quarta-feira, 13 de julho de 2011

Amazônia, Belo Monte, Novo Código Florestal Brasileiro e municipalismo, uma entrevista do engajado ativista Fernando Guida ao Oykosmiguel

Fernando Guida é um desses caras que nos faz refletir sobre o compromisso com o planeta e com a vida já nos primeiros momentos de conversa. É um ativista ambiental do mais elevado nível. Comprometido com o nosso Brasil a partir de sua aguda e inteligente visão municipalista, ele nos concede com o máximo de objetividade os bons momentos de uma leitura necessária a todos. Curtam a entrevista a seguir.

OYKOSMIGUEL: Fernando Guida, fale-nos um pouco de sua trajetória no campo ambiental. Como iniciou e por quê?

GUIDA: Como vereador em Niterói (RJ), de 1989 a 1992, já tinha o mandato voltado para as causas socioambientais, pelo entendimento quanto à sua importância em âmbito local, nacional e mundial.

A participação na Rio 92 ainda aumentou e acelerou minha atuação neste campo.

OYKOSMIGUEL: Quais os principais gargalos na política socioambiental no Brasil de hoje? Fale-nos do Novo Código Florestal e de BELO MONTE!

GUIDA: Belo Monte é um crime. Mantenho um filme que explica aquela doideira no meu blog (www.guidapv.wordpress.com) há meses, como mais uma forma de protesto.

O Código Florestal virou foco de interesses econômicos e moeda de troca, justamente quando deveria ser intocável. Um absurdo!

O principal gargalo da política socioambiental é sua demasiada centralização. Sou municipalista e considero uma afronta permanente o que se faz com os prefeitos e os municípios, praticamente humilhados ou tendo que ceder muito politicamente pela necessidade de recursos que têm que solicitar em Brasília.

Um caminhão cheio de toras de madeira ilegal que saia do sul do Pará, por exemplo, em direção a São Paulo, passa por dezenas de cidades que se tivessem pessoal e equipamentos para a a fiscalização, certamente poderiam evitar mais desmatamento. o Brasil é dividido em municípios. Crimes assim ocorrem em municípios. E bem sabemos o que tem o IBAMA, por exemplo, para cuidar dos ambientes. Nas outras áreas é a mesma coisa. Prefeitos de pires na mão e fiscalização muito ineficiente.

OYKOSMIGUEL: Qual o futuro anunciado para um Brasil a partir dos atuais mega projetos que impactam o nosso meio ambiente?

GUIDA: O equilíbrio das Finanças Nacionais depende muito da exportação de commodities como o ferro e a carne, para citar dois dos importantes. O que se agride ambientes para se conseguir madeira para queimar nos fornos das siderúrgicas e o que se desmata para criar gado ou cultivar pasto para sua alimentação neste país é caso de polícia.

OYKOSMIGUEL: Na sua percepção, qual o mais significante e assustador passivo ambiental do Brasil?

GUIDA: O desmatamento da Amazônia, responsável por grande parte das nossas emissões.

Conheça o Fernado Guida:

Secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade de Niterói, Fernando Guida, de 54 anos, antes vice-presidente, assume a presidência do PV do Estado do Rio de Janeiro.
Membro da Executiva Nacional, é desde 2009 coordenador do PV para a Região Leste (RJ, BA, MG e ES). Ex-presidente do PV-Niterói, é filiado ao partido há mais de 20 anos, onde chegou a convite do ex-presidente estadual Alfredo Sirkis, na época vereador no Rio enquanto Guida era vereador em Niterói.
Economista, professor de inglês e economia, desde 1997 atua na Administração Pública. Além de Presidente do Conselho Curador da Fundação Parques e Jardins, na Cidade do Rio de Janeiro, já ocupou por oito vezes, em governos diferentes, o cargo de secretário municipal em Niterói.
Com formação complementar em Auditoria Ambiental (UERJ/EARA - Environmental Auditors Registration Association) e Educação em Área Semi-Rural (Israel), Fernando Guida também é secretário-executivo do SIMAAS - Sistema de Integração Municipal América Área Sul e presidente da Assembléia Constituinte da ACTA21 - Agência de Cooperação Territórios e Agenda 21.

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