, além de ter permitido a regularização de áreas em nome servidores públicos e de pessoas jurídicas.

Desde o fim de fevereiro, o texto da MP foi alterado algumas vezes. Asdrúbal Bentes ampliou a regularização para todas as áreas da União, e não só para aquelas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O texto básico permitiu, ainda, a venda das terras regularizadas após três anos de posse efetiva desde que fosse concedida anuência de representantes da União. Antes, o prazo era de dez anos. A MP n 458 também estabeleceu um prazo de até três anos aos Estados da Amazônia para a realização de zoneamentos econômicos e ecológicos (ZEEs). Do contrário, esses Estados não poderiam firmar convênios com a União. Pelo texto, serão doadas posses de até 100 hectares. Para terras até 400 hectares haverá um processo simplificado com "valor simbólico" . Quem tiver até 1,5 mil hectares, terá preferência para comprar a terra pelo "valor de mercado". Acima disso, haverá licitação pública normal.

Até as 22h nem todos os destaques (supressivos ou para incluir emendas não acatadas pelo relator) tinham sido votados. Mas todos os que tinham sido apreciado foram rejeitados, prevalecendo nesses casos, portanto, o texto inicialmente aprovado pelo plenário. O DEM, PPS e PSDB tentaram, sem sucesso, retirar a restrição de venda de terras a quem já tem propriedade rural no país (destaque do DEM). Também foi minoritário o voto desses partidos para retirar a data limite de ocupação ou invasão (destaque do PSDB) que continuou sendo 1 de dezembro de 2004. Foi rejeitado também destaque do PPS para que o preço da terra fosse limitado aos 20% passsíveis de desmatamento. Já o PDT viu rejeitada a proposta de excluir as pessoas jurídicas. O líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS)) argumentou que isso seria incompatível com a realidade atual da situação da Amazônia, limitando muito o processo de legalização.

Fonte: Valor Econômico

Link: http://www.valoronline.com.br/

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Trabalho Escravo no Século XI: "O Custo da Coerção"

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões.

As primeiras denúncias de formas contemporâneas de escravidão no Brasil foram feitas em 1971 por dom Pedro Casaldáliga, bispo católico e grande defensor dos direitos humanos na Amazônia. Sete anos depois, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou fazendas, ligadas a multinacionais, no sul do Pará que cometiam esse crime.

O Brasil reconheceu a existência do problema em 1992 perante a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e em 2004 perante a Organização das Nações Unidas. A estimativa oficial é de que existam entre 25 mil e 40 mil trabalhadores submetidos à escravidão no Brasil. De 1995 até 2005, 17.983 pessoas foram libertadas em ações dos grupos móveis de fiscalização8, integrados por auditores fiscais do Trabalho, procuradores do Trabalho e policiais federais.

O trabalho escravo ainda não é uma página virada na história do Brasil. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou o cadastro atualizado de empregadores que utilizam mão-de-obra em situação semelhante à de escravos. Conhecida como “lista suja”, o cadastro aponta que em 16 estados do país, 192 empregadores se apropriam do trabalho alheio como verdadeiros senhores de engenho do século XXI.

Leonardo Sakamoto, membro da ONG que atua no combate à escravidão, constata que a atualização da “lista suja” mostra que o trabalho escravo está concentrado nas regiões de fronteira agrícola no Cerrado e na Amazônia, sendo utilizado para derrubar florestas que dão lugar a empreendimentos agropecuários.

Mas, segundo Sakamoto, a “lista suja” apresenta outra conclusão mais preocupante. “Você tem gente na lista suja que é de São Paulo, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais. Estados pretensamente mais evoluídos do ponto de vista trabalhista e social. Isso mostra que o trabalho escravo está presente dentro do sistema que a gente vive. O trabalho escravo é utilizado pelo capital, pelos empreendimentos, para crescer e se modernizar, economizando dinheiro para isso”.

Nesta nova atualização da lista, foram incluídas duas empresas de móveis exportadoras, três siderúrgicas, uma empresa de cimento e também o ex-governador de Goiás, Agenor Rodrigues Rezende, proprietário da fazenda São Marcos. Todos os trabalhadores em situação de escravidão apresentados na “lista suja” foram libertados. Os grupos móveis de fiscalização do governo federal já resgataram quase 26 mil trabalhadores desde 1995.

Segundo Xavier Plassat, coordenador da CPT, “O que ainda não conseguimos que se deve a uma resistência obstinada da bancada ruralista no Congresso, é confiscar a propriedade de quem pratica o trabalho escravo. Existe, há mais de 13 anos, uma proposta constitucional para isso. Mas, a bancada ruralista continua pensando que a propriedade vale mais que a dignidade do trabalhador.”

A Organização Internacional do Trabalho lançou ontem, 12 de maio, o relatório “O Custo da Coerção” que detalha os crescentes casos de práticas criminais e fraudulentas que levam pessoas à situação de trabalho forçado e clama por um aumento nos esforços mundiais para erradicar essas práticas.

Para conhecer a matéria da OIT e os respectivos relatórios, clique em http://www.oitbrasil.org.br/new12052009.php

terça-feira, 12 de maio de 2009

Interdependência ou morte: a importância da Amazônia para a regulação do clima e suas implicações nas escalas regionais e globais

A interdependência entre vastas florestas e clima não é facilmente percebida, mas ela existe e vem sendo comprovada pela Ciência. Agora essa interdependência precisa ser considerada na formulação de uma política de sustentabilidade para o país. Se assim não for feito, o colapso socioeconômico será uma consequência inevitável. A possibilidade de desenvolvimento brasileiro nas próximas décadas, portanto, depende da opção política “interdependência ou morte”. Não optar pela consideração da importância da floresta como nó central da teia da vida equivale a optar pela morte, não apenas no sentido metafórico. Vamos examinar porque.

Há muito tempo é sabido que a evaporação é um fenômeno muito mais intenso sobre os oceanos do que sobre os continentes. Da mesma forma, há mais formação de nuvens sobre os oceanos do que sobre os continentes. Descobertas recentes mostram que florestas extensas, por gerar áreas de baixa pressão atmosférica, têm a capacidade de atrair umidade acumulada sobre os oceanos, fazendo-as mover-se para o interior dos continentes. Por isso, a primeira interdependência da floresta amazônica com o clima é que ela, a floresta, é responsável por atrair grande quantidade de umidade para o continente sul-americano.

Outra interdependência é a formação de nuvens pela própria floresta amazônica, explicando sua importância na regulação climática. A esse respeito distinguem-se duas funções da floresta. Uma delas é a liberação de compostos orgânicos voláteis (VOCx) que têm a propriedade de aglutinar as moléculas de água no ar, formando gotículas no interior das nuvens e tornando-as mais densas. Isso favorece a precipitação sobre a Amazônia. A outra função da floresta é a própria formação das nuvens. Estudos efetuados pelo LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, projeto internacional de pesquisa liderado pelo Brasil) mostraram que em áreas onde ocorreram desmatamento e queimadas as nuvens têm conteúdo muito menor de vapor de água do que as nuvens formadas sobre florestas. Verificou-se, assim, que a floresta amazônica funciona como uma bomba – uma bomba biótica de umidade atmosférica – que leva água do solo para a atmosfera, do oceano em direção a oeste, até a cordilheira dos Andes. No interior dos continentes, em ambientes distantes da costa, a tendência é que o clima apresente alternância de estação chuvosa e estação seca, e a floresta tem um papel importante na interiorização da umidade que promove a estação chuvosa. Em síntese, a segunda interdependência entre a floresta amazônica e o clima é que a chuva sobre a floresta amazônica é resultado da existência da própria floresta.

A seguir examinaremos a interdependência entre a Amazônia e a distribuição de chuvas no país.

As nuvens formadas na Amazônia podem ser deslocadas por longas distâncias, em função das correntes atmosféricas, provocando abundantes precipitações sobre o Centro-oeste, o Sudeste e o Sul, viabilizando a produção agrícola em extensas áreas nessas regiões do Brasil. Portanto, a alta disponibilidade hídrica no Brasil, em grande parte, é fruto das nuvens produzidas e transportadas a partir da floresta amazônica. A umidade trazida pelas massas de ar tropical continental (oriundas da Amazônia) viabiliza, neste caso, o desenvolvimento social e econômico nas regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul. Em outras palavras, a produção de energia elétrica, a produção industrial e o grande contingente de população urbana, todos altamente dependentes de água, são, em última análise, dependentes da floresta amazônica e também da floresta atlântica. Ou seja, tal é a interdependência entre a floresta e o clima nas regiões brasileiras, que para propiciar nosso desenvolvimento é imprescindível garantir a operação, no presente e no futuro, da bomba biótica de umidade atmosférica.

As chuvas e a umidade no Sul e Sudeste têm origem na massa de ar tropical continental (amazônica) e também na massa de ar tropical atlântica (oriundas do oceano atlântico). Próximo à costa atlântica do Sul e do Sudeste existem barreiras naturais - Serra do Mar e Serra Geral - para o deslocamento das massas de ar vindas do oceano no sentido oeste. Por isso, apenas parte da umidade é deslocada continente à dentro, graças à existência das florestas do bioma Mata Atlântica, por meio da bomba biótica de umidade atmosférica. O oeste dessas regiões, bem como a Argentina e o Paraguai, são mais dependentes do macroclima (das massas de ar úmido vindas da Amazônia), enquanto a distribuição temporal da precipitação dela decorrente (mesoclima) depende das florestas regionais, ou seja, da Mata Atlântica. Segundo estudos recentes para São Paulo, somente fragmentos de florestas com área superior a 1000 km2 são capazes de influenciar a distribuição temporal da precipitação, ou seja, a ocorrência de chuvas é interdependente do tamanho das áreas florestais.

Como na região central e oeste dos estados do Sul e do Sudeste do Brasil as extensas e densas florestas foram eliminadas em praticamente todo o território, remanescendo fragmentos isolados com extensão, em geral, inferior a 10 hectares, o efeito da bomba biótica de umidade atmosférica está enfraquecido, tanto para distribuir as chuvas temporalmente quanto para atrair a umidade vinda do oceano em direção ao interior do continente. Essa alteração potencializa a ocorrência de eventos hídricos extremos - longas estiagens e precipitações muito intensas - mesmo que a quantidade total de chuvas permaneça semelhante a antes do desmatamento, bem como favorece os vendavais, pela ausência de rugosidade da superfície do solo conferida pelas florestas.

O efeito desse fenômeno pode ser sentido através das estiagens prolongadas que vem se sucedendo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, como por exemplo de 2003 a 2006 e agora em 2009. Os eventos ocorridos no ano passado em Santa Catarina são emblemáticos das mudanças em curso: no desastre de novembro de 2008, catorze municípios decretaram estado de calamidade pública em consequência das chuvas e sessenta e três decretaram situação de emergência. Cinco meses depois, em maio de 2009, no Oeste de Santa Catarina, 108 municípios decretaram situação de emergência devido à falta de água, causada pela ausência prolongada de chuvas. Considerando a influência da floresta sobre a formação e a distribuição de nuvens, a ausência de extensos territórios florestados na região da Mata Atlântica e, com ela, a ineficiência da bomba biótica de umidade atmosférica, tem-se aí uma explicação convincente da má distribuição de chuvas na região. Eis, portanto, outra interdependência cujas consequências apontam no sentido do colapso.

O antídoto ou a reversão do quadro das mudanças climáticas regionais é dependente de uma política de sustentabilidade consistente, que considere o conhecimento científico sobre as interdependências entre floresta e clima, procurando evitar o colapso. Além de promover a conservação da floresta amazônica e a aplicação séria do Código Florestal brasileiro, é necessário e urgente criar e ampliar unidades de conservação, iguais ou superiores a 1000 km2, recuperando, inclusive, florestas onde já não existem. Precisamos destas áreas naturais protegidas, para reduzir a ocorrência de eventos extremos e para garantir água para as gerações atuais e futuras da sociedade brasileira. É disso que depende a produção agrícola, a produção energética, a produção industrial e o desenvolvimento urbano. Tudo que precisamos é o contrário do que defendem os ruralistas, cujos interesses foram astuciosamente expressos no código ambiental de Santa Catarina, que ignora tanto a interdependência entre floresta e clima e o consequente aumento de risco de eventos extremos e a disponibilidade ou não de água, quanto a necessária redução da vulnerabilidade dos assentamentos humanos.

Clamamos a favor da opção pela interdependência, ao contrário da opção pela morte!

Autoras: Beate Frank, doutora em Engenharia de Produção, é secretária executiva do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí e coordenadora do Projeto Piava & Lúcia Sevegnani, doutora em Ecologia, é professora da Universidade Regional de Blumenau.

Fonte: CarbonoBrasil
  • Nota do Blog:
O governo do estado de São Paulo e a prefeitura de sua capital decidiram recentemente regulamentar a compra de madeira certificada para evitar o incremento do comércio do produto clandestino oriundo da Amazônia e, assim, contribuir para a diminuição do desmatamento na região.

Esse foi um passo relevante e demonstra o importante papel denunciador de muitas ong's para a busca do desenvolvimento sustentável no Brasil, na medida em que há anos esse tipo de mercado suicida e marginal vem sendo praticado pelas empresas sediadas no estado com o maior PIB da América do Sul.

Amazônia: Terras Indígenas, Reservas Extrativistas e Assemtamentos Rurais = dematamento, sequestro de carbono e poluição de igarapés

1. Reservas indígenas e extrativistas guardam 30% do carbono da Amazônia.

Terras indígenas e reservas extrativistas localizadas na Amazônia brasileira formam um estoque de 15 bilhões de toneladas de carbono, afirma estudo do Instituto de Pesquisa da Amazônia (IPAM). Segundo a ONG, isso equivale a 30 % dos 47 bilhões de toneladas de carbono que, calcula-se, estão fixadas nas florestas da região.

O carbono que forma a vegetação, quando liberado para a atmosfera com queimadas, por exemplo, contribui para o aquecimento global. Esta é uma importante razão para se combater o desmatamento.

Os estoques de carbono nas áreas estudadas pelo Ipam equivalem a oito vezes o esforço mundial para evitar emissões de gases do efeito estufa previstos na primeira fase do Protocolo de Kyoto.

Atualmente, restam aproximadamente 3,3 milhões de km² da floresta amazônica brasileira. Somente em território nacional, índios e populações tradicionais são responsáveis pela preservação de cerca de 1 milhão de km² de florestas tropicais.

O estudo do Ipam serve para reforçar a importância das terras indígenas nas discussões sobre Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) programas de conservação baseados em um sistema, ainda em negociação, pelo qual os países poderão receber dinheiro para manterem suas florestas em pé. (Fonte: Globo Amazônia)

2. Cresce o desmatamento em assentamentos na Amazônia

Um grupo de 60 assentamentos concentrou no ano passado metade do desmatamento registrado nas 2.546 áreas de reforma agrária da Amazônia Legal, região formada pelos Estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão.

Essa densidade na derrubada da floresta aparece em relatório do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) recém-concluído com auxílio de dados do Ibama e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Segundo o documento, 869 assentamentos (34% do total) contribuíram com o desmate no ano passado. Nessas áreas, foram derrubados 251,6 mil hectares, sendo 126,1 mil hectares (50,1%) no grupo de 60 assentamentos (2% do total). Em áreas federais autônomas, os projetos de reforma agrária não conseguem barrar a cultura do desmatamento de certas regiões. Do total derrubado nos 60 assentamentos, 65% ocorreram no Pará ou em Mato Grosso - dois Estados que lideram o ranking geral de desmatamento do Inpe.

"Isso é resultado da insistência do Incra de criar assentamentos em áreas de floresta, onde as famílias não têm outra alternativa, a não ser ficar reféns do madeireiros", afirma José Batista Afonso, da coordenação da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e advogado da entidade em Marabá (PA).

O relatório do Incra revela que os assentamentos contribuíram no ano passado com 21% do total desmatado na Amazônia Legal. Foram 251,6 mil hectares, contra 221,6 mil hectares no ano anterior. Nessa região, os assentamentos representam cerca de 8% da área.

"O desmatamento não respeita assentamento, unidades de conservação, parques nacionais, áreas indígenas. Ele avança em cima de tudo isso", declara Celso Lacerda, diretor de Implantação de Projetos de Assentamento do Incra. Essa visão oficial, porém, é contestada por Adalberto Veríssimo, pesquisador da ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Segundo ele, o desmatamento ocorre com mais intensidade nos assentamentos, e não em terras indígenas e unidades de conservação.

"Tem um coquetel explosivo: pecuarização, agricultura, além do efeito da exploração predatória da madeira e do carvão. Tudo isso dentro dos assentamentos. Fazer assentamentos em regiões de florestas é pedir para desmatar", disse Veríssimo. "Eles (os assentados) acabam assediados pela dinâmica do desmatamento", completa.

Concentração de lotes - Do total desmatado nos 869 assentamentos, 51,3% estão no Pará, seguido de MT (22,1%). Os dados usados no levantamento são do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), do Inpe, com imagens da floresta captadas por satélite de agosto de 2007 a julho de 2008.

Segundo o Incra, o avanço do desmatamento em áreas de reforma agrária ocorre em meio a um processo de concentração dos lotes, ou seja, quando uma única pessoa compra irregularmente lotes dos assentados para ampliar sua propriedade.

No final do ano passado, o Ministério do Meio Ambiente divulgou uma lista que incluiu oito assentamentos entre os cem maiores desmatadores do país. Na ocasião, a ala agrária do governo criticou a metodologia do estudo, que não dividiu o total desmatado nos projetos pelo número de assentados. Para amenizar os efeitos da motosserra, o Incra fechou um acordo com o Inpe para que as imagens de satélite sejam monitoradas em intervalos mais curtos. (Fonte: Eduardo Scolese/ Folha Online)

3. Esgoto e desmatamento ameaçam igarapés da Amazônia

Os pequenos córregos de onde nasce a maioria dos rios na Amazônia estão ameaçados. Esgoto, desmatamento, barragens irregulares, construção de estradas e garimpos matam aos poucos os igarapés, comprometem a qualidade da água e acabam com os pequenos animais que vivem nesses cursos d’água.

“Em última análise, todo rio começa como um pequeno igarapé. A importância ecológica (dos igarapés) já começa por aí: impactar esses ambientes afeta toda a bacia. É o que acontece hoje no Xingu, onde o corpo do rio é protegido, mas as cabeceiras estão sendo ameaçadas”, afirma o biólogo Jansen Zuanon, pesquisador do Projeto Igarapés, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Segundo o biólogo, conservar os igarapés ajuda a diminuir a poluição ao longo dos rios. “Proteger as cabeceiras faz com que aumentem as chances de ter água limpa por mais tempo, até mesmo diminuindo o efeito negativo da poluição rio abaixo”, afirma.

Esgoto nas cidades - Um dos locais onde os igarapés estão mais ameaçados é nas grandes cidades. Há acúmulo de lixo, esgoto doméstico e canalização dos pequenos rios. “Na maior parte de Manaus o esgoto não é tratado. Há muitas invasões, mas também o hábito de morar na beira dos igarapés”, relata Zuanon.

Segundo o cientista, na capital amazonense também há problemas com esgoto industrial. “Às vezes os igarapés de Manaus aparecem tingidos por dejetos industriais clandestinos.”

Desmatamento - Outro grande destruidor de igarapés é o desmatamento. Quando a mata é retirada, as chuvas levam areia para o leito dos rios, deixando-os mais rasos. Além disso, a falta de vegetação na beira d’água aumenta a temperatura dos córregos, impedindo que animais vivam ali. “A fauna praticamente desaparece”, afirma o pesquisador do Inpa.

Um exemplo desse problema foi enviado ao Globo Amazônia pelos internautas da cidade de Brasil Novo, no Pará. Lá, os criadores de gado desmataram a margem dos igarapés, matando vários rios. Um grupo de alunos e professores está se mobilizando para convencer proprietários de terra a replantar essas áreas.

Barragens - As pequenas barragens clandestinas também colaboram para piorar a qualidade da água. Quando o rio é represado, muitas árvores morrem, formando o chamado “paliteiro” – um conjunto de troncos secos.

“Quando acontecem rompimentos (das barragens), desce água, lama e muitos peixes rio abaixo de uma vez só, causando impacto ambiental”, conta Zuanon.

Estradas - O fenômeno dos paliteiros se repete se as estradas são feitas sem planejamento. Quando é necessário passar por um igarapé, o terreno é aterrado, formando uma barragem. “Na BR-174 [que liga Manaus a Pacaraima, em Roraima] esse é o quadro mais comum. De um lado fica um lago com paliteiro, e no outro um igarapé extremamente assoreado.”

Garimpos - Em locais isolados, onde muitas vezes não há cidades, estradas ou desmatamentos, os igarapés sofrem com os garimpos clandestinos. Para obter ouro, as árvores e a terra são removidas. Muita lama é devolvida ao rio, e sobram buracos a céu aberto. “Além do mercúrio acumulado, o garimpo descaracteriza completamente o igarapé”, afirma o biólogo do Inpa. (Fonte: Iberê Thenório/ Globo Amazônia)

Link: Ambientebrasil

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Gripe Suina, a epidemia do lucro

A nova epidemia da gripe suína que ameaça expandir-se a outras regiões do mundo não se trata de um fenômeno isolado. É parte da crise generalizada e tem suas raízes no sistema de criação industrial de animais, dominado por grandes empresas transnacionais.

No México, as grandes empresas avícolas e de suinocultura têm proliferado amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte. Um exemplo é a Granjas Carroll, em Veracruz, propriedade de Smithfield Foods, a maior empresa de criação de porcos e processamento de produtos suínos do mundo, com filiais na América do Norte, Europa e China.

Em sua sede de Perote começou faz algumas semanas uma virulenta epidemia de enfermidades respiratórias que afetou 60% da população de Glória, fato informado por La Jornada em várias oportunidades a partir das denúncias dos habitantes do local, que faz alguns anos levam uma dura luta contra a contaminação da empresa e tem sofridos inclusive repressão das autoridades por suas denúncias. Granjas Carrol declarou que não tem responsabilidade pela atual epidemia, alegando que a população sofria de uma gripe “comum”. Por via das dúvidas, não fizeram análises para saber exatamente de que vírus se tratava.

Em contraste, as conclusões do Painel Pew Commission on Industrial Farm Animal Production (Comissão Pew sobre produção animal industrial), publicado em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, sobretudo em porcos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus. Inclusive mencionam o perigo da recombinação da gripe aviária e a suína e como finalmente podem chegar a recombinar-se no vírus que afetam e são transmitidos entre humanos. Mencionam também que por muitas vias, incluindo a contaminação de águas, pode chegar a localidades longínquas, sem aparente contato direto. Um exemplo que se pode apresentar é o surgimento da gripe aviária. Veja por exemplo, o informe da GRAIN que ilustra como a indústria avícola criou a gripe aviária (
http://www.grain.org/ <http://www.grain.org/>).

Mas as respostas oficiais diante da crise atual, além de tardia (esperaram que os Estados Unidos anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias valiosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes.

Mas do que enviar cepas do vírus para seu seqüenciamento genômico a cientistas como Craig Venter, que enriqueceu com a privatização da pesquisa e seus resultados (seqüenciamento que já foi objeto de investigações públicas do Centro de Prevenção de Doenças em Atlanta, Estados Unidos), o que é preciso é entender que este fenômeno vai continuar se repetindo enquanto continuem os criadouros dessas doenças.E na epidemia, são as transnacionais as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que monopolizam as vacinas e os antivirais. O governo anunciou que tinha um milhão de doses de antígenos para atacar a nova cepa da gripe suínas, mas nunca informou a que custo.

Os únicos antivirais que ainda têm ação contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são de propriedade das grandes empresas farmacêuticas: zanamivir, com o nome comercial Relenza, comercializado por GlaxoSmithKline, e oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado por Gilead Sciences, licenciado exclusivamente para a Roche. Glaxo e Roche são a segunda e a quarta empresas farmacêuticas em escala mundial e, que igualmente ao restante de seus fármacos, as epidemias são as suas melhores oportunidades de negócio.

Com a gripe aviária, todas elas obtiveram centenas de milhões de dólares de lucro. Com o anúncio da nova epidemia no México, as ações da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as de Glaxo, 6% e isto é apenas o começo. Outra empresa que está atrás desse grande negócio é a Baxter, que solicitou mostras do novo vírus e anunciou que poderá ter a vacina em 13 semanas.

Não precisamos enfrentar apenas a epidemia do vírus, mas também a do lucro.

Silvia Ribeiro, pesquisadora do grupo ECT. Artigo publicado no jornal mexicano La Jornada.

Matéria indicada pelo companheiro de luta, Doutor Toninho da Paraíba.
  • Nota do Blog:

Nós, os homens, somos seres estranhos porque somos objeto de nós mesmos. Somos, muitas das vezes, espúrios porque somos capazes de maltarar por prazer, matando. Mas, mesmo assim, vale continuar lutando e combatendo o bom combate da fé pela eterna construção do "homem novo".